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'Obama me ofereceu esse privilégio', diz Trump sobre pagar menos impostos

Do UOL, em São Paulo

29/09/2020 23h12Atualizada em 30/09/2020 02h00

O presidente Donald Trump afirmou ter pago "milhões de dólares" em impostos federais em 2016, ao ser questionado sobre ter pago naquele ano apenas US$ 750 (cerca de R$ 4,2 mil na cotação atual), durante o debate presidencial realizado na Case Western Reserve University, em Cleveland (Ohio). Este é o primeiro encontro entre Trump e Joe Biden, que o UOL retransmite em parceria com a CNN Brasil.

Na sequência, o candidato republicano disse que as pessoas não gostam de pagar impostos e o governo do democrata Barack Obama permitiu isso. "Olha só, eu construí boas empresas. Milhões de dólares. Ninguém quer pagar impostos. Eu era desenvolvedor de negócio privado, qualquer pessoa privada, a menos que seja tola, ela usa a própria lei para pagar o mínimo de impostos possíveis, então nós usamos, por exemplo, créditos de impostos, depreciação. O governo Obama me ofereceu esse privilégio", acrescentou.

No domingo, o jornal The New York Times publicou dados de declarações de imposto de renda de Trump e de suas empresas, ao longo de duas décadas. Trump foi o primeiro presidente americano desde 1976 a ocultar os dados, segundo o NYT.

"Eu paguei milhões de dólares em impostos, imposto de renda. Eu paguei US$ 38 mi em um ano e US$ 27 [milhões] em outro ano. Olha só, estamos prestes a ter eleições e temos 180 páginas de notícias que mostram meus ativos", rebateu Trump.

Biden acusou Trump de pagar pouco imposto e se beneficiar com proposta que ele mesmo entregou.

"A diferença é que milionários, bilionários como ele, se deram muito bem com essa crise, fizeram mais de US$ 200 bilhões por conta da proposta de impostos que ele entregou. Mas vocês em casa, morando em pequenas cidades, trabalhadores na América, como está sua vida? Esse cara pagou US$ 750 dólares em impostos no passado", disse Biden.

US$ 750 dólares de imposto de renda

Nos documentos, o "NYT" revelou que Trump pagou apenas US$ 750 (R$ 4,2 mil) em impostos federais no ano em que conquistou a Presidência (2016), e não pagou nenhum imposto de renda em 10 dos 15 anos anteriores, principalmente porque ele relatou "ter perdido muito mais dinheiro do que ganhou".

"É totalmente fake news, inventada [a reportagem do "The New York Times"]. Totalmente. Na verdade, paguei impostos", reagiu Trump.

Enquanto isso, o advogado do presidente disse que ele pagou "milhões" em tributos, mas que seriam taxas estaduais de imóveis, por exemplo, e não impostos federais.

Em contrapartida, o candidato democrata à presidência dos Estados Unidos, Joe Biden, e sua companheira de chapa, Kamala Harris, divulgaram hoje suas declarações de imposto de renda de 2019. Democratas também pediram para que o presidente republicano faça o mesmo.

A declaração de Biden mostrou que ele e sua esposa, Jill, pagaram mais de US$ 346 mil (R$ 1,9 milhão, na cotação atual) em impostos federais e outros pagamentos referentes a 2019, em cima de uma renda de quase US$ 985 mil (ou R$ 5,5 milhões), antes de buscarem um reembolso de US$ 47 mil (R$ 262,7 mil) que eles afirmaram ter pago a mais para o governo.

Como foi o debate

Em meio a um debate tumultuado, os candidatos discutiram suas propostas durante uma hora e meia de encontro mediado pelo jornalista Chris Wallace, da rede de TV americana Fox News.

A organização do debate definiu seis tópicos para o encontro:

  • Os históricos de Trump e Biden
  • A Suprema Corte
  • Covid-19
  • A economia
  • Raça e violência em nossas cidades
  • A integridade da eleição

Pelas regras, a discussão de cada tópico teve duração de cerca de 15 minutos. Em cada tema, o moderador fez uma pergunta inicial e cada candidato teve dois minutos para responder.

Biden na ponta

A eleição americana está marcada para o dia 3 de novembro. As pesquisas de intenção de voto têm apontado liderança de Biden na disputa.

De acordo com o levantamento, realizado pelo jornal Wall Street Journal e a rede de TV NBC News, na semana passada, cerca de 51% dos eleitores registrados no país votariam em Biden se a eleição fosse hoje, ante 43% que apoiariam Trump.

A vantagem de oito pontos percentuais de Biden em relação a Trump foi semelhante à da pesquisa feita em agosto, de 9 pontos percentuais. Em julho, a diferença entre os dois candidatos era de 11 pontos.

Biden vem liderando as pesquisas de intenção de voto por seis pontos ou mais ao longo de todo o ano.

Trump x Biden

Ex-apresentador de reality shows, como "O Aprendiz", da NBC, Donald Trump, de 74 anos, tenta se reeleger à presidência dos Estados Unidos em meio a polêmicas.

Em quatro anos de mandato, Trump endureceu as medidas para elevar as deportações de imigrantes ilegais; revogou as leis da era Obama para o combate ao aquecimento global; aumentou a escalada de tensões com China, Coreia do Norte e México; foi duramente criticado em sua reação à pandemia do coronavírus.

Trump ainda abriu guerra declarada com a imprensa americana, acusando jornais, canais de TV e sites de "Fake News" sobre seu governo.

Candidato oficial dos democratas, Joe Biden se apresentou ao eleitor americano como uma alternativa para a união o que, segundo ele, permitirá que os Estados Unidos deixem o caos para trás. "Serei um aliado da luz e não das trevas", afirmou o ex-vice-presidente de Barack Obama.

Ao longo da campanha, Biden não tem poupado Donald Trump de críticas. O democrata indicou que colocará o país de volta nos trilhos, investirá na ciência para lutar contra a pandemia e respeitará as regras de diplomacia.

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