Conteúdo publicado há 3 meses

Corpo de Navalni será examinado por mais 14 dias, diz porta-voz

O corpo do líder da oposição da Rússia, Alexei Navalni, deve passar pelo menos mais 14 dias passando por perícia. Para porta-voz, estratégia visa "esconder vestígios do assassinato".

O que aconteceu

Porta-voz de Navalni, Kira Yarmysh, disse que não há previsão para liberação do corpo. "Os investigadores disseram aos advogados e à mãe de Alexei que não iriam liberar o corpo. Será feito algum tipo de 'exame químico' nele por mais 14 dias", disse, em publicação no X (antigo Twitter).

Repito: o corpo de Navalny está escondido para esconder vestígios do assassinato. O "teste químico" de 14 dias é uma mentira descarada e uma zombaria
Kira Yarmysh, porta-voz de Navalni

Mãe e os advogados do opositor não foram autorizados a entrar no necrotério. "Um dos advogados foi literalmente empurrado para fora. Quando perguntados se o corpo de Alexey estava lá, os funcionários não responderam", disse Kira Yarmysh.

"A causa da morte ainda é 'desconhecida'. Eles mentem, tentam ganhar tempo e nem tentam disfarçar", escreveu.

Corpo tem hematomas e sinal de convulsões

24.mai.2022 - Alexei Navalny, principal opositor de Vladimir Putin, na prisão
24.mai.2022 - Alexei Navalny, principal opositor de Vladimir Putin, na prisão Imagem: Alexander Nemenov/AFP

O corpo de Navalni tem hematomas e sinal de convulsões. A informação é de um paramédico ouvido pelo jornal russo independente Novaya Gazeta.

"Como um paramédico experiente, posso dizer que os machucados descritos parecem ser de convulsões. Se uma pessoa está convulsionando e outros tentam contê-la, mas a convulsão é muito forte, aparecem hematomas", disse.

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Opositor de Putin estava vivo quando machucados surgiram. O médico disse que Navalni não parece ter apanhado, e que tem um hematoma no peito que parece ser de massagem cardíaca. "Eles realmente tentaram ressuscitá-lo, e ele provavelmente morreu de parada cardíaca", disse. "Mas ninguém está dizendo por que ele teve uma parada cardíaca".

O médico ouvido pela reportagem contou que os prisioneiros que morrem normalmente são levados diretamente para um instituto de medicina forense, mas que, nesse caso, o cadáver foi levado a um hospital clínico "por algum motivo". "Levaram-no ao necrotério do hospital e colocaram dois policiais na porta", contou. "É como se tivessem colocado uma placa, dizendo 'Algo misterioso está acontecendo aqui'".

Especialistas ainda não tinham examinado o corpo até o último sábado (17). O paramédico disse que há duas versões de por que isso ainda não aconteceu. "Alguns disseram que ordenaram que esperássemos a chegada de especialistas da capital, outros que os próprios médicos se recusaram a fazer a autópsia, porque o caso envolve política e não está claro o que aconteceu".

"Se você faz uma autópsia e recebe uma ordem direta para mudar os resultados, você não pode recusar", declarou. "Mas se não tem autópsia, não tem ninguém para perguntar".

Novaya Gazeta é um dos poucos jornais independentes da Rússia. Desde o início da guerra com a Ucrânia, a redação teve de se mudar para a Letônia para evitar censura. O editor-chefe da publicação, Dmitry Muratov, foi um dos vencedores do prêmio Nobel da Paz em 2021 pela defesa da liberdade de expressão.

Navalni morreu na prisão aos 47 anos

Advogado e ativista morreu na última sexta-feira (16), segundo um comunicado do serviço penitenciário russo. Ele era uma das principais figuras de oposição ao governo de Vladimir Putin há mais de uma década.

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Ele teria passado mal após uma caminhada na colônia penal de Kharp, onde estava detido, a quase 2 mil quilômetros da capital Moscou. O local fica próximo do Círculo Polar Ártico, onde as temperaturas podem chegar a -30ºC.

O ativista foi envenenado com uma substância de uso militar, durante uma viagem a negócios, em 2020. Ele só sobreviveu porque sua família e autoridades internacionais insistiram em levá-lo de avião para um longo tratamento na Alemanha. O governo russo negou qualquer envolvimento.

Há uma série de mortes misteriosas ligadas ao governo da Rússia. Por exemplo, o fundador do grupo mercenário Wagner, Yevgeny Prigozