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Bolsonaro não descarta apoiar possível intervenção dos EUA na Venezuela

Luciana Amaral, Talita Marchao e Marcela Leite

Do UOL, em Washington e em São Paulo

19/03/2019 15h18Atualizada em 19/03/2019 18h10

Resumo da notícia

  • Bolsonaro e Trump tiveram reunião a portas fechadas na Casa Branca
  • Bolsonaro promete "o possível" para devolver a democracia à Venezuela
  • Brasil discutiu a possibilidade de entrar como aliado extra na Otan
  • Trump também sinalizou apoio para que o Brasil ingresse na OCDE

Após reunião com o presidente americano Donald Trump na tarde de hoje, o presidente Jair Bolsonaro (PSL) afirmou que o Brasil e os Estados Unidos "farão o possível" no combate à ditadura de Nicolás Maduro e não descartou ceder o território brasileiro para uma possível intervenção militar norte-americana na Venezuela.

Bolsonaro não detalhou ações tomadas em conjunto e deu resposta evasiva ao ser questionado por um jornalista se permitiria a fixação de uma base militar americana no Brasil para dar apoio à intervenção na Venezuela. Em janeiro, Bolsonaro havia descartado essa possibilidade.

"Tem certas questões que, se você divulgar, deixam de ser estratégicas", afirmou o brasileiro para justificar a falta de resposta à questão. "Essas questões reservadas, que podem ser discutidas, se já não foram, não poderão se tornar públicas", afirmou Bolsonaro ao lado de Trump, na frente da Casa Branca.

Depois, fora da Casa Branca, Bolsonaro minimizou a intenção bélica. Questionado por uma repórter se vai privilegiar a diplomacia ou a intervenção na Venezuela, Bolsonaro disse: "Diplomacia em primeiro lugar, até as últimas consequências."

Este foi o terceiro e último dia da primeira viagem oficial de Bolsonaro a Washington.

Brasil recebe apoio para Otan e OCDE

Bolsonaro foi à Casa Branca no início da tarde e recebeu do presidente americano apoio para a entrada do Brasil em duas alianças internacionais: a Otan (militar) e a OCDE (econômica).

Além de ser um trinfo para o governo Bolsonaro, a entrada no "clube dos ricos" seria uma sinalização importante para a atração de investimentos estrangeiros.

"Discutimos a possibilidade de o Brasil entrar como um grande aliado extra na Otan. Há pouco permitimos que alimentos fossem alocados em Boa Vista, capital de Roraima, por parte dos americanos para que a ajuda humanitária se fizesse presente na Venezuela. No momento estamos nesse ponto", disse Bolsonaro.

Nos dias que antecederam o encontro com Trump, Bolsonaro assinou acordos avaliados como favoráveis aos EUA: isentou turistas norte-americanos de visto para visitar o Brasil e permitirá o uso da base da Alcântara, no Maranhão, para o lançamento de satélites.

Questionado hoje sobre o que daria ao Brasil em troca, Trump afirmou: "Sem dúvidas, vamos apoiar a entrada do Brasil [na OCDE]". Fazer parte da organização é uma das ambições do governo Bolsonaro no âmbito das relações internacionais.

Em seu discurso, Trump agradeceu o Brasil por ter permitido o uso de suas fronteiras para o oferecimento de ajuda humanitária para a Venezuela.

Aliança contra o socialismo

Conhecidos pela retórica política de ataque à esquerda, Trump e Bolsonaro fizeram críticas ao socialismo. Trump afirmou que o socialismo na região está em seu momento final.

O crepúsculo do socialismo chegou em nosso hemisfério e, a propósito, a hora final também chegou ao nosso grande país, que está indo muito melhor do que já foi economicamente. A última coisa que queremos nos EUA neste momento é o socialismo

Donald Trump

Ao fim da coletiva de imprensa, os presidentes saíram juntos, e Bolsonaro colocou a mão nas costas de Trump, indicando que o anfitrião seguisse à frente.

Antes do início do pronunciamento, a comitiva formada pelos ministros brasileiros e assessores de Bolsonaro se sentaram nas duas primeiras fileiras durante a coletiva de imprensa no Rose Garden, jardim em frente à Casa Branca. O clima era de entusiasmo e parte da comitiva conversou com a imprensa antes da chegada dos dois presidentes.

19.mar.2019 - Presidente dos EUA Donald Trump troca camisas de futebol com o presidente Jair Bolsonaro - Brendan Smialowski/AFP
19.mar.2019 - Presidente dos EUA Donald Trump troca camisas de futebol com o presidente Jair Bolsonaro
Imagem: Brendan Smialowski/AFP

Um dos mais animados era o filho do presidente e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP) junto ao assessor especial da Presidência para assuntos internacionais Filipe Martins.

Antes da reunião a portas fechadas, Bolsonaro e Trump já haviam feito breve declaração à imprensa e anteciparam o tom amistoso do encontro.

"Nunca estivemos tão próximos", disse Trump ao receber Bolsonaro (PSL). Os presidentes deram um para o outro camisas de futebol dos respectivos países de presente.

"Depois dos últimos presidentes anti-americanos, o Brasil mudou a partir de 2019, Temos muita coisa para conversar, muito a oferecer. Temos muita coisa em comum e isso é motivo de orgulho". Jair Bolsonaro

Apoiadores gritam 'mito' antes de Bolsonaro encontrar Trump'

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Na visita oficial, Bolsonaro usa uma caminhonete preta blindada e com aparato de segurança especial. Ela contava com duas bandeiras hasteadas: uma do Brasil e outra dos EUA. Toda avenida em frente à Casa Branca foi interditada para o trânsito do presidente e sua comitiva.

Mais cedo, Bolsonaro se encontrou com o secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro. Segundo filho e deputado Eduardo Bolsonaro (PSL-SP), eles discutiram a crise política.

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