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Covid-19: Barrados em portos, navios de cruzeiro mantêm tripulantes a bordo

Ovation of the Seas, navio de cruzeiro da Royal Caribbean, em foto de 2016 - Royal Caribbean/Divulgação
Ovation of the Seas, navio de cruzeiro da Royal Caribbean, em foto de 2016 Imagem: Royal Caribbean/Divulgação

Do UOL, em São Paulo

07/05/2020 10h24

O Ovation of the Seas, navio de cruzeiro da Royal Caribbean, hospeda atualmente duas mil pessoas. São tripulantes de diversas nacionalidades que estão a 50 dias isolados, sem autorização para atracar em portos durante a pandemia do novo coronavírus.

A informação foi publicada hoje pelo jornal português Diário de Notícias. Segundo a publicação, a embarcação recebeu tripulantes de outros navios e está atualmente no Oceano Pacífico, onde aguarda autorização para aportar. O jornal informa ainda que o navio não recebe passageiros desde 17 de março.

Enquanto isso, quem está a bordo começa a se desesperar. Um tripulante português que não foi identificado disse que todos foram proibidos de dar entrevistas. Como está afastado do trabalho, confinado em sua cabine, ele não recebe salário desde 25 de abril.

"Estão aqui os trabalhadores internacionais. No início, as coisas foram bem mas, agora, sentimos que estão economizando, embora haja mantimentos a bordo e esteja havendo abastecimento. Dão apenas três refeições por dia e em pouca quantidade. Não podemos circular no navio, embora nenhum de nós esteja doente. Medimos a febre duas vezes ao dia", relatou ele.

O Ovation já foi barrado nos portos de Sydney, Bali e Singapura, e deve chegar hoje a Manila — mas também não tem autorização de autoridades filipinas para aportar. O plano é transportar tripulantes em barcos salva-vidas até outro navio da empresa, com autorização para aportar, até que aviões estejam disponíveis para levá-los a seus respectivos países.

O procedimento é semelhante ao defendido pelo Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos (CDC). A linha oficial da entidade é de que os tripulantes só podem desembarcar para repatriação ou transferência entre navios, desde que transportados por aeronaves ou veículos pessoais especialmente fretados.

Desta maneira, a empresa tenta aos poucos desembarcar os tripulantes. Funcionários de Filipinas e Indonésia já retornaram a seus países, mesmo antes da chegada a Manila. Na capital filipina, 1,2 mil pessoas devem desembarcar, inclusive europeus em busca de voos. Os demais, cerca de 800, são da Índia e devem seguir a um porto do país.

Incerteza a bordo

A situação não é isolada. Segundo a CNN, tripulantes de diversas companhias tiveram negadas as repatriações que foram oferecidas a passageiros. Em comum, muitos deles estão sem contratos de trabalho e sem salários.

"Para ser sincero, espero que não sejamos esquecidos", afirmou MaShawn Morton, tripulante de um navio da empresa norte-americana Princess Cruises. "Parece que ninguém se importa com o que está acontecendo conosco aqui", completou. O navio no qual ele está não foi informado.

Segundo Alex Adkins, funcionário norte-americano do Freedom of the Seas, também da Royal Caribbean, os tripulantes do navio estão a bordo desde março, embora os passageiros tenham desembarcado em Miami. Apesar de terem desfrutado de piscinas e academias da embarcação no início, os tripulantes tiveram que passar mais tarde por um isolamento de duas semanas nas cabines, e não recebem pagamentos desde abril.

"Não temos passageiros, e estamos apenas navegando na costa de Barbados", disse ele à CNN.

A Guarda Costeira dos EUA informou que, até 5 de maio, mais de 57 mil tripulantes ainda estavam a bordo de navios de cruzeiros em portos do país e do Caribe. No litoral norte-americano, segundo o Diário de Notícias, dois navios da Royal Caribbean também tiveram recusada a autorização para aportar em Miami.

"Muitas outras centenas (de tripulações) estavam presas em navios (no dia 5) em outros lugares dos oceanos do mundo", analisou a CNN. "Sem passageiros para cuidar e suas quarentenas concluídas, os funcionários ficam se perguntando por que não foram autorizados a voltar para casa."

No último final de semana, a Royal Caribbean chegou a um acordo nos EUA com o CDC para desembarcar tripulantes, comunicando aos funcionários para informar que seguiriam as diretrizes determinadas.

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