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Mais velha do mundo? Sul-africana de 128 anos conta segredos da longevidade

Johanna Mazibuko completou 128 anos na última semana e destacou vida na fazenda como segredo para longevidade - Reprodução/Twitter
Johanna Mazibuko completou 128 anos na última semana e destacou vida na fazenda como segredo para longevidade Imagem: Reprodução/Twitter

Do UOL, em São Paulo

16/05/2022 09h10Atualizada em 16/05/2022 11h56

A sul-africana Johanna Mazibuko comemorou 128 anos na última semana, segundo sua família, uma idade que pode a colocar como a pessoa mais velha do mundo. Seus documentos indicam que ela nasceu em 1894. Apesar de não ter reconhecimento do Guinness Book — que tem diversas exigências para incluir alguém em seu livro dos recordes —, ela é famosa em sua comunidade, em Klerksdorp, uma cidade com pouco mais de 50 mil habitantes a 171 km de Joanesburgo.

Ao longo de sua história, a veterana viveu a colonização britânica em sua terra natal, o apartheid e as duas guerras mundiais. Ela contou a veículos locais que cresceu em uma fazenda de milho, como a mais velha em uma família de 12 filhos e, ao listar "segredos" da longevidade extraordinária, destacou sua dieta com leite fresco e espinafre como base.

"Nós vivíamos tão bem nas fazendas. Não havia problemas", disse a idosa. Mesmo em meio a uma infecção de gafanhotos, que ameaçou atrapalhar a tranquilidade da família, Johanna e seus pais conseguiram achar uma saída.

"Tinham alguns que nós podíamos pegar e comer. Era como se você estivesse comendo carne. Nós fritávamos e comíamos daquele jeito mesmo, puros", revela a sul-africana, que tem documentos mais recentes, de 1986, que indicam que ela nasceu no fim do século 19, em 11 de maio de 1894. No entanto, ela não tem certidão de nascimento.

Simplicidade

Apesar de consumir "comida moderna" nos dias de hoje, a sul-africana diz que ainda sente falta da "simplicidade" que tinha na infância. Com a idade avançada, ela tem problemas de audição e não consegue mais fazer tarefas domésticas, mas mantém a independência para se movimentar sozinha pela casa em que vive.

Entre as atividades que preenchem seus dias, uma das favoritas de Johanna é sentar em frente à janela da sala e resgatar memórias de seus 128 anos.

"Eu me casei com um homem mais velho, depois que a primeira esposa dele morreu. Ele era um homem independente, tinha uma carruagem e vacas. Eu costumava tirar leite das vacas e fazer manteiga para vender", contou ela, à agência Newsflash.

"Esse homem me tratou muito bem e me fez esquecer sobre a minha vida antes dele", elogia a sul-africana, destacando que, apesar do saudosismo, viveu momentos difíceis na juventude.

Com este "homem mais velho", identificado apenas como Stawana, a idosa teve sete filhos, dois deles ainda vivos.

Depois de cuidar da própria casa e dos filhos por muitos anos, Johanna contratou uma cuidadora para ajudá-la, Thandiwe Wesinyana. Desde 2001, as duas vivem juntas e se tornaram amigas.

"Eu não consigo dormir quando não estou ao lado dela. Quando ela voltar, ela vai dizer também que não conseguia dormir. Ela diz que apenas fica sentada em frente à janela, olhando para o portão e pensando quando eu voltar", afirmou Thandiwe à agência sul-africana, ao falar sobre a relação com a idosa, em um momento em que ela saiu da sala em que acontecia a entrevista.

Apesar de ser nomeada como a mulher mais velha do mundo pela comunidade sul-africana, o possível recorde de Johanna ainda não é reconhecido pelo Livro Guinness dos Recordes.

"Eu acho que Mazibuko poderia ter entrado no Guinness há muito tempo. Todo o mundo poderia saber (sobre sua existência), mas nós sabemos que ainda não é tarde", afirmou ao News24 o profeta OJ Madikong, religioso da vila em que a idosa vive e um dos membros de uma campanha local para ajudar no reconhecimento do "título".

"Nós na África sabemos que essa pessoa existe, e estamos felizes de saber que alguém tem 128 anos, mesmo que eles tentem escondê-la", afirmou.

Recordista reconhecida pelo Guinness morreu em abril

Última mulher mais velha do mundo reconhecida pelo Guinness, a japonesa Kane Tanaka morreu em abril deste ano, aos 119 anos. O novo título ficou com a freira Lucile Randon, 118, conhecida como "Irmã André", segundo a agência de notícias francesa AFP — famosa por não recusar uma taça de vinho por dia.

A idosa tinha uma saúde relativamente boa até pouco antes de sua morte e havia sido escolhida como uma das participantes do revezamento da tocha olímpica em Tóquio, para os jogos realizados em 2021, mas desistiu por medo de adoecer em meio a ascensão da pandemia de covid-19.

Fora do Guinness, o Brasil tem algumas pessoas que poderiam superar a marca da freita francesa, como um homem conhecido como "Terror do INSS", Andrelino Vieira da Silva, morador de Aparecida de Goiânia e que tem 121 anos. Há ainda a aposentada e ex-agricultora Josefa Maria da Conceição, de Pilar, na Grande Maceió, que completou 120 anos em fevereiro, e Isabel Alves de Carvalho, de Bacabal (MA) que também diz ter 120 anos, recusa o tabaco e bebida para se manter viva e afirma ser uma das pessoas mais velhas do mundo.

Custo e documentação dificultam reconhecimento de recordes

O Guinness impõe uma série de regras para o reconhecimento de recordes em seu livro. Para se inscrever no site da organização e tentar ganhar algum título, os interessados devem enviar documentos certificados por entidades oficiais, o que dificulta o caminho de pessoas como Isabel e Josefa, já que por causa do longo tempo de vida, alguns dados podem acabar se perdendo.

Além disso, apenas para realizar a candidatura a algum recorde, os interessados devem pagar uma taxa de US$ 800 dólares, cerca de R$ 4 mil na cotação atual, caso a inscrição seja direcionada a algum título já existente, ou US$ 1 mil, R$ 5 mil, para títulos novos.

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