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Imprensa internacional retrata ataques no CE dias após posse de Bolsonaro

NATINHO RODRIGUES
3.jan.2019 - ônibus incendiado no Ceará após série de ataques desde a noite de quarta-feira (2) Imagem: NATINHO RODRIGUES

Do UOL, em São Paulo

06/01/2019 12h50

A onda de ataques violentos no Ceará, que começou na quarta-feira (2) e somou mais de 90 ataques até este domingo (6) foi retratada por órgãos de imprensa internacionais. O envio de tropas federais ao estado pelo governo Bolsonaro foi destacado.

A rede britânica BBC e a emissora americana CNN destacaram o envio de tropas para a cidade de Fortaleza e exibiram imagens de veículos queimados por criminosos nas ruas.

A BBC ressaltou que a ação ocorre logo após a posse do novo governo. "A mobilização de tropas ocorre poucos dias depois da posse do presidente Jair Bolsonaro, eleito para o cargo na promessa de combater o crime desenfreado no país." 

A BBC lembrou ainda do discurso de Bolsonaro ao tomar posse. "O presidente prometeu apoio para os militares e a polícia dizendo: 'O lema nacional é ordem e progresso. Nenhuma sociedade pode se desenvolver sem respeitá-los'."

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Imagem: Reprodução

Porém, a polícia acredita que os ataques no Ceará não estão relacionados com o governo Bolsonaro, mas sim à posse do secretário estadual da Administração Penitenciária Luis Mauro Albuquerque, que anunciou medidas duras para combater o crime organizado no Ceará, como misturar presos de diferentes facções no mesmo presídio.

O jornal argentino Clarín descreveu os ataques como a primeira crise de insegurança enfrentada por Bolsonaro e destacou a operação das tropas da Força Nacional de Segurança.

"O novo governo de Jair Bolsonaro enfrenta quatro dias após assumir sua primeira crise de insegurança, com uma onda de ataques no estado do Ceará (Nordeste). Em resposta, o ministro da Justiça e Segurança Pública, ex-juiz Sergio Moro, ordenou o envio de tropas da Força Nacional."

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O jornal espanhol El País destacou que Bolsonaro insiste em dar impunidade aos policiais ao enfrentar sua primeira crise na segurança. "A insegurança entrou com força na agenda do novo presidente do Brasil quando ele nem sequer completou uma semana no cargo. A resposta da extrema-direita de Jair Bolsonaro a dois dias de ataques com coquetéis molotov no Estado do Ceará tem sido dupla na sexta-feira: o envio de 300 oficiais da polícia na costa nordeste do estado e insistir em um tuíte a deputados e juízes para que apoiem a lei que visa a dar impunidade aos policiais que matam infratores em serviço para reduzir as altas taxas de criminalidade."

Segundo o jornal espanhol, essa será também a primeira amostra de como funcionará a colaboração entre o governo de Bolsonaro e o PT. O governador do Ceará, Camilo Santana, é do Partido dos Trabalhadores.

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Número de ataques passa de 100 casos

As ações criminosas no Ceará continuam e já somam mais de 100 casos, segundo disseram ao UOL policiais ligados à investigação da onda de violência. Foram registrados incêndios a ônibus e veículos particulares, depredação de prédios públicos e estabelecimentos comerciais e até a tentativa de explosão de um viaduto. Ao menos 110 suspeitos foram presos.

Desde sábado (5), as forças estaduais de segurança contam com o apoio de 300 agentes da Força Nacional, que ficarão no estado por ao menos 30 dias.