Construída sobre um lago: solo da Cidade do México amplificou terremoto

Da Associated Press, na Cidade do México

O solo macio que cobre o leito do lago em que a Cidade do México foi construída amplificou a agitação do terremoto e aumentou sua força destrutiva. Os sismólogos agora tentam entender melhor o terremoto que deixou mais de 200 mortos no México. Os cientistas também tentam explicar porque uma grande réplica ainda não foi registrada --como tradicionalmente ocorre nos terremotos. 

Arte/UOL
Tremor de magnitude 7.1 atingiu o México e chegou a ser sentido na capital
A Cidade do México é construída em em terreno profundo onde antes ficava um lago. Em vez de amortecer os terremotos, isso exagera os seus efeitos, disse James Jackson, professor de geofísica da Universidade de Cambridge, no Reino Unido.

As vibrações ou ondas sísmicas das rochas mais duras e mais profundas são amplificadas pelo solo macio e pelos sedimentos que estão acima delas, fazendo com que a superfície --e as estruturas construídas sobre ela-- chacoalhem cada vez mais intensamente.

"É como construir sobre uma gelatina, em cima de algo que pode balançar", disse Jackson.

Os sedimentos macios também foram a principal causa de danos no terremoto de 1985 na Cidade do México, de acordo com o geofísico Geoffrey Abers, da Universidade de Cornell. O terremoto, o pior que já atingiu o país, deixou milhares de mortos.

O solo macio e profundo também agravou os efeitos do terremoto de 2015 no Nepal: Katmandu, como a Cidade do México, é construída sobre um lago seco, explicou Jackson.

Ainda que as características geológicas não sejam exatamente as mesmas, Los Angeles, Seattle e a área da baía de São Francisco também têm um solo macio que poderia ampliar as ondas sísmicas, de acordo com o sismólogo norte-americano Oliver Boyd.

Os cientistas não conseguiram detectar réplicas até a tarde de quarta-feira, disse Paul Earle, sismólogo do Serviço Geológico dos Estados Unidos. Normalmente, é esperada uma uma réplica de uma magnitude menor, que seria menor de 6.1, disse Earle --embora o terremoto de terça tenha características comuns de tremores com menos réplicas.

Diferentemente da maioria dos terremotos, o registrado no México na terça não ocorreu no encontro de duas placas tectônicas --ele foi registrado no meio da placa Cocos devido à pressão acumulada enquanto deslizava sob a placa norte-americana. Este tipo de terremoto geralmente tem menos réplicas. Além disso, o tremor foi mais profundo do que o normal --57 km abaixo da superfície-- e abalos sísmicos mais profundos também registram menos réplicas. O terremoto na terça-feira foi o segundo em apenas 12 dias no México. O primeiro foi um terremoto de magnitude 8.1 que atingiu o sul do país e causou a morte de mais de 90 pessoas.

Dois terremotos em 12 dias

O terremoto na terça-feira foi o segundo registrado em apenas 12 dias no México. O primeiro foi um terremoto de magnitude 8.1 que atingiu o sul do país e causou a morte de mais de 90 pessoas.

Para os geólogos, o tremor da Cidade do México não é uma réplica do terremoto do começo do mês, já que o primeiro foi registrado em um local muito distante do segundo --a cerca de 650 km do epicentro de terça. A maioria das réplicas ocorrem em um raio de 100 quilômetros do epicentro, disse Earle. Ele também não foi uma liberação de energia do primeiro tremor, acrescentou o cientista.

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