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Em 3º lockdown, Israel diz que já vacinou 72% dos idosos e 20% da população

Trabalhadora israelense da área médica mostra seu certificado de vacinação contra covid após tomar a segunda dose do imunizante da Pfizer - Jack GuezG/AFP
Trabalhadora israelense da área médica mostra seu certificado de vacinação contra covid após tomar a segunda dose do imunizante da Pfizer Imagem: Jack GuezG/AFP

Kelli Kadanus

Colaboração para o UOL, em Brasília

14/01/2021 13h55Atualizada em 14/01/2021 13h57

Com uma campanha ambiciosa de vacinação paralela ao terceiro lockdown no país, Israel afirma já ter vacinado contra a covid-19 72% dos idosos e mais de 20% da população total.

O diretor do departamento de relações internacionais do Ministério da Saúde, Asher Salmon, disse hoje em uma coletiva de imprensa que o país já se prepara para reabrir lentamente as atividades nas próximas semanas, mas ressaltou que a reabertura ainda não será total por enquanto.

A população de Israel é de pouco mais de 9 milhões de pessoas — o equivalente ao total de habitantes do estado do Ceará. O país registra atualmente 523,8 mil casos de infecção por coronavírus e 3.846 mortes mortes, segundo levantamento da Universidade Johns Hopkins. O terceiro lockdown no país começou em 27 de dezembro.

Israel trabalha com a administração de duas vacinas: a da farmacêutica Pfizer e a da Moderna. No domingo (10), o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu recebeu a segunda dose da vacina da Pfizer. Ele foi o primeiro líder mundial a se vacinar, ao tomar a primeira dose do imunizante no dia 19 de dezembro.

Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu recebe segunda dose da vacina da Pfizer - Miriam Alster/JINI via Xinhua - Miriam Alster/JINI via Xinhua
Primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu recebe segunda dose da vacina da Pfizer
Imagem: Miriam Alster/JINI via Xinhua

Hoje, Salmon rebateu as críticas de que Israel teria pago mais caro do que o preço de mercado pelas vacinas. "O preço da vacina é baixo em comparação com o custo de um lockdown", disse.

Planejamento e abordagem direta aumentam adesão à vacina

Salmon destacou alguns fatores que contribuíram para o que consideram um êxito da vacinação em Israel. Para ele, o envolvimento de várias esferas do governo, como Saúde, Defesa e polícias é um dos motivos de uma campanha bem-sucedida até aqui.

O diretor também destacou a importância de um bom planejamento, com habilidade para flexibilizações, quando necessário. O país tem um centro para receber as vacinas e mantê-las na temperatura ideal, que são de -70 graus. Esse centro é responsável por coordenar a logística de distribuição para o restante do país. As vacinas são aplicadas em hospitais e clínicas e locais como shoppings, estádios e até em drive-ins.

Uma vez que as vacinas deixam o centro de distribuição, elas devem ser aplicadas em até cinco dias para não perderem a eficácia. Idosos israelenses e adultos com problemas médicos ou empregos em setores críticos de alto risco recebem prioridade na aplicação, mas, caso as vacinas estejam prestes a perder a validade, são liberadas para pessoas fora desse grupo.

O país tomou a decisão de garantir que a segunda dose da vacina esteja disponível em três semanas para quem receber a primeira aplicação. A estratégia tem sido variada em outros países, que têm preferido imunizar o máximo de pessoas com a primeira dose antes de começar a aplicar a segunda.

Outro diferencial do país é a abordagem aos pacientes que devem se vacinar. Cada israelense deve estar afiliado a um dos quatro convênios médicos disponíveis no país. Esses convênios entram em contato diretamente com eles para sugerir a aplicação da vacina.

Segundo Salmon, a estratégia cria um "senso de confiança" em torno dos imunizantes e garantem maior comparecimento da população, que já está habituada ao contato com esses convênios no dia a dia.

Campanha de vacinação clara e com foco no público-alvo

Outro ponto destacado por Salmon, Israel investiu em uma campanha pesada de vacinação para conscientizar a população a receber as doses dos imunizantes. Cada campanha tem uma abordagem diferente para o público-alvo: jovens, idosos, judeus ultraortodoxos, entre outros grupos.

O importante, segundo diretor do Ministério da Saúde, é que as campanhas são "honestas e transparentes, muito claras sobre a eficácia e também sobre as vantagens de ser vacinado".

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