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Feriado de 9 de maio: por que a data importa tanto para a Rússia?

9.mai.2022 - Forças Armadas da Rússia exibiram seu poderio durante o desfile do Dia da Vitória, na Praça Vermelha, em Moscou - Maxim Shemetov/Reuters
9.mai.2022 - Forças Armadas da Rússia exibiram seu poderio durante o desfile do Dia da Vitória, na Praça Vermelha, em Moscou Imagem: Maxim Shemetov/Reuters

Gabriel Dias

Colaboração para o UOL

09/05/2022 10h57

A data de 9 de maio tem grande simbolismo para o país: é o Dia da Vitória na Rússia, que marca a derrota dos nazistas na Segunda Guerra Mundial, em 1945.

Todos os anos a Rússia celebra a data com grandes paradas militares nas principais cidades, num movimento patriótico dedicado aos quase 20 milhões de soviéticos mortos durante o conflito. Este ano, a festa assume um simbolismo particular e menos tanques e equipamentos militares participaram do evento.

Putin prometeu mais de 10 mil soldados, 62 aviões de combate e 15 helicópteros de guerra, mas durante a cerimônia os aviões ficaram de fora, inclusive o aguardado "avião do Juízo Final".

Vários analistas acreditavam que o presidente usaria a ocasião para reforçar a sua narrativa de líder que foi obrigado a se envolver numa guerra para proteger os interesses da população de língua russa e usar a data para propagandear uma conquista militar na Ucrânia. Isso de fato aconteceu, mas não houve mudança no tom ou qualquer declaração de guerra oficial.

Até agora, Putin caracterizou a invasão da Ucrânia como uma "operação militar especial", uma suposta campanha de "desnazificação" na Ucrânia, não uma guerra.

Esse discurso se apoia justamente na política dele de glorificar o passado soviético e estimular a imagem mítica de uma potência russa que continuaria em sua batalha fatal contra o nazismo.

Para as autoridades ocidentais, a estratégia da Rússia de declarar guerra no dia 9 permitiria a mobilização total de forças de reserva num momento em que os esforços de controlar regiões ucranianas continuam falhando.

Diferentes datas

O dia da vitória é lembrado de forma diferente na Europa.

O "cessar-fogo" das tropas aliadas, que marcou a derrocada do exército nazista, foi previsto para a noite de 8 de maio de 1945, após a assinatura de um documento crucial para o fim da guerra no front ocidental: a capitulação da Alemanha sob custódia do general dos Estados Unidos Walter Bell-Smith.

Esse era o fim da Segunda Guerra Mundial na Europa, cinco anos e meio após seu início.

Mas os conflitos seguiram acontecendo no Oriente, contra o Império Japonês, liderado pelo monarca Hiroito e integrante das "Potências do Eixo", junto à Alemanha e à Itália. O país só se rendeu em setembro daquele ano.

Os aliados haviam acordado que o dia 9 de maio seria dia de comemoração, mas os jornalistas ocidentais lançaram a notícia da rendição alemã mais cedo que o previsto. A União Soviética manteve a data combinada para marcar o fim da Grande Guerra Patriótica, como é chamada na Rússia, e outras regiões da antiga URSS.

O conflito devastou várias regiões da União Soviética, causou um grande sofrimento e deixou uma profunda cicatriz na psique nacional.

Patriotismo reforçado

Segundo o instituto de pesquisas Vtsiom, este é o principal feriado nacional para 69% dos russos.

Putin sempre colocou o feriado no centro de sua política, exaltando o sacrifício dos soviéticos e regularmente acusando seus adversários ocidentais de "revisionismo" histórico anti-russo, por tentar minimizar o papel da União Soviética na derrota nazista.

A celebração tem sido usada por políticos e pelo Kremlin para encorajar o orgulho patriótico e sublinhar o papel da Rússia como potência global.

Em anos anteriores, Putin aproveitou a data para incitar o Ocidente e mostrar o poder de fogo das tropas russas.

No discurso de 2014, ele falou: "A vontade de ferro do povo soviético, sua coragem e estoicismo salvaram a Europa da escravidão".

"Sabemos e temos firmemente a fé de sermos invencíveis quando estamos unidos", reforçou em 2020. (Com agências internacionais)

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