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Guerra da Rússia-Ucrânia

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Para não ficar 'sozinha', Suécia decide apresentar pedido de adesão à Otan

Do UOL*, em São Paulo

16/05/2022 10h40Atualizada em 16/05/2022 13h11

A Suécia solicitará sua adesão formal à Otan (Organização do Tratado do Atlântico Norte), anunciou hoje a primeira-ministra, Magdalena Andersson, destacando que isto significa uma "nova era" para o país escandinavo. A decisão da Suécia acontece um dia após a Finlândia ter formalizado sua intenção de entrar na aliança militar.

"A Suécia ficaria sozinha fora da Otan em uma posição muito vulnerável", disse Andersson. Em pronunciamento à imprensa, ela declarou que "o governo decidiu informar a Otan sobre a vontade da Suécia de virar um membro da aliança". "Deixamos uma era para entrar em uma nova", afirmou.

O movimento sueco para integrar a Otan é decorrente da invasão russa ao território ucraniano. Hoje, a guerra da Rússia na Ucrânia entrou em seu 82º dia.

O anúncio foi feito por Andersson ao lado de Ulf Kristersson, líder da oposição. "Temos muitas e grandes questões onde pensamos de forma diferente. Mas vamos assumir conjuntamente a responsabilidade pelo processo de trazer a Suécia para a Otan", disse Kristersson, segundo o jornal Hallands Nyheter. "O fato de estarmos aqui juntos é um sinal de força para a Suécia", completou a primeira-ministra.

O embaixador da Suécia na Otan em breve transmitirá que o país quer se juntar à aliança de defesa, segundo Andersson. Ela estima que isso deve acontecer até quarta-feira (18) e que o pedido de adesão poderá ser apresentado em conjunto com a Finlândia.

"Esperamos que [a adesão] não demore mais de um ano", com a necessária ratificação pelos 30 membros da Aliança, declarou Andersson. "A melhor coisa para a Suécia e a população sueca é aderir à Otan."

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Observada pelo líder da oposição, Ulf Kristersson, a primeira-ministra da Suécia, Magdalena Andersson, fez pronunciamento à imprensa, em Estocolmo
Imagem: Henrik Montgomery/AFP

Mais cedo, a Suécia fez, em seu Parlamento, um debate para deliberações de política de segurança. O anúncio veio logo depois de quase todos os partidos do Parlamento sueco expressarem apoio ao pedido de adesão. A sigla de Andersson, o Partido Social-Democrata, já havia abandonado uma oposição de 73 anos contra a entrada na Otan.

A decisão sueca deve encerrar os cerca de 200 anos de neutralidade militar do país. A sensação de vulnerabilidade cresceu na Suécia e na Finlândia após a invasão da Ucrânia pelas tropas russas. Além disso, as ameaças de Moscou de instalar armas nucleares na região do Báltico caso a Finlândia e Suécia entrem na Otan só piorou o cenário.

Nos últimos anos, a Suécia tem se sentindo ameaçada com várias violações do espaço aéreo relatadas por aeronaves militares russas. Em 2014, um submarino russo foi identificado no arquipélago de Estocolmo. Após esses episódios, o exército da Suécia voltou a ocupar a estratégica ilha de Gotland, no mar Báltico.

"Resposta" de Putin

O presidente russo, Vladimir Putin, disse hoje mais cedo que haverá uma "resposta" caso a Finlândia e a Suécia entrem na Otan. "A expansão da infraestrutura militar para este território certamente causará nossa resposta", disse Putin, segundo a agência russa Tass. "Vamos analisar o que será [a resposta] com base nas ameaças que serão criadas para nós."

Putin, porém, disse que a Rússia "não tem problemas" com Finlândia e Suécia, e que eles não representariam uma "ameaça direta".

Para o presidente russo, a expansão da Otan é artificial, indo além de seu propósito geográfico. Na avaliação de Putin, a aliança militar poderia não influenciar da melhor maneira outras regiões.

Debate

Na Finlândia, a primeira-ministra do país, Sanna Marin, fez uma apresentação hoje ao Parlamento sobre o relatório para a adesão à Otan. "Se o Parlamento aprovar as conclusões do relatório, o governo está equipado para tomar as decisões necessárias para lançar rapidamente as negociações de adesão", disse. Uma sessão plenária é realizada hoje sobre a questão.

A Rússia tem visto como ameaça a possível entrada da Finlândia na Otan, um movimento em consequência da invasão russa ao território ucraniano. Os dois países compartilham uma fronteira de cerca de 1.300 quilômetros de extensão.

finlândia - Emmi Korhonen/Lehtikuva/Reuters - Emmi Korhonen/Lehtikuva/Reuters
A primeira-ministra da Finlândia, Sanna Marin, fala durante a sessão plenária no Parlamento finlandês, em Helsinque
Imagem: Emmi Korhonen/Lehtikuva/Reuters

Rússia ameaçando

Em seu discurso, a primeira-ministra da Finlândia disse que "ocorreram mudanças fundamentais em nosso ambiente de segurança", ao tratar, no Parlamento do país, sobre a entrada na Otan.

"A alegação da Rússia de que é alvo de ameaças externas não tem fundamento algum. O único país que está ameaçando a segurança da Europa e travando abertamente uma guerra de agressão é a Rússia", completou Marin.

Segundo ela, "cada país tem o direito de tomar suas próprias decisões sobre política externa e de segurança". "Nenhum outro ator pode infringir esse direito. As exigências da Rússia significam que, em sua opinião, a Rússia tem o direito de definir uma esfera de influência para si mesma."

Marin pontuou aos parlamentares que, como membro da aliança militar, "a Finlândia se tornaria parte da defesa coletiva da Otan e das garantias de segurança que a acompanham". "Se a Finlândia for alvo de um ataque, receberemos ajuda. E, inversamente, se outro país da Otan for alvo de um ataque, nós o ajudaremos."

Mapa Rússia invade a Ucrânia - 26.02.2022 - Arte UOL - Arte UOL
Imagem: Arte UOL

Rússia não irá "tolerar"

Em comunicado distribuído pelo Ministério de Relações Exteriores da Rússia, o vice-ministro Sergey Riabkov disse que Finlândia e Suécia não "devem ter ilusões de que vamos simplesmente tolerar isso", em referência à possível entrada dos países na Otan.

"Ou seja, o nível geral de tensão militar aumentará e haverá menos previsibilidade nessa área. É uma pena que o bom senso seja sacrificado a algumas ideias fantasmas sobre o que deve ser feito na situação atual", completou, mencionando que o movimento é "outro erro grave com consequências de longo alcance".

(Com DW, AFP e RFI)