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Guerra da Rússia-Ucrânia

Notícias do conflito entre Rússia e Ucrânia


Conteúdo publicado há
5 meses

Jornais suspendem cobertura de invasão na Ucrânia após censura da Rússia

Do UOL, em São Paulo

04/03/2022 17h59Atualizada em 04/03/2022 20h06

O jornal russo independente Novaya Gazeta anunciou hoje que está retirando as notícias sobre a guerra na Ucrânia, devido a ameaças e censura do governo do país. Outros sites e portais de notícias também suspenderam a cobertura do conflito. Essas decisões acontecem após o presidente da Rússia, Vladimir Putin, introduzir oficialmente a censura de Estado e ordenar o fechamento de mídias independentes.

"Caros amigos!! A censura militar na Rússia mudou para a ameaça de processo criminal contra jornalistas e cidadãos que divulgam informações sobre hostilidades que diferem dos comunicados de imprensa do Ministério da Defesa. Portanto, removemos materiais sobre este tópico.", explica a Novaya Gazeta.

O Novaya Gazeta tem grande alcance e importância no país. No ano passado, o editor-chefe, Dimitri Muratov, recebeu o Prêmio Nobel da Paz. Esse foi um reconhecimento pela luta pela liberdade de expressão em seu país. Além dele, a jornalista filipina Maria Ressa também recebeu a premiação.

Outros veículos de imprensa suspendem cobertura da guerra

O portal It's My City decidiu remover todos os materiais sobre operações militares na Ucrânia por causa da nova lei sobre "notícias falsas". Em um comunicado, os editores disseram que "na situação atual" não podem "colocar os jornalistas em risco".

"Nós, como jornalistas, tentamos ser honestos, chamar os bois pelos nomes e trabalhar em uma realidade midiática que não tinha censura militar. Mas tempos sombrios estão chegando", diz o texto publicado hoje.

O portal The Bell, também anunciou pelo Facebook a interrupção total da cobertura do conflito armado no país vizinho. A publicação, assinada pelos editores, diz que desde o início se dedicaram a um noticiário "com muita cautela", ressaltando que o foco do veículo são notícias de economia e negócios.

"Os riscos pessoais para os jornalistas atingiram um novo nível. A esse respeito, decidimos parar completamente a cobertura da 'operação militar especial'", disseram, explicando que vão seguir "lançando luz sobre as consequências do que está acontecendo".

Já a BBC decidiu retirar os jornalistas da Rússia. A agência Bloomberg News anunciou a suspensão do trabalho dos jornalistas no país, assim como os sites da Deutsche Welle, e Radio Liberty pararam de funcionar parcial ou completamente no país.

A emissora americana CNN anunciou a suspensão da transmissão de seus programas na Rússia enquanto "continua avaliando a situação". O canal de televisão russo independente TV Rain e a Echo of Moscow, uma famosa estação de rádio, também interromperam a transmissão.

A agência de notícias Tomsk, da TV2, parou de funcionar após ser bloqueado devido a notícias sobre a Ucrânia. Em um comunicado no Facebook, o editor-chefe Viktor Muchnik disse entender o bloqueio.

Além de serem obrigados a chamar o conflito de "operação militar especial", as mídias informaram que receberam avisos para pararem de espalhar o que o governo chama de "informações falsas", incluindo falar em "ataque, invasão ou declaração de guerra".

Ontem, o site independente Meduza, um dos últimos veículos de comunicação sem interferência estatal, fez um editorial chamado "Vocês não podem nos calar". O portal dizia esperar que a censura caia sobre eles "em pouquíssimo tempo": "a destruição da mídia independente é uma das coisas que tornou possível a guerra na Ucrânia", diz um trecho do texto.

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Rússia suspende acesso a Facebook e Twitter

Além dos sites da imprensa, o governo russo também bloqueou o acesso ao Facebook em todo o país. Segundo o governo, essas restrições são proibidas por lei federal.

"Essa medida é adotada, entre outras coisas, para evitar violações dos princípios-chaves do livre fluxo de informações e do acesso irrestrito dos usuários russos à mídia russa em plataformas estrangeiras da internet", informou o Kremlin.

O Facebook lamentou o bloqueio da rede social pela Rússia. Para eles, a medida privaria milhões de pessoas de informações confiáveis e de um fórum para trocar opiniões.

"Milhões de russos comuns em breve serão privados de informações confiáveis... e silenciados de falar", disse Nick Clegg, vice-presidente de assuntos globais da Meta, controladora do Facebook.

Depois, o Twitter também passou a ser suspenso no país. A rede de televisão estatal russa RT noticiou que o Serviço Federal Russo de Supervisão de Telecomunicações, Tecnologias da Informação e Mídia confirmou que começou a restringir o acesso à plataforma.

"A Procuradoria-Geral da Rússia tomou a decisão de bloquear o Twitter em 24 de fevereiro. A rede social está bloqueada com base no artigo 15.3 da Lei Federal de Informação, Tecnologia da Informação e Proteção da Informação, que autoriza a restrição de acesso a páginas da web onde 'convide distúrbios em massa, atividades extremistas ou participação em eventos de massa (públicos) que sejam realizado em violação do procedimento estabelecido'", diz a mensagem exibida ao tentar acessar o site.

Putin sanciona lei que prevê 15 anos de prisão por divulgação de "informações falsas"

O presidente da Rússia, Vladimir Putin, sancionou hoje uma lei que prevê até 15 anos de prisão para quem intencionalmente espalhar "informações falsas" sobre as Forças Armadas da Rússia. A lei foi aprovada mais cedo pelo Parlamento russo.

Além disso, o presidente russo também assinou uma lei que indica a responsabilização criminal das pessoas que "pedirem sanções contra a Rússia". A informação é da agência de notícias Tass.

Spotify fecha escritório na Rússia e limita acesso da mídia estatal

Na quarta-feira (2), o Spotify, gigante do streaming de música, anunciou o fechamento de seu escritório na Rússia e limitações de acesso ao conteúdo publicado pela mídia estatal do país.

"Fechamos nosso escritório na Rússia até segunda ordem", diz o comunicado da empresa, que tem sede em Estocolmo, mas com capital aberto na Bolsa de Nova York.

A empresa indicou que analisou "milhares de episódios de podcast desde o início da guerra" e que limitou a capacidade dos usuários de encontrar programas produzidos por meios vinculados ao Estado russo.

A plataforma, no entanto, mantém seu serviço aberto para os usuários russos. "Acreditamos ser da maior importância que nosso serviço esteja disponível na Rússia para permitir um fluxo global de informação", indicou.

* Com informações da AFP, Reuters e EFE