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Um pai, 150 filhos e 27 mães: como é a vida em uma comunidade poligâmica?

Merlin Blackmore, de 21 anos, disse que tem medo de ser perseguido por detalhar dia a dia da comunidade - Reprodução/TikTok
Merlin Blackmore, de 21 anos, disse que tem medo de ser perseguido por detalhar dia a dia da comunidade Imagem: Reprodução/TikTok

Colaboração para o UOL, em São Paulo

25/01/2021 12h19

150 irmãos, 27 mães e apenas um pai: esses são os membros que formam uma família praticante da religião cristã que prega a poligamia e vive na Colúmbia Britânica (Canadá).

A igreja Fundamentalista de Jesus Cristo dos Santos dos Últimos Dias, oriunda da religião de mesmo nome, se dividiu em 2002, quando metade dos fiéis seguiram o Warren Jeffs (condenado à prisão perpétua nos EUA por agressão sexual a crianças) e outra parte seguiu Winston Blackmore, de 64 anos e pai de 150 filhos e condenado a cumprir seis meses de prisão domiciliar em 2017 por poligamia.

Um dos filhos do líder religioso, Merlin Blackmore, de 19 anos, vem detalhando o dia a dia da família, dizendo como são os aniversários, a relação com a mãe, com os irmãos e a educação.

Merlin pôde falar pelo TikTok apenas depois de se distanciar de sua comunidade por conta do medo de expor situações e ser perseguido.

"Eu queria falar sobre isso, mas tive que sair porque temia que alguém aparecesse na minha porta e fizesse algo comigo apenas por falar sobre como fui criado quando criança. Há anos quero falar sobre isso. Agora estou em uma posição que posso, o mundo vai saber", iniciou a conversa aos seus mais de 300 mil seguidores.

O jovem responde as dúvidas mais frequentes dos seguidores, explicando, por exemplo, se as festas de aniversários tinham centenas de convidados. "Não era como se 150 pessoas aparecessem na festa de aniversário de todos. Era mais como seus amigos mais próximos e as crianças mais próximas de você em idade", contou.

Mas havia uma exceção: quando mais de duas pessoas faziam aniversário no mesmo dia. Merlin tem mais dois irmãos de mães diferentes que nasceram o mesmo dia que ele.

"Às vezes, se houvesse um monte de aniversários juntos, nós os celebraríamos como uma grande festa de aniversário, mas isso não acontecia com muita frequência", revelou.

A relação entre irmãos

Ao contrário do que muitos seguidores dos Blackmore pensavam, não havia disputa por atenção dos pais — pelo menos segundo Merlin, que expôs uma relação saudável com seus irmãos.

Warren, de 21 anos, também usou o TikTok para contar o inusitado: "Isso é muito louco, mas meu pai teve 27 esposas em um determinado momento. Havia seis grupos diferentes de irmãs", começou.

É comum em famílias com muitos filhos que irmãos mais velhos cuidem dos mais novos, assumindo às vezes um papel materno ou paterno. Na comunidade liderada por Winston não é diferente.

"Eu e Merlin somos irmãos e realmente melhores amigos. E então Murray, nós crescemos exatamente na mesma casa e fazíamos tudo juntos, nossas mães são irmãs", contou Warren.

"Em vez de nos odiarmos como muitos irmãos, nós construímos um ao outro e deixamos um ao outro saber que também poderíamos fazer o que quiséssemos", acrescentou o jovem de 21.

O pai dava atenção?

Com 150 filhos e 27 esposas, é imaginável que Winston não conseguia dedicar um tempo especial a cada um dos herdeiros. O lado materno, porém, dava mais atenção às crianças.

"Minha mãe definitivamente desempenhou um grande papel na minha vida, ela pode não ter estado por perto o tempo todo, mas ela me ajudou com tantas coisas quanto podia" - disse Merlin, que tem um irmão mais velho de 42 anos e o mais novo de um ano - "Meu pai nunca esteve realmente lá para mim", completou.

Irmãos eram todos da mesma classe e pai era o professor

A comunidade religiosa vive como uma tribo, segundo os irmãos Blackmore. Eles basicamente se alimentam do que plantam e estudam em uma escola da própria comunidade, onde o pai também é o professor.

"Eu tinha cinco irmãos, quatro irmãs, sete primos e dois sobrinhos na minha classe. Fui para a escola com meus sobrinhos, tínhamos a mesma idade", disse Warren.

"Sempre me perguntei como seria ir para uma escola pública e sempre quis ir ao longo de todos os meus anos de colégio, mas não tive permissão para isso porque eram considerados 'ruins'", disse o outro irmão.

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