PUBLICIDADE
Topo

Internacional

Esse conteúdo é antigo

Irmã de Anne Frank diz que fotos de libertação em Auschwitz não são de lá

Foto em que, supostamente, soldados do Exército soviético libertam prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz na Polônia, em 1945 - Universal Images Group
Foto em que, supostamente, soldados do Exército soviético libertam prisioneiros do campo de concentração de Auschwitz na Polônia, em 1945 Imagem: Universal Images Group

Do UOL, em São Paulo

27/01/2020 09h04

A irmã adotiva de Anne Frank revelou hoje em entrevista à TV britânica que as fotos conhecidas como sendo da libertação do campo de concentração de Auschwitz pelo Exército soviético não são do local.

Hoje, é celebrado o 75º aniversário da libertação do maior campo de concentração estabelecido pelos nazistas. Estima-se que mais de 1 milhão de pessoas tenham morrido no local - a grande maioria judeus.

Em entrevista ao Good Morning Britain, Eva Schloss, hoje com 90 anos, relembrou os dias no local, para onde foi enviada quando tinha 15 anos.

"Não era Auschwitz. Eles liberaram todos os campos na Polônia e isso é desconhecido", disse ela. Eva alega que os soldados russos não tinham câmeras e houve uma forte nevasca em Auschwitz na época, o que não aparece nas fotos.

Segundo ela, as fotos mostram a libertação em outros campos. Muitos materiais já foram revistos por historiados para identificar de forma correta os lugares e datas das imagens da época. Até então, ninguém havia questionado a precisão das imagens do dia da libertação.

"Eu estive na embaixada russa uma vez e disse: 'Algo me intriga, essas fotos são falsas'. Eles disseram: 'Bem, elas não são falsas', mas quando o exército chegou, eles não tinham câmeras, não tiraram fotos", comentou Eva. "Apenas muito tempo depois eles tiraram fotos, mas veja, essas [fotos] não são em Auschwitz e nem da libertação de Auschwitz".

Eva Schloss, sobrivente do Holocauso - Reprodução/Good Morning America - Reprodução/Good Morning America
Eva Schloss, sobrivente do Holocauso
Imagem: Reprodução/Good Morning America

Sonho e milagre a mantiveram viva

A família de Eva foi descoberta por soldados nazistas em Amsterdã, na Holanda, e todos foram enviados para um campo de concentração quando Eva tinha apenas 15 anos. Seu pai e seu irmão morreram, apenas ela e a mãe conseguiram sobreviver.

Eva tinha 23 anos quando sua mãe se casou com Otto Frank, tornando-se irmã adotiva de Anne Frank, que havia morrido oito anos antes no campo de concentração de Bergen-Belsen em 1945.

Questionada sobre como sobreviveu ao campo de concentração, Eva contou como ela se sentia jovem demais para morrer e sonhava em "se casar e ter uma família", mas diz que foram os "milagres" que a salvaram.

"Quando fui presa no meu aniversário de 15 anos, eu não queria morrer, quem quer morrer quando é jovem? Tivemos uma vida linda em Viena, eu queria me casar e ter uma família, então eu nunca desisti", lembrou ela.

"Ainda assim, sem um milagre, eu não estaria aqui, às vezes são pequenas coisas salvam a sua vida".

Internacional