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Trump e Kim Jong-un dão aperto de mão histórico em Singapura

Do UOL, em São Paulo

2018-06-11T21:36:49

2018-06-12T00:50:32

11/06/2018 21h36Atualizada em 12/06/2018 00h50

Um dos momentos mais relevantes da história ocorreu na noite desta segunda-feira (11), já terça-feira na Ásia: diante das câmeras, o presidente norte-americano, Donald Trump, e o ditador norte-coreano, Kim Jong-un, encontraram-se em Singapura e deram-se as mãos, antes mesmo de falarem entre si. 

Em um evento claramente preparado para as primeiras páginas dos jornais, os líderes posaram diante de um cenário formado por bandeiras dos Estados Unidos e da Coreia do Norte. Espera-se que os líderes cheguem a um acordo que encerre um conflito iniciado no século passado. Estão em pauta a Guerra das Coreias, cujos líderes se encontraram há pouco mais de um mês, o isolamento da Coreia do Norte e o potencial nuclear de Pyongyang.

Após a fotografia histórica, Trump deu um tapinha nos ombros de Kim e os dois seguiram para uma antessala. Sentados e sorridentes, fizeram breves declarações para a imprensa:

Incrivelmente bem-sucedida",

Trump, sobre as expectativas do encontro que se inicia.

Superamos todos os obstáculos e estamos aqui hoje",

completou Kim aos repórteres.

Depois das fotos, os líderes fizeram uma reunião fechada, acompanhados apenas de seus tradutores, que durou cerca de 40 minutos. Uma outra reunião, dessa vez na companhia dos respectivos assessores e aberta, ocorreu em seguida.

Do lado norte-americano da mesa, além de Trump, estiveram seu conselheiro de Segurança Nacional, John Bolton; o secretário de Estado, Mike Pompeo, e a tradutora  Yun-hyang Lee, que também trabalha no Departamento de Estado dos EUA.

Espera-se que os dois líderes almocem e, em seguida, ao menos Trump dê declarações à imprensa. O presidente norte-americano deve deixar o país até o final do dia para retornar aos Estados Unidos. 

Por que isso é importante

Esta é a primeira vez em que um presidente norte-americano em exercício se encontra com um líder norte-coreano. Antes de Trump, Bill Clinton viajou à Coreia do Norte, mas já havia deixado a Casa Branca quando isso aconteceu. 

Na manhã antes do encontro, o presidente norte-americano publicou em seu Twitter que o mundo saberia "logo se um acordo real pode acontecer". Em troca, ele deve oferecer a Kim um tratado de paz e assistência econômica ao isolado país asiático, que sofre há décadas com diversas sanções impostas pela comunidade internacional. 

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Tanto o pai, quanto o avô de Kim, líderes da Coreia do Norte antes dele, chegaram a iniciar negociações para abandonar as ambições nucleares do país, em troca de assistência econômica. Todos os acordos no entanto acabaram fracassando. 

    O encontro desta terça era extremamente aguardado, não só pela expectativa de que um acordo finalmente seja feito, mas também por ser negociado por dois líderes de comportamento imprevisível. Até o começo de 2018, ambos trocavam farpas beligerantes que fizeram o mundo temer uma guerra nuclear. 

    O contexto histórico da reunião

    A Coreia do Sul e a Coreia do Norte enfrentaram-se durante três anos (1950-1953), no contexto da Guerra Fria (1947-1991). Na época, Washington e Moscou apoiavam lados opostos como forma de garantir seus espaços de influência no mundo. 

    Sem um desfecho oficial para a guerra, em 1953 as Coreias assinaram um armistício em vigor até hoje, quase 70 anos depois, mas nunca assinaram um acordo de paz. Ou seja, tecnicamente, as Coreias ainda estão em guerra.

    Nesse período, o pequeno país ao norte tornou-se um poço de reclusão e hostilidade. Extremamente fechado e isolado da comunidade internacional, a Coreia do Norte teve momentos de maior e menor tensão com o vizinho e também com os Estados Unidos. A intensidade das ameaças variou de acordo com a disposição dos líderes no poder e do contexto mundial. 

    A constante realização de testes com mísseis de longo alcance tornaram o país uma ameaça crescente. Em 2002, o então presidente norte-americano, George W. Bush, classificou o país como integrante do que chamou de "Eixo do Mal", conjunto de governos inimigos dos Estados Unidos.

    Neste contexto de ameaças que se arrastam há décadas, com potencial de conflito global, o encontro entre Trump e Kim acena para a paz.

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