Microfones em ilhas no Atlântico e no Índico detectaram explosão perto de onde submarino sumiu

Do UOL, em São Paulo

  • Reprodução/Twitter

    Reprodução do Google Earth divulgada pela OTPCE para sinalizar explosão detectada no Atlântico

    Reprodução do Google Earth divulgada pela OTPCE para sinalizar explosão detectada no Atlântico

A OTPCE (Tratado da Proibição Completa dos Testes Nucleares) confirmou nesta quinta-feira (23) que três microfones instalados em ilhas nos Oceanos Atlântico e no Índico detectaram a explosão na região próxima da última localização conhecida do submarino ARA San Juan cerca de três horas depois do último contato da embarcação. 

As duas estações hidroacústicas instaladas na ilha de Ascensão, no meio do Oceano Atlântico, e nas ilhas Crozet, no Índico, detectaram um sinal de "evento impulsivo subaquático" nas proximidades de onde estava o submarino quando foi reportada a avaria nas baterias, última informação recebida pela Armada argentina. A explosão teria sido detectada na latitude 46,12 e longitude 59,69.

A OTPCE monitora o planeta para que não sejam feitos testes nucleares por meio de uma rede de detecção global que envolve estações sísmicas, hidroacústicas e até mesmo de detecção de isótipos liberados após explosões nucleares. Foi este sistema que identificou a anomalia informada pela Marinha da Argentina nesta quinta.

A entidade explica que o som subaquático de baixa frequência, que pode ser produzido por um teste nuclear, se propaga de forma muito eficiente pela água. Por isso, este tipo de evento pode ser detectado a grandes distâncias, mesmo a milhares de quilômetros de sua fonte. É por isso que o sistema da OTPCE tem somente onze estações hidroacústicas nos oceanos.

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Todos os dados, incluindo a latitude e a longitude do evento, foram repassados para a Armada argentina.

"Consistente com uma explosão"

A Marinha argentina confirmou nesta quinta-feira (23) que um som anormal detectado na data do desaparecimento do submarino ARA San Juan, há mais de uma semana, é "consistente com uma explosão".

O porta-voz da Marinha, Enrique Balbi, descreveu o som captado na manhã do dia 15 de novembro como "anormal, singular, curto, violento e não nuclear", com base nas informações recebidas pelo governo argentino da Organização do Tratado de Proibição Total de Testes Nucleares (CTBTO).

Balbi disse que a informação coincide com outra, recebida pelos Estados Unidos, de que uma "anomalia hidroacústica" foi registrada horas após a embarcação perder contato com a base da Marinha. O submarino está desaparecido desde 15 de novembro, com 44 tripulantes a bordo.

Familiares recebem aos prantos a notícia de explosão

O local da explosão seria o Golfo de San Jorge, a 430 quilômetros da costa argentina, a cerca de 1.300 quilômetros de Buenos Aires, numa zona com raio de 125 quilômetros.

Balbi disse que as autoridades ainda não possuem "nenhuma informação sobre o que produziu nesse lugar e nessa data um evento com essas características". A Marinha ressaltou que não há indicações de que o submarino tenha sido alvo de um ataque.

Acredita-se que a captação do ruído poderá ajudar na localização do submarino. Navios e aviões de reconhecimento se dirigiram ao local. Uma aeronave P-8 Poseidon e um avião brasileiro também foram enviados. (Com agências internacionais)

 

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