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Brasil e EUA apoiam Guaidó; Bolívia e Cuba veem tentativa de golpe

Mirthyani Bezerra

Do UOL, em São Paulo

30/04/2019 10h11

O movimento da oposição deflagrado nas primeiras horas da manhã de hoje para pôr fim ao governo do venezuelano Nicolás Maduro recebeu o apoio do Brasil e dos Estados Unidos. O presidente Jair Bolsonaro se disse solidário ao povo venezuelano e o chanceler Ernesto Araújo classificou como positiva a ação dos militares.

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio "ao povo da Venezuela e a sua liberdade", ao comentar os protestos. Enquanto isso, líderes políticos de Cuba e Bolívia se posicionaram contra as ações do autoproclamado presidente interino do país, Juan Guaidó.

Maduro declarou que tem a "lealdade total" da liderança militar, após manifestações de apoio de vários membros do alto Comando militar. Veja a seguir a reação de líderes e organizações internacionais à tensão na Venezuela.

Brasil

O presidente Jair Bolsonaro afirmou pelo Twitter que se solidariza com o povo venezuelano e que o governo brasileiro apoia "a liberdade desta nação irmã", referindo-se ao movimento do líder oposicionista Juan Guaidó, que tenta derrubar o regime de Maduro.

"O Brasil está ao lado do povo da Venezuela, do presidente Juan Guaidó e da liberdade dos venezuelanos", postou o presidente.

Mais cedo, o ministro das Relações Exteriores, Ernesto Araújo, disse que via como positiva ação de militares em apoio a Guaidó.

"Parece que é positivo que haja um movimento de militares que reconhecem a constitucionalidade do presidente Guaidó". Segundo o ministro, o Brasil apoia um processo de transição democrática na Venezuela e diz esperar que os militares venezuelanos sejam parte dele.

Estados Unidos

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, manifestou apoio "ao povo da Venezuela e a sua liberdade", ao comentar os protestos contra o governo Maduro.

"Estou acompanhando muito de perto a situação na Venezuela. Os EUA apoiam o povo da Venezuela e sua liberdade!", escreveu no Twitter.

O secretário de Estado dos EUA, Mike Pompeo, afirmou por meio do Twitter que o movimento de Guaidó, chamado de Operação Libertad, é inteiramente apoiada pelo governo americano. "O governo dos EUA apoia inteiramente o povo venezuelano em sua busca pela liberdade e democracia. A democracia não pode ser derrotada", afirmou.

Já o Departamento de Defesa dos Estados Unidos informou que está monitorando os acontecimentos na Venezuela, mas sugeriu que o país não vai se envolver nos desdobramentos.

"Estamos monitorando bem de perto os acontecimentos recentes na Venezuela e em contato próximo com nossos parceiros interinstitucionais e nossa cadeia de alto comando. No presente momento, a missão do Comando Militar Sul dos EUA permanece sem mudança", disse o coronel Armando Hernández, um porta-voz do Comando Militar Sul dos EUA, que supervisiona as forças.

ONU

O secretário-geral da Organização das Nações Unidas, Antonio Guterres, pediu máxima moderação na Venezuela para evitar violência, disse um porta-voz.

"O secretário-geral pediu para que todos os lados exerçam o máximo de moderação e apela a todas as partes interessadas para que evitem qualquer violência e tomem medidas imediatas para restaurar a calma", disse Stephane Dujarric, porta-voz da ONU, acrescentando que Guterres estará disponível para mediar caso os dois lados peçam por ajuda.

OEA

O secretário-geral da OEA (Organização dos Estados Americanos), Luis Almagro, saudou a adesão dos militares, por meio do Twitter. "É necessário o mais pleno respaldo ao processo de transição democrática de forma pacífica", disse.

Reino Unido

O governo da primeira-ministra britânica, Theresa May, que reconhece a presidência interina de Guaidó, pediu uma "solução pacífica" para a crise.

"Nosso foco está numa resolução pacífica da crise e na restauração da democracia venezuelana. Os venezuelanos merecem um futuro melhor, eles sofreram o suficiente e o regime de Maduro deve acabar", disse o porta-voz de May.

