Mugabe faz primeira aparição pública após intervenção militar no Zimbábue

Do UOL, em São Paulo

  • Ben Curtis/ AP

    O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, chega para cerimônia de graduação, na Universidade Aberta do Zimbábue, em Harare

    O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, chega para cerimônia de graduação, na Universidade Aberta do Zimbábue, em Harare

O presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, fez nesta sexta-feira sua primeira aparição pública desde a intervenção militar desta semana. Ele compareceu a uma cerimônia de entrega de diplomas universitários em Harare nesta sexta-feira (17).

O chefe de Estado de 93 anos vestia uma toga azul para esta recepção na Universidade Aberta de Zimbábue. Na véspera se reuniu com o chefe do Estado-Maior, general Constantino Chiwenga, e se negou a renunciar, segundo uma fonte próxima aos militares.

Segundo  o portal local "News Day", Mugabe compareceu ao local sob vigilância e sem a companhia da sua mulher, Grace Mugabe. O ministro da Educação, Jonathan Moyo, que, segundo a imprensa local, continua detido, também não apareceu para a cerimônia.

O ato oficial estava programado na agenda de Mugabe com antecedência.

Líderes do partido do presidente do Zimbábue, Robert Mugabe, estão planejando retirá-lo do cargo à força caso o líder de 93 anos resista à pressão do Exército para renunciar, disse uma fonte de alto escalão da legenda nesta sexta-feira à agência de notícias Reuters.

O político africano de estilo peculiar, único líder que o Zimbábue conhece desde a independência em 1980, insiste que ainda está no poder. Mas a fonte do Zanu-PF, partido de Mugabe, deixou claro que a legenda quer que ele deixe o poder.

"Se ele permanecer teimoso, arranjaremos para que ele seja afastado no domingo", disse a fonte. "Quando isso for feito, seu impeachment será na terça-feira."

Quem é quem na crise no Zimbábue

O The Herald, jornal oficial do Zimbábue, publicou fotografias na noite de quinta-feira que mostram Mugabe sorrindo e cumprimentando o chefe militar, general Constantino Chiwenga, que tomou o poder esta semana.

Isso sugere que Mugabe estava conseguindo resistir ao golpe de Chiwenga, com algumas fontes políticas afirmando que ele estava tentando adiar sua saída até as eleições, agendadas para o ano que vem.

A fonte do Zanu-PF afirmou que este não é o caso. Ansiosos para evitar um impasse prolongado, líderes do partido estão esboçando planos para destituir Mugabe no final de semana, caso ele se recuse a sair, disse a fonte.

"Não tem volta", disse a fonte à Reuters. "É como uma partida adiada por fortes chuvas, com o time de casa liderando por 90 a 0 aos 89 minutos de jogo."

As opções de Mugabe parecem limitadas. O Exército está acampado na sua parte. Sua mulher, Grace, está sob prisão domiciliar e seus aliados políticos estão sob custódia militar. A polícia, que já foi bastião de apoio, não mostrou sinais de resistência.

Além disso, Mugabe tem pouco apoio popular na capital e a oposição está fortalecida, explorando a raiva e a frustração com a condução da economia, que entrou em colapso após a tomada de controle de fazendas de propriedade de brancos em 2000.

Arte UOL

O desemprego está agora em quase 90 por cento. A escassez crônica de moeda forte está levando o preço dos importados a subirem até 50 por cento ao mês.

Em comunicado transmitido pela televisão nacional, o Exército disse estar "envolvendo" Mugabe e que anunciaria uma resolução assim que possível.

O Exército parece querer que Mugabe deixe o cargo discretamente e permita uma transição suave e sem violência para Emmerson Mnangagwa, o vice-presidente, cujos saques na semana passada levaram à tomada do poder pelo Exército.

O principal objetivo dos militares é evitar que Mugabe passe o poder à sua mulher, Grace, que pareceu à beira do poder depois que Mnangagwa foi demitido.

Prisões

As Forças Armadas de Zimbábue, que controlam a capital Harare, anunciaram nesta sexta-feira a detenção de várias pessoas ligadas ao presidente Robert Mugabe, com quem estão discutindo sobre "a próxima etapa".

"Queremos informar a nação que aconteceram avanços significativos na operação anticorrupção no partido Zanu-PF do presidente Mugabe", afirma um comunicado das Forças Armadas publicado no jornal estatal The Herald.

"Prendemos vários criminosos e outros estão foragidos", completa o texto.

"Atualmente estamos discutindo com o comandante em chefe (Mugabe) sobre a próxima etapa e informaremos o resultado das discussões quando possível", afirma o comunicado militar.

O ex-vice-presidente do Zimbábue, Emmerson Mnangagwa, cuja destituição em 6 de novembro provocou o golpe de Estado das Forças Armadas contra Mugabe, retornou ao Zimbábue, informaram fontes de sua equipe.

"Sim. Retornou", disse uma fonte próxima a Mnangagwa, vinculada aos militares, que pediu anonimato. (Com as agências internacionais)

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