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Brasileira abre sua casa para abrigar afetados por enchentes no Texas

A brasileira Ludmila Claro (1ª à dir.) com voluntários durante ação da ONG Brazilian Women Foundation, no Texas - Reprodução/Facebook Ludmila Claro - Reprodução/Facebook Ludmila Claro
Ludmila (1ª à dir.) com voluntários durante ação da ONG Brazilian Women Foundation
Imagem: Reprodução/Facebook Ludmila Claro

Marcelo Freire

Do UOL, em São Paulo

29/08/2017 16h09

"Hoje não existe nenhum 'imigrante'. Todos estão ajudando uns aos outros, independentemente de ser brasileiro, americano, mexicano, não importa, somos todos iguais. É um trabalho bem bonito de ver."

A brasileira Ludmila Claro (1ª à dir.) e sua família estão recebendo desabrigados em sua casa em Sugar Land, próximo a Houston, durante a passagem da tempestade Harvey - Reprodução/Facebook Ludmila Claro - Reprodução/Facebook Ludmila Claro
Ludmila Claro (1ª à dir.) e sua família, que mora no Texas
Imagem: Reprodução/Facebook Ludmila Claro

É nesse espírito que a professora brasileira Ludmila Claro, 37, se uniu a outros imigrantes para saber como poderia ajudar as pessoas que estão sendo afetadas pelas enchentes no Texas causadas pelo furacão Harvey, que já deixou pelo menos 10 mortos e milhares de desabrigados nos Estados Unidos.

Moradora de Sugar Land, na região metropolitana de Houston, Ludmila está numa área que não foi especificamente atingida pelas enchentes. Ela, o marido e os três filhos estão abertos a receber outras famílias de brasileiros que estão desabrigados em sua casa, que tem quatro cômodos. Além disso, organiza através de um grupo no Facebook a arrecadação de doações e mantimentos para os afetados.

Até agora, a Ludmila recebeu uma família brasileira cuja casa está numa área de evacuação obrigatória devido ao risco de rompimento de um dos diques que impedem que as águas invadam as ruas - Houston, próxima ao Golfo do México, tem baixa altitude e possui um sistema de áreas alagadiças e canais que impedem as enchentes. Outra família, oriunda de uma área de evacuação voluntária nas imediações da cidade, está a caminho.

Comida estocada pela brasileira Ludmila Claro para alimentar a família durante a passagem da tempestade Harvey - Ludmila Claro/Arquivo pessoal - Ludmila Claro/Arquivo pessoal
Comida estocada pela brasileira durante a passagem da tempestade
Imagem: Ludmila Claro/Arquivo pessoal

"Recebemos quatro pessoas e estamos aguardando outras três. E também tem os animais: são nossos três cachorros e dois que vieram com a família", conta. Apesar da quantidade de pessoas, Ludmila diz que a casa está bem abastecida de comidas e mantimentos. "Não estamos precisando de nada aqui."

Segundo ela, o aviso da tempestade na semana passada e os constantes alertas de governantes e oficiais de resgate fizeram com que as pessoas pudessem enfrentar as tempestades já preparadas. "Mesmo agora as pessoas estão sendo responsáveis. Ontem abriu o supermercado e havia uma fila enorme, mas as pessoas estavam comprando bem conscientes."

Trabalho pós-enchente

Além de alimentos e produtos gerais, ONG de Ludmila Claro já arrecadou até um sofá (à dir.) para ajudar os desabrigados no Texas - Ludmila Claro/Arquivo pessoal - Ludmila Claro/Arquivo pessoal
Além de alimentos e produtos, brasileira já arrecadou até um sofá
Imagem: Ludmila Claro/Arquivo pessoal

Através da ONG Brazilian Women Foundation, que já faz trabalho voluntário regularmente, Ludmila iniciou no Facebook uma campanha de arrecadação de alimentos e produtos de higiene para os afetados, especialmente os brasileiros. A ideia é unir os produtos em um kit que será distribuído na medida do possível, assim que a água começar a baixar e a região sair da situação de risco.

Por enquanto, aquilo que chega à casa de Ludmila está sendo armazenado em sua garagem. "Doaram até um sofá", diz ela, que conta com a ajuda de cerca de 25 voluntários na zona metropolitana de Houston para estocar e distribuir as doações. "Já recebemos doações de outras cidades, como Dallas e Austin [no Texas], e tem gente de outros Estados, como Carolina do Norte e Flórida, querendo doar também."

Segundo ela, muitos brasileiros perderam tudo que tinham em casa, e agora aguardam a água baixar para saber se poderão voltar a morar nos locais, danificados pelo tempo submerso na enchente. "A partir daí, vamos começar a fazer um trabalho de limpeza nas casas que não tiverem suas estruturas comprometidas."

Além disso, os voluntários da ONG se organizam para divulgar as notícias oficiais - e rebater os boatos que surgem nas redes sociais - aos brasileiros que têm mais dificuldade de entender inglês ou acompanhar os alertas das autoridades. "Estamos traduzindo tudo que é importante", diz ela.

O clima de ajuda mútua também é a tônica na vizinhança. "Ainda conseguimos sair de casa, com limites, quando a chuva dá uma trégua. Aqui em Sugar Land não há sistema de transporte público no momento, então aqueles que têm barcos e caminhonetes estão saindo para resgatar ou ajudar pessoas. Ontem mesmo meu marido, que tem uma caminhonete, levou um policial à delegacia, porque ele não tinha como se locomover para lá. Ele já rodou as casas por aqui para ver se alguém precisa de alguma coisa", conta.

Busca de informações pelo Itamaraty

O Itamaraty afirma que não há brasileiros entre as vítimas, mas que o funcionamento do Consulado-Geral do Brasil em Houston foi afetado, mas disponibilizou um telefone para busca de informações (+1 281 384 4966). O núcleo de assistência a brasileiros no Brasil também está disponível por meio dos telefones +55 61 2030 8803 e +55 61 2030 8804, e pelo e-mail dac@itamaraty.gov.br, além do telefone do plantão consular da Subsecretaria-Geral das Comunidades Brasileiras e de Assuntos Consulares e Jurídicos do Itamaraty (+55 61 98197 2284).

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