Espanha

O governo da Espanha também pediu para que o processo seja feito de forma pacífica, para evitar "um derramamento de sangue". "Desejamos com todas as nossas forças que não aconteça um derramamento de sangue", disse a porta-voz do governo, Isabel Celáa. A Espanha reconheceu Guaidó como presidente encarregado do país, em fevereiro.

A porta-voz insistiu na necessidade de uma "convocação imediata de eleições presidenciais" e de um "processo democrático pacífico".

Antonio Tajani, o presidente do Eurocâmara, comemorou o que chamou de "momento histórico" para o "retorno da liberdade na Venezuela". "Hoje, 30 de abril, marca um momento histórico para o retorno à democracia e à liberdade na Venezuela, que o Parlamento Europeu sempre apoiou", tuitou Tajani. "Vamos libertar a Venezuela!", acrescentou.

Colômbia e Panamá

Vizinhos da Venezuela, Ivan Duque e Juan Carlos Varela, presidentes da Colômbia e do Panamá, respectivamente, respaldaram o movimento dos militares que se aliaram à oposição.

"Os militares e o povo da Venezuela têm sido chamados para que se posicionem do lado correto da história, rechaçando a ditadura e a usurpação de Maduro, se unindo, na busca da liberdade, da democracia e da reconstrução institucional, encabeçada pela Assembleia Nacional e pelo presidente Juan Guaidó", disse Duque.

"Sob a liderança do presidente constitucional Juan Guaidó, avança o processo em direção a uma saída democrática pacífica e venezuelana à crise humanitária que afeta o país irmão. O Panamá respalda, de maneira decidida, os esforços legítimos pelo restabelecimento da democracia", escreveu Varela.

Chile

"Reiteramos nosso total apoio ao Pdte Guaidó e à democracia na Venezuela. A ditadura de Maduro deve terminar pela força pacífica, e dentro da Constituição, do povo venezuelano. Assim serão restabelecidas as liberdades, a democracia, os direitos Humanos e o progresso na #Venezuela", tuitou o presidente chileno, Sebastián Piñera.

Argentina

O presidente Mauricio Macri fez uma série de tuites defendendo "a democracia na Venezuela". Macri celebrou a libertação de Leopoldo López e afirmou esperar que esse seja o momento decisivo para recuperar a democracia no país.

"A história dos últimos vinte anos da Venezuela deixa uma lição e uma advertência para toda a região: quando as democracias se desviam em direção personalismos messiânicos e ao populismo, cedo ou tarde se transformam em ditaduras"

México

Em um comunicado, o Ministério das Relações Exteriores mexicano "manifesta sua preocupação com a possível escalada de violência e derramamento de sangue que pode ocorrer" e reiterou seu desejo de encontrar "uma solução pacífica, democrática e mediante o diálogo para essa crise".

Bolívia

O presidente da Bolívia, Evo Morales, condenou os esforços dos líderes da oposição, a quem chamou de direita submissa a interesses estrangeiros, para tirar Maduro do poder.

"Convocamos aos governos da América Latina a condenar o golpe de Estado na Venezuela e impedir que a violência cobre vidas inocentes. Seria um antecedente nefasto deixar que a intromissão golpista se instale na região", disse por meio do Twitter.

Cuba

O presidente de Cuba, Miguel Díaz-Canel, rejeitou a revolta do grupo de militares contra Maduro, seu aliado, ao qual reiterou seu "firme apoio".

"Rejeitamos este movimento golpista que pretende encher o país de violência", escreveu o governante cubano no Twitter.

"Os traidores que colocaram à frente deste movimento subversivo, utilizaram tropas e policiais com armas de guerra em uma via pública da cidade para criar ansiedade e terror", completou.

Rússia

O Ministério das Relações Exteriores da Rússia acusou a oposição venezuelana de recorrer à violência naquilo que chamou de tentativa descarada de atrair as Forças Armadas do país à confrontação.

"A oposição radical na Venezuela mais uma vez recorreu a métodos violentos de confrontação", disse o ministério russo. "Em vez de pacificamente resolver as diferenças políticas, eles tomaram um rumo para aumentar o conflito e provocar quebras na ordem pública e confrontos envolvendo as Forças Armadas."