Presidente catalão destituído diz que Catalunha fará 'resistência democrática'

  • LLUIS GENE/AFP

Carles Puigdemont, que foi destituído do cargo de presidente da Catalunha pelo governo da Espanha nesta sexta-feira (27), fez um pronunciamento neste sábado em que recusa a destituição e diz que a região fará uma "resistência democrática" às atitudes de Madri. 

Segundo Puigdemont, os catalães farão uma "oposição democrática à aplicação do artigo 155", que retirou a autonomia e colocou a região sob o governo de Madri, e afirmou que a decisão é uma "agressão premeditada à vontade expressa pelo povo catalão". 

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No pronunciamento, que foi transmitido pela emissora local "TV3", o líder apareceu com as bandeiras da Catalunha e da União Europeia como cenário - mesmo os europeus não tendo reconhecido a decisão do Parlamento de declarar independência à Espanha. 

"Ontem vivemos um dia histórico. O Parlamento da Catalunha cumpriu com aquilo que os cidadãos votaram no dia 27 de setembro. Em uma sociedade democrática, são os parlamentos quem elegem os governos e destituem presidentes", disse referindo-se à decisão de intervenção de Madri. 

Puigdemont informou que a vontade dos políticos locais é de "seguir defendendo de forma pacífica a independência". "Não queremos a razão da força, mas seguiremos trabalhando para construir um país livre", disse ainda. 

Polícia catalã pede neutralidade

A força policial da Catalunha disse para seus oficiais permanecerem neutros nos esforços sobre a luta da região por independência da Espanha, em um passo para evitar possível conflito, conforme o governo de Madri começa a impor controle neste sábado.

O primeiro-ministro da Espanha, Mariano Rajoy, destituiu o governo Catalão, assumiu controle e convocou uma nova eleição após o Parlamento regional realizar uma declaração unilateral de independência na sexta-feira, agravando a pior crise política da Espanha em quatro décadas.

A declaração de independência, embora considerável, foi quase imediatamente transformada em algo em vão pelas ações de Rajoy. Outros países europeus e os Estados Unidos também rejeitaram a declaração e expressaram apoio ao primeiro-ministro espanhol.

Mas emoções estão fortes na Catalunha e os próximos dias serão difíceis para Madri, conforme o governo central começa a aplicar controle direto sobre a região.

Vice da Espanha no comando

Após a remoção de Puigdemont, Rajoy delegou neste sábado à sua vice-primeira-ministra, Soraya Sáenz de Santamaría, as funções e competências de chefe do Executivo da região da Catalunha. 

Juan Medina/Reuters
Soraya Sáenz de Santamaría, vice-primeira-ministra da Espanha

A votação do Parlamento regional para declarar a Catalunha uma nação separada, que foi boicotada por três partidos da oposição nacional, encabeçou uma batalha de vontades entre o movimento por independência, comandado pelo agora despossado Carles Puigdemont, e o governo de Madri.

Os separatistas dizem que um referendo realizado em 1º de outubro deu a eles um mandato por independência. No entanto, menos da metade dos eleitores compareceu à votação, que Madri declarou ilegal e tentou impedir.

Pesquisas de opinião regularmente indicam que mais da metade dos 5,3 milhões de habitantes que podem votar na rica região não quer uma separação da Espanha.

(Com agências)

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