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Morre o ex-presidente dos EUA George H. W. Bush, aos 94 anos

AFP PHOTO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / MARK WILSON
O ex-presidente George H. W. Bush em evento na Casa Branca, em 2013 Imagem: AFP PHOTO / GETTY IMAGES NORTH AMERICA / MARK WILSON

Do UOL, em São Paulo

01/12/2018 03h07Atualizada em 01/12/2018 17h07

O ex-presidente dos Estados Unidos George H. W. Bush morreu nesta sexta-feira (30) aos 94 anos. O falecimento ocorreu às 22h10 e foi anunciado por um porta-voz da família, Jim McGrath. 

As circunstâncias da morte não foram informadas, mas Bush havia sido hospitalizado no Hospital Metodista de Houston com uma infecção no sangue em 22 de abril, uma semana depois do funeral de sua esposa e ex-primeira-dama Barbara Bush, que faleceu aos 92 anos  --eles foram casados por 73 anos.

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Pouco depois da morte do pai, George W. Bush, que foi o 43º presidente do país, divulgou uma declaração nas redes sociais, em seu nome e no de seus irmãos:

"Jeb, Neil, Marvin, Doro e eu estamos tristes em anunciar que, depois de 94 anos extraordinários, nosso querido pai morreu. George H. W. Bush era um homem do mais alto nível e o melhor pai que um filho ou filha poderia pedir. Toda a família Bush é profundamente grata por sua vida e amor, pela compaixão daqueles que se preocuparam e oraram pelo papai, e pelas condolências dos nossos amigos e concidadãos."

Em comunicado publicado no Twitter, o atual presidente dos EUA, Donald Trump, disse que ele e a esposa, Melania, se uniam à nação enlutada norte-americana para lamentar a morte do ex-presidente, que "inspirou gerações de seus compatriotas americanos para o serviço público".

Bush foi o 41º presidente norte-americano, sucedendo o também republicano Ronald Reagan. Seu governo, entre janeiro de 1989 e janeiro de 1993, foi marcado pelo fim da União Soviética, pela queda no Muro de Berlim, pela Guerra do Golfo e por graves problemas econômicos que impediram sua reeleição.

Vida e carreira

George Herbert Walker Bush nasceu em 12 de junho de 1924, em Milton, Massachusetts, filho do senador Prescott Bush. De família rica e politicamente atuante nos Estados Unidos, Bush frequentou uma escola da elite da Nova Inglaterra. Aos 17 anos, conheceu Barbara Pierce, com quem se casaria em janeiro de 1945. O casal teve, no total, sete filhos George, Robin, Jeb, Neil, Marvin, Dorothy e Robin, que morreu em 1953.

Aos 18 anos, Bush se tornou o mais jovem piloto da Marinha americana a combater na Segunda Guerra Mundial. Ele esteve presente em 58 missões de combate e quase morreu quando seu avião foi atingido no Pacífico. Por sorte, Bush acabou sendo resgatado por um submarino. Com o fim da guerra, recebeu medalha de honra pelos serviços prestados.

Quando voltou aos Estados Unidos, Bush se formou em Economia, pela prestigiada Universidade de Yale. Com o diploma, mudou-se para o Texas e começou a trabalhar na indústria petrolífera.

Em 1963, Bush se tornou presidente do Partido Republicano no condado de Harris, no Texas. No ano seguinte, tentou uma cadeira no Senado, mas não foi bem-sucedido. Em 1966, no entanto, foi eleito para a Câmara dos Representantes dos Estados Unidos, onde atuou por dois mandatos como deputado.

Durante os anos 1970, Bush foi nomeado para vários cargos importantes como de embaixador dos EUA nas Nações Unidas em 1971, chefe do Comitê Nacional Republicano durante o escândalo de Watergate, enviado dos EUA à China e diretor da Agência Central de Inteligência (CIA, na sigla em inglês) em 1976.

Bush, então, começou a focar na presidência dos Estados Unidos. Em 1980, tentou, mas não conseguiu ganhar a nomeação do Partido Republicano. No entanto, foi escolhido como candidato a vice-presidente da chapa de Ronald Reagan. A dupla venceria dois mandatos. Aproveitando a popularidade de Reagan, Bush foi escolhido como candidato do partido para a eleição de 1988. O republicano venceu o democrata Michael Dukakis, e se tornou o primeiro vice-presidente eleito presidente desde 1837.

O governo Bush foi marcado pela Guerra do Golfo e pela crise econômica. No Oriente Médio, em 1990, o Iraque invadiu o Kuait em busca de petróleo. Uma coalizão da ONU, liderada pelos EUA, removeu as forças de Saddam Hussein do país vizinho e garantiu que a Arábia Saudita não fosse invadida. Com a guerra, o governo Bush viu sua popularidade crescer, apesar de erros básicos de estratégia, como o fato de ter deixado Saddam no poder.

No entanto, os índices de aprovação de Bush despencaram por problemas internos. Os Estados Unidos enfrentaram uma dura recessão econômica e o presidente se viu obrigado a quebrar uma promessa de campanha. Durante seu discurso de aceitação de nomeação na Convenção Nacional Republicana de 1988, Bush declarou: "leia meus lábios: nada de novos impostos". No entanto, o presidente se viu obrigado a buscar apoio dos democratas, o que significou o aumento de impostos já existentes.

Bush perdeu apoio dos conservadores e foi derrotado na eleição de 1992 pelo democrata Bill Clinton, em uma das grandes surpresas eleitorais da história dos Estados Unidos. Um dos fatores que pode ter ajudado para a derrocada eleitoral de Bush, foi o crescimento da candidatura do independente Ross Perot, que terminou a eleição com 19% dos votos populares.

De ex-presidente, Bush logo se tornou pai de presidente. Isso porque seu filho mais velho, George W. Bush, foi eleito presidente em 2000. Por causa disso, Bush acabou fazendo muitas aparições públicas para mostrar apoio ao filho. Além disso, o ex-presidente também participou de diversas ações com outros ex-mandatários. Em 2005, ele juntou forças com o ex-presidente Bill Clinton para ajudar as pessoas afetadas pelo furacão Katrina, que devastou a região da Costa do Golfo. Em 2011, foi homenageado com a Medalha Presidencial da Liberdade pelo presidente Barack Obama.

Saúde debilitada

Os primeiros sinais de problemas de saúde surgiram em 1991, quando, ainda presidente, Bush foi internado por uma arritmia cardíaca e os médicos lhe detectaram a doença de Graves.

No ano de 2000 também necessitou de tratamento no Hospital Comunitário Naples na Flórida, após se sentir indisposto. Em 2012, aos 88 anos, foi internado em um hospital de Houston para ser tratado de uma tosse relacionada à bronquite. Bush desenvolveu uma febre persistente e ficou hospitalizado por quase dois meses.

Dois anos depois, voltou a ser internado por um problema respiratório. Em 2015, Bush, que também sofria de mal de Parkinson, quebrou um osso do pescoço ao cair em sua casa. Em 14 de janeiro de 2017, Bush foi hospitalizado novamente, sofrendo de "um problema respiratório agudo decorrente de pneumonia".