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Líder da oposição fala em acordo com Maduro para tirar Venezuela da crise

O líder opositor venezuelano Freddy Guevara - Reprodução/Twitter @ProCiudadanos
O líder opositor venezuelano Freddy Guevara Imagem: Reprodução/Twitter @ProCiudadanos

Colaboração para o UOL

13/09/2021 08h08Atualizada em 13/09/2021 11h20

O líder opositor venezuelano Freddy Guevara disse estar disposto a negociar com o presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, para tirar o país da crise. Ele acredita que a negociação pode dar certo, já que nem oposição nem governo "conseguiram o que queriam sozinhos".

"Estamos dispostos a ceder em nome de uma solução para a Venezuela", disse, em entrevista ao jornal O Globo. A afirmação se deu após ser questionado sobre o temor em relação à perda de reconhecimento internacional de Juan Guaidó como presidente interino.

Guevara defendeu que o colega "é presidente por razões políticas e jurídicas", mas garantiu que o próprio político "disse que poderia sair, se for parte de uma solução", para não ser um "obstáculo" nas negociações. Ele garantiu que Guaidó não deixará o posto "em troca de migalhas".

O líder opositor saiu de uma prisão do Serviço Bolivariano de Inteligência (Sebin) após quase um mês e meio detido e, imediatamente, aumentou sua equipe de negociadores para uma reunião com representantes do governo de Maduro. O encontro aconteceu no México, com mediação da Noruega.

Apesar do movimento para um acordo e de ter anunciado que irá participar das eleições regionais de 21 de novembro, Guevara negou que isso signifique o reconhecimento de Maduro como presidente. Segundo ele, esse é um posicionamento antigo, por ser "a única solução para a crise"

"Por que agora e por que negociar com uma ditadura? Primeiro, não negociamos com quem queremos e sim com quem está na nossa frente", explicou.

Para Guevara, apesar de não terem alcançado o maior objetivo, que é "a saída de Nicolás Maduro e a volta da democracia", a estratégia da oposição "conseguiu avanços". Além disso, ele justificou que a participação no pleito acontecerá para aproveitar o cenário como "espaço de luta e mobilização", apesar de acreditar que o resultado final será "favorável à ditadura".

"Sobre a eleição presidencial, nossa expectativa é de resolver antes [de 2024]. O que vai acontecer? Dependerá da força política que tenhamos, e do respaldo internacional", ponderou.

O líder opositor também reconheceu que pode levar tempo para chegarem a uma solução e citou exemplos de Cuba e Coreia do Norte para dizer que "ditaduras se mantêm". Por isso, na visão dele, é importante apoio nacional e internacional no processo de negociação com Maduro. Nesse, sentido, citou o Brasil como um forte aliado da oposição, junto a Estados Unidos, Colômbia, Canadá, França, Inglaterra e Alemanha.

Sobre o período em que passou preso, Guevara disse que viu a luz do sol apenas três vezes e que saiu da detenção com uma arritmia que, segundo os seus médicos, apareceu "pelo estresse de ambas as situações" - já que ele foi detido após ter covid-19. De acordo com o opositor, ele correu o risco, inclusive, de morte súbita, mas agora está em tratamento.

"O isolamento é terrível, causa muito dano. Não sofri torturas físicas, embora tenha sofrido maus-tratos no momento da detenção. Eu sabia dos riscos que corria, mas avaliei que uma eventual prisão mostraria o que estava acontecendo na Venezuela", disse. Para Guevara, ele foi liberado "porque o regime entendeu que não podia iniciar um processo de diálogo com um dos principais líderes opositores preso".

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