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Estados Unidos recusam pedido do Brasil para fazer parte da OCDE

Reprodução/Flickr OCDE
Imagem: Reprodução/Flickr OCDE

Do UOL, em São Paulo

10/10/2019 12h14Atualizada em 10/10/2019 14h18

Resumo da notícia

  • EUA recusaram hoje a solicitação do Brasil para fazer parte da OCDE
  • Pedido de Argentina e Romênia estão em andamento
  • Rejeição de participar do clube dos mais ricos é revés para governo Bolsonaro

O governo dos Estados Unidos recusou hoje a solicitação do Brasil para fazer parte da OCDE (Organização para Cooperação e Desenvolvimento Econômico). A informação foi divulgada pela agência Bloomberg.

Segundo a publicação, o secretário de Estado dos EUA, Michael Pompeo, rejeitou um pedido para discutir o aumento do clube dos países mais ricos. A informação foi obtida a partir da cópia de uma carta enviada ao secretário-geral da OCDE, Angel Gurria, em 28 de agosto. Ele acrescentou que Washington apenas apoiou as ofertas de membros da Argentina e da Romênia.

"Os EUA continuam a preferir o alargamento a um ritmo lento que leva em consideração a necessidade de pressionar pelo planejamento de governança e sucessão", afirmou o governo na carta.

A mensagem contradiz a postura pública adotada pelos Estados Unidos sobre a questão. Em março, o presidente Donald Trump declarou, em conferência com o presidente Jair Bolsonaro (PSL), na Casa Branca, que ele apoiaria o Brasil na tentativa de entrar no grupo de 36 países. Em julho, o secretário do Comércio dos Estados Unidos, Wilbur Ross, reiterou o apoio de Washington ao Brasil, que apresentou seu pedido de adesão à OCDE em maio de 2017.

Em março, Trump apoiou para entrada do Brasil na OCDE

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Os EUA apoiam a ampliação comedida da OCDE e um eventual convite para o Brasil, mas estão trabalhando primeiro para as entradas de Argentina e Romênia, tendo em vista os esforços de reforma econômica e o compromisso com o livre mercado desses países, disse uma autoridade sênior dos EUA, que pediu para não ser identificada porque não está autorizada a falar publicamente sobre deliberações políticas internas.

O governo brasileiro não respondeu a reiterados pedidos de comentários feitos pela Bloomberg. Um funcionário da assessoria de imprensa da OCDE em Paris não fez nenhum comentário imediatamente.

Momentos antes, o ministro de Relações Exteriores, Ernesto Araújo, havia dito durante o Fórum de Investimentos Brasil 2019, em São Paulo, que o Brasil estava "pronto" para entrar na organização. "Estamos vivendo uma extraordinária abertura econômica. Estamos prontos para integrar a OCDE. Nós e o setor privado acreditamos que isso será chave para o desenvolvimento do Brasil."

"A abertura do Brasil para cadeia global de valor exige parcerias com todos investidores. Para isso, estamos com uma agenda dinâmica que pode criar oportunidade de desenvolvimento para todos", disse o chanceler.

Ele apontou ainda que considera que a liberdade econômica e política caminham juntas. "Estamos convencidos de que o eixo do patriotismo é o que vai levar realmente o país para frente", afirmou Araújo.

É um grande revés para o governo Bolsonaro, que trabalha intensamente em uma aproximação com os Estados Unidos. A entrada na OCDE era vista como a principal vitória após uma viagem a Washington, em março.

Em julho, o presidente chegou a afirmar em uma live nas redes sociais que a negociação estava "bastante avançada". "Todos os países concordam com a nossa entrada", disse na ocasião.

Em maio, o blog de Jami Chade já havia antecipado uma hesitação de diplomatas americanos em atender o pleito brasileiro.

(Com Estadão Conteúdo e Bloomberg)

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