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Universitário brasileiro que fazia intercâmbio na China é encontrado morto

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

16/07/2019 11h51Atualizada em 16/07/2019 20h07

Um estudante brasileiro foi encontrado morto nesse final de semana na cidade de Chongqing, no sudoeste da China. Leonardo Cláudio da Rosa, 23, cursava letras na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS) em Porto Alegre e participava de um intercâmbio no país asiático para estudar mandarim desde o início do segundo semestre de 2018, segundo a UFRGS.

Na China, o jovem estudava na Universidade de Comunicações da China (CUC), em Pequim. A embaixada do Brasil em Pequim afirmou que "está em contato com a família do estudante do Brasil e com as autoridades responsáveis pelo caso na China".

Procurado pelo UOL, o Itamaraty diz também estar prestando assistência à família e não deu maiores informações sobre as circunstâncias da morte. Em nota, o Instituto de Letras da UFRGS disse que o universitário foi vítima de "um crime" sem especificar qual. "As informações iniciais, provenientes de colegas de intercâmbio de Leonardo na China, indicam que foi vítima de crime, embora a direção não possa confirmar", disse o instituto.

Nascido em Caxias do Sul, Leonardo voltaria para o Brasil no segundo semestre deste ano. Ele estudava na UFRGS desde 2015 e, em julho de 2018, ele postou no Facebook que havia sido premiado com a bolsa no intercâmbio, dizendo ser motivo de felicidade e pedindo apoio aos amigos para financiar os estudos.

Leonardo cursava letras na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) - Reprodução/Facebook
Leonardo cursava letras na UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul)
Imagem: Reprodução/Facebook
Na época, antes do embarque, o jovem estudante fez uma rifa para levantar mais dinheiro para cobrir outras despesas que a bolsa de estudos não cobriria, entre elas custos como a expedição do visto emitido pela embaixada chinesa no valor de R$ 730, gastos com alimentação, exames médicos e alojamento no primeiro mês. A intenção de Leonardo era também fazer um brechó e um sebo para angariar fundos para a tão sonhada viagem.

Companheiro de curso de Leonardo na UFRGS, a estudante Ana Laura postou uma mensagem em homenagem ao amigo conhecido como Léo do Beleléu. "Lembrei de quando viajamos juntos para um espaço do movimento social em São Paulo. Se eu bem me lembro, era a primeira vez que ele cruzava os limites do Rio Grande do Sul. Como fomos felizes naqueles dias. Lembrei de um dia que cheguei no Centro Acadêmico da Letras e lá estava ele, dançando freneticamente com a Fabiana Klein uma música dos anos 80. O Léo do Beleléu era a cara da Letras: LGBT e de origem humilde, falava pelo menos três línguas e era dono de uma inteligência fora do comum", disse em sua conta no Facebook.

Além de Leonardo, outros quatro estudantes do Instituto Confúcio na UFRGS receberam a bolsa para o curso de mandarim na Universidade de Comunicações da China (CUC). Eles chegaram ao país em julho de 2018. A bolsa é oferecida pela CUC e pela Hanban, fundação vinculada ao Ministério da Educação da China, e seu período de duração varia de seis meses a quatro anos.

Procurados pelo UOL, o reitor da UFRGS, Rui Oppermann, e a vice-reitora, Jane Tutikian, preferiram não se manifestar sobre o assunto. A UFRGS publicou uma nota oficial em que lamenta a morte do universitário e diz estar acompanhando a investigação do caso.

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