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Trump tem alta hospitalar e seguirá tratamento contra covid na Casa Branca

Do UOL, em São Paulo

05/10/2020 19h39Atualizada em 05/10/2020 21h55

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, deixou hoje o Centro Médico Nacional Militar Walter Reed, em Maryland, após receber alta hospitalar. Diagnosticado com covid-19, ele estava internado desde sexta-feira (3) e agora seguirá com o tratamento na Casa Branca.

Já em sua residência oficial, Trump posou para os fotógrafos e tirou a máscara. Horas antes, em coletiva de imprensa, o médico oficial da Casa Branca, Sean Conley, declarou que o presidente não está completamente fora de riscos.

"Ele não está totalmente fora de perigo, mas todos nós concordamos que seu estado clínico permite um retorno para casa seguro, onde terá apoio médico 24 horas por dia", afirmou ele, acrescentando que o retorno à Casa Branca ocorre porque será possível dar continuidade ao tratamento lá.

Por volta das 21h, Trump postou um vídeo no Twitter, em que disse novamente para as pessoas não terem medo do coronavírus.

"Aprendi muita coisa sobre o coronavírus. Não deixe ele te dominar, não tenha medo dele. Temos os melhores equipamentos hospitalares, a melhor medicina", disse. Mais cedo, o republicano já havia dito a mesma frase na rede social.

Dois dias atrás eu já me sentia muito bem. Eu sei que existe um risco, um perigo, mas não deixe isso te dominar. A vacina virá em breve

Trump também afirmou, no vídeo, que as pessoas devem sair às ruas e retomar a rotina de trabalho.

"Nós temos o melhor país do mundo. Vamos voltar, vamos voltar ao trabalho", continuou ele. "Agora estou bem, talvez esteja imune, não sei. Mas não deixe isso dominar sua vida. Saia por aí, seja cuidadoso", declarou.

Repórter questiona presidente em saída hospitalar

A área em torno do hospital militar foi completamente isolada. Por volta de 19h55, o helicóptero chegou à Casa Branca. A distância entre a unidade de saúde e a sede do governo é de cerca de 14 km.

Enquanto Trump descia as escadas do hospital militar, um jornalista que o aguardava na porta questionou: "Quantas pessoas da sua equipe estão doentes?".

O presidente não respondeu, apenas disse "obrigado". Na sequência, o repórter fez uma nova pergunta: "Você se considera um super espalhador [da covid-19], presidente?". Novamente, Trump não deu retorno, limitando-se a acenar antes de entrar no carro.

Mais cedo, Trump havia anunciado que deixaria o local ainda hoje e que se sentia bem.

Os médicos que tratam o presidente norte-americano fugiram a questionamentos se o republicano utilizou hidroxicloroquina no tratamento para o novo coronavírus — o chefe do Executivo dos EUA é um dos defensores da medicação, que não tem eficácia contra a covid-19 cientificamente comprovada.

A internação

Trump anunciou na sexta-feira (2) que apresentou resultado positivo para o novo coronavírus. Inicialmente, teve sintomas leves e cumpriu isolamento na Casa Branca. No entanto, ao manifestar febre, cansaço e falta de ar, foi levado ao hospital militar — onde a presidência do país costuma se tratar — e submetido a oxigênio suplementar em alguns períodos. Conley admitiu, domingo, que o estado de Trump esteve pior do que divulgado a princípio.

Além do presidente, também foram diagnosticadas com covid-19 a primeira-dama Melania Trump e a secretária de imprensa da Casa Branca, Kayleigh McEnany. Ambas apresentam quadro leve da doença.

Trump tentou sinalizar a apoiadores que estava se sentindo bem, divulgando vídeos em redes sociais ao longo do fim de semana e mesmo dando uma volta de carro ontem à tarde para acenar às pessoas na rua. Sentado no banco de trás, circulou rapidamente e logo voltou ao hospital.

Durante a internação, o presidente despachou de um escritório montado dentro da unidade de saúde. O vice-presidente, Mike Pence, deve substituí-lo em eventos pontuais que demandam participação presencial.

Campanha presidencial

trump_biden - Reprodução/Youtube-Fox News - Reprodução/Youtube-Fox News
Primeiro debate entre Trump e Biden ocorreu na terça (29)
Imagem: Reprodução/Youtube-Fox News

Trump está em campanha para se reeleger presidente dos EUA, mas cancelou agendas, incluindo viagens a estados como Wisconsin e Arizona, em função do quadro de covid-19. Alguns de seus assessores afirmaram que outros eventos podem ser realizados ou feitos de forma virtual, dependendo de como for a recuperação do presidente.

Adversário de Trump, o democrata Joe Biden apresentou resultado negativo para o novo coronavírus e desejou recuperação ao rival. Ele tem viajado normalmente, mas tem optado, desde o começo da campanha, por fazer boa parte dos eventos de forma virtual.

Uma pesquisa Reuters/Ipsos divulgada ontem mostrou Trump dez pontos percentuais atrás de Biden na intenção de votos. Cerca de 65% dos norte-americanos disseram que Trump não teria sido infectado se tivesse levado o vírus mais a sério.

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