Estudante e policial morrem; chega a 36 o número de vítimas nos protestos na Venezuela

Do UOL, em São Paulo

  • Ronaldo Schemidt/AFP

    Oposicionista é atendido após confrontos com policiais na Universidade Central da Venezuela, em Caracas

    Oposicionista é atendido após confrontos com policiais na Universidade Central da Venezuela, em Caracas

Um dirigente estudantil e um policial morreram feridos por balas nesta quinta-feira (4) na Venezuela, segundo confirmou o Ministério Público. Com as duas vítimas de hoje, sobe para 36 o número de mortos na onda de protestos contra Nicolás Maduro.

Juan López, 33, foi vítima de "vários disparos" durante uma assembleia estudantil em um instituto universitário na cidade de El Tigre. Outras três pessoas ficaram feridas. As autoridades, que não informaram a filiação política da vítima, fazem investigações para identificar os autores e determinar as motivações do crime.

A outra vítima é o policial Gerardo Barrera, 38, ferido a bala em uma manifestação na tarde de quarta-feira. Ele morreu na madrugada desta quinta no município de San Joaquín. Na quarta, foram registrados distúrbios violentos em Caracas depois que uma marcha de milhares de opositores foi dispersada pelas forças de segurança.

O homicídio do estudante ocorreu em um dia em que estudantes universitários protestaram em Caracas e em outras localidades do país contra Maduro e exigiram sua saída do poder.

Em Caracas, policiais da tropa de choque impediram uma passeata de centenas de alunos da Universidade Central da Venezuela (UCV) lançando bombas de gás lacrimogêneo, ao que um grupo de jovens encapuzados respondeu com pedras e coquetéis molotov.

"Seguiremos protestando até que este governo corrupto e mentiroso caia", diz Inés Delgado, estudante de direito de 22 anos, com o rosto protegido para evitar os efeitos do gás lacrimogêneo. "Nos roubaram tudo, menos o nosso futuro".

A oposição venezuelana, que já completou um mês de protestos na rua contra Maduro, rejeita o processo constituinte que se encarregaria de modificar a Carta Magna do país, e veem a medida como uma manobra para o presidente permanecer no poder.

Maduro informou nesta quinta-feira que foram capturados quatro supostos chefes de grupos armados do leste de Caracas que, segundo afirmou, dirigem uma "insurgência armada" nas fileiras da oposição contra o Estado e a sociedade venezuelana.

"Foram capturados quatro importantes chefes dos bandos armados daqui do leste do Caracas e, além disso, neste momento estão sendo realizados os respectivos procedimentos e foram apreendidas armas, bombas, fuzis", indicou o presidente através de um contato telefônico com um ato do governante PSUV (Partido Socialista Unido de Venezuela).

Na ligação transmitida pela emissora estatal "VTV", Maduro assegurou que as autoridades venezuelanas estão "desmembrando" importantes grupos que encabeçam esta insurgência.

Prova de vida de preso

Os venezuelanos, que já estão tensos após um mês de protestos, ficaram abalados com os rumores sobre a saúde de Leopoldo López, um ex-prefeito que foi preso em 2014 durante a mais recente grande onda de protestos.

Na quarta, a mãe e a mulher de López montaram guarda do lado de fora da prisão onde ele está detido, exigindo vê-lo. A família correu para um hospital militar em Caracas e depois para a prisão Ramo Verde na noite de quarta-feira, após um jornalista escrever no Twitter que López tinha sido enviado para um centro médico sem sinais vitais. Em seguida, o governo de esquerda do presidente Nicolás Maduro divulgou um curto vídeo em que López, em frente a uma cela de prisão, diz que está bem.

"Hoje é o dia 3 de maio, são 21h... E eu estou enviando a mensagem para minha família e para meus filhos de que eu estou bem", disse López, de 46 anos, usando uma blusa branca sem mangas e cruzando os braços.

Entretanto, a mulher de López, Lilian Tintori, que diz não ter recebido permissão para ver seu marido em mais de um mês, rejeitou o vídeo como prova de vida. "O vídeo da ditadura é FALSO. A única prova de vida que nós vamos aceitar é ver Leopoldo", tuitou Lilian nesta quinta-feira, publicando uma foto em que ela e a mãe de López aparecem enfrentando uma barreira de soldados da Guarda Nacional vestidos de verde em frente da prisão, que fica a aproximadamente uma hora de distância de Caracas.

O economista que estudou nos Estados Unidos e líder do partido Vontade Popular é acusado de incitar violência, e em 2015 foi sentenciado a quase 14 anos de prisão. O governo diz que López é um agitador perigoso, usando como exemplo seu envolvimento em um curto golpe em 2002 contra o falecido Hugo Chávez, quando López ajudou a prender um ministro do governo.

Defensores de López dizem que ele foi sentenciado em uma corte não oficial porque era visto como um futuro aspirante à Presidência e, portanto, como uma ameaça para o impopular Maduro. Entretanto, outros membros da oposição o consideram um fanático que divide o país e foi para as ruas muito cedo e não conseguiu o apoio dos pobres do país.

O caso de López virou célebre para o movimento anti-Maduro, e Lilian Tintori encontrou com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, na Casa Branca em fevereiro. (Com agências internacionais)

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