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Polícia russa detém 1500 manifestantes em protesto contra prisão de Navalny

23.jan.2021 - Manifestante é detido pela polícia durante protesto em Moscou contra a prisão do opositor do governo Putin, Alexei Navalny - Maxim Shemetov/Reuters
23.jan.2021 - Manifestante é detido pela polícia durante protesto em Moscou contra a prisão do opositor do governo Putin, Alexei Navalny Imagem: Maxim Shemetov/Reuters

Do UOL, em São Paulo

23/01/2021 08h02Atualizada em 23/01/2021 13h49

Manifestantes foram às ruas de várias cidades na Rússia hoje protestar contra a prisão de Alexei Navalny, um dos principais opositores do presidente russo Vladimir Putin, e enfrentaram uma forte repressão policial. Pelo menos 1500 pessoas foram detidas.

A polícia efetuou dezenas de detenções, enquanto divulgava, repetidamente, uma mensagem instando os participantes a "abandonar essa concentração ilegal". Até as 7h de Brasília, cerca de 330 pessoas foram presas em várias cidades, segundo a ONG OVD-Info, especializada em relatar prisões em manifestações.

O grupo de monitoramento de protesto OVD-Info informou que pelo menos 1.614 pessoas, incluindo 513 em Moscou e 212 em São Petersburgo, foram detidas em toda a Rússia, relatando prisões em protestos em 70 cidades. Inicialmente, os protestos eram esperados em 90 cidades.

Bolas de neve lançadas por alguns manifestantes contra a polícia em Moscou foram respondidas com golpes. Outros cidadãos protestaram em silêncio, com faixas que diziam "Não tenho medo", ou "Não à ditadura". "A Rússia será livre" gritava a multidão, reunida na praça Pushkin do centro da capital.

No centro de Moscou, onde repórteres da Reuters estimam que pelo menos 40.000 pessoas se reuniram em um dos maiores atos não autorizados em anos, a polícia foi vista detendo pessoas e amontoando-as em vans próximas.

As autoridades disseram que apenas cerca de 4.000 pessoas compareceram. O Ministério das Relações Exteriores questionou a estimativa da Reuters, usando sarcasmo para sugerir que era muito alta. "Por que não dizer imediatamente 4 milhões?", afirmou em seu canal oficial de mensagens, o Telegram.

"Eu teria vergonha de ficar em casa. Preciso falar, preciso expressar meu ponto de vista", afirmou Galina Fedoseva, de 50 anos, em São Petersburgo. "As pessoas estão cansadas de [Vladimir] Putin. É hora de abrir espaço para os outros (...) Não quero viver em uma ditadura", comentou Alexei Skvortsov, de 20 anos.

As detenções foram particularmente brutais em Vladivostok, um porto russo do Oceano Pacífico, onde policiais agrediram manifestantes com cassetetes. Em Yakuts, ao sul do Círculo Polar Ártico, 100 manifestantes enfrentaram uma temperatura de -50°C para participar dos atos.

Ontem, a polícia de Moscou havia advertido que "reprimirá" qualquer protesto não autorizado que considere uma "ameaça à ordem pública".

Navalny está preso desde que retornou ao país após cinco meses na Alemanha, onde ficou internado após ser envenenado. Ele acusa o governo russo de tentar matá-lo.

Autoridades russas haviam advertido sobre a prisão assim que ele voltasse ao país. Ele é acusado pelo Serviço Penitenciário Federal da Rússia de não ter cumprido as condições de uma pena suspensa de prisão de 3,5 anos proferida contra ele em 2014 e declarada ilegal pelo Tribunal Europeu dos Direitos do Homem, pelo que pede à Justiça que execute a pena.

apoiadores do opositor russo - Maxim Shemetov/Reuters - Maxim Shemetov/Reuters
23.jan.2021 - Apoiadores do opositor do governo russo, Alexei Navalny, se concentram em praça de Mostou, para protestar contra a sua prisão
Imagem: Maxim Shemetov/Reuters

Ontem, a Justiça da Rússia também decretou a prisão por nove dias de Kira Yarmysh, porta-voz de Navalny, por promover os protestos convocados para hoje. Apesar da condenação, a porta-voz insistiu em seus apelos aos seguidores de Navalny para que se mobilizem em todo o país.

Os protestos acontecem alguns meses antes das eleições legislativas marcadas para o outono boreal (primavera no Brasil), em um contexto de queda da popularidade do partido da situação, o Rússia Unida.

*Com informações da AFP e Reuters

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