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15 dias

Nome de Hitler ao contrário e matricídio: quem é o homem que miou em corte

Nicolás Gil Pereg, de 40 anos, é conhecido como "Homem Gato" - Reprodução/Instagram @radiofmpositiva
Nicolás Gil Pereg, de 40 anos, é conhecido como 'Homem Gato' Imagem: Reprodução/Instagram @radiofmpositiva

Do UOL, em São Paulo

28/10/2021 11h29Atualizada em 29/10/2021 08h58

O israelense Nicolás Gil Pereg, de 40 anos, protagonizou uma cena inusitada durante o próprio julgamento nesta semana em Mendoza, na Argentina. Acusado de matar a própria mãe, de 63 anos, e uma tia, de 54, em 2019, ele não parou de miar na corte e teve de ser expulso da sala. Mas este não foi o primeiro incidente que chamou atenção a Pereg, conhecido por já ter usado o nome de Adolf Hitler ao contrário como apelido e por criar confusão com sua vizinhança.

Apelidado de "Homem Gato", o caso de Gil Pereg comoveu a província de Mendoza em 2019. Phyria Saroussy, a mãe, e Lily Pereg, a tia, foram dadas como desaparecidas em 12 de janeiro e encontradas mortas 14 dias depois, em um imóvel de Pereg, no distrito de Guaymallén. Ele foi apontado pelas autoridades locais como o único suspeito do crime.

Gilad Saroussy Pereg nasceu em Israel e assumiu a nova identidade quando se mudou para Guaymallén. Ele havia chegado a Mendoza em 2007, conforme reportou o Clarín na época do crime. Inicialmente, ele havia se estabelecido no departamento de San Martín, onde dirigia um pequeno restaurante.

Pereg negava a nacionalidade e se apresentava com o nome de Floda Reltih - Adolf Hitler escrito ao contrário.

Ele é ex-militar e engenheiro eletrônico e recebeu a visita da mãe e da tia no país sul-americano em janeiro de 2019. Antes da polícia descobrir os corpos das vítimas, Pereg denunciou o desaparecimento das mulheres para as autoridades locais e o caso começou a ser investigado ainda naquele mês.

Ele afirmava que as havia visto pela última vez no dia 12, quando deixaram sua casa em Guaymallén de ônibus e que elas iriam para um apartamento alugado na capital Mendoza.

Brigas com vizinhos

Pereg mantinha uma relação conflituosa com seus vizinhos e os acusava do desaparecimento de mulheres e de roubo de propriedade. Ele foi descrito pelo jornal argentino Clarín como um "eremita" por seu comportamento solitário, violento e temperamental. Além disso, relatos de testemunhas afirmavam que ele também era "um mentiroso compulsivo, com uma inteligência acima da média".

Sua casa era próxima a um cemitério e não tinha muitos móveis. Na época, os agentes da operação encontraram algumas armas, uma boa quantia de dinheiro e vários animais, alguns mortos e outros dissecados.

Sua mãe trabalhava para uma agência de cobrança em Israel e costumava enviar-lhe dinheiro. Já a tia era professora em uma universidade na Austrália.

As buscas pelas duas mulheres israelenses começaram em vários locais da região e foram levantadas as suspeitas de que elas teriam ido ao Chile, país vizinho.

As investigações avançaram e a casa de Pereg foi revistada pelo menos três vezes pelas autoridades. Em uma delas, cães farejadores encontraram manchas de sangue na camisa do israelense. Mais tarde, os corpos das vítimas foram encontrados mutilados e cobertas por terra com pedras.

Os laudos periciais determinaram que a tia do réu foi baleada três vezes e a mãe, espancada em diferentes áreas do corpo até a morte. Gil Pereg foi encaminhado para a prisão de San Felipe no final de janeiro de 2019. Semanas antes do início da pandemia, no ano passado, ele foi transferido para a enfermaria do hospital psiquiátrico público El Sauce, onde reside atualmente. Ainda não se sabe o que motivou o crime.

Durante o tempo que esteve detido, apenas três pessoas o visitaram: um advogado que fazia parte de uma das empresas que criou, um membro do Tribunal de Ética do Colégio de Arquitetos que o ajudou por conta de um golpe e uma mulher, com quem compartilhava o amor por gatos. Segundo o Clarín, ela é a pessoa que mais o visitou.

Agora, o júri deve determinar se Gil Pereg é culpado ou inocente e se é imputável ou inimputável. Ele pode receber uma sentença de até 50 anos. Segundo a imprensa local, o episódio do miado deve ser aproveitado pela defesa do réu, que já anunciou que alegará no júri popular que ele sofre de graves transtornos mentais.

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