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Médico diagnostica falso câncer em crianças para dar golpe em famílias

Mina Chowdhury estava com a licença médica suspensa desde o início de 2021, mas agora a perdeu de vez - Reprodução/Youtube
Mina Chowdhury estava com a licença médica suspensa desde o início de 2021, mas agora a perdeu de vez Imagem: Reprodução/Youtube

Do UOL, em São Paulo

27/07/2022 11h43Atualizada em 27/07/2022 15h39

Um homem perdeu a licença médica após mentir para os pais que seus filhos tinham câncer em Glasgow, na Escócia. O pediatra Mina Chowdhury, 45, diagnosticava falsamente as crianças e pedia aos pais para pagarem por mais exames em sua clínica privada, segundo o tabloide The Daily Record.

No início do ano passado, Chowdhury foi suspenso depois que o MPTS (Serviço do Tribunal de Médicos) o considerou culpado de má conduta. Seu comportamento foi considerado "desonesto" e com motivações "financeiras". Chowdhury aconselhou três grupos de pais para que exames particulares fossem feitos em sua empresa, a Meras Healthcare.

A audiência determinou que o pediatra não forneceu bons cuidados clínicos a três pacientes, incluindo o diagnóstico de "condições cancerígenas sem investigação adequada". O tribunal também concluiu que o profissional tentou persuadir os pais a pagar por "exames desnecessários em relação a diagnósticos de câncer injustificados".

Em uma consulta, Chowdhury disse aos pais de uma criança de um ano e três meses que ela tinha um nódulo na perna, sendo necessária a realização de uma ultrassonografia, ressonância magnética e biópsia por meio de um médico "conhecido" dele em Londres. Os pais o acusaram de impedi-los de ir ao NHS (Serviço Nacional de Saúde), alegando que seria "confuso" voltar lá.

Com outro paciente, ele disse à mãe de um menino de 2 anos e meio que o resultado de um teste era consequência de um "câncer de sangue ou linfoma", sugerindo um tratamento em Londres, já que "não havia lugares na Escócia onde ecocardiogramas pudessem ser realizados em crianças", segundo ele. Assim como no outro caso, ele sugeriu um tratamento na rede privada sem oferecer encaminhamento adequado ao NHS.

Já com o último paciente, ele afirmou à mãe de uma adolescente que a filha tinha um neuroblastoma no estômago e que isso se espalharia se não fosse tratado.

A decisão de tirar a licença dele foi "inevitável", segundo o tribunal, que determinou que esse era um caso em que houve "desonestidade persistente em várias áreas que Chowdhury não reconheceu e nem admitiu totalmente".

Assim, disse o tribunal, só a perda do registro médico dele é "suficiente para proteger, promover e manter a saúde, a segurança e o bem-estar do público".

O médico tem 28 dias para recorrer da decisão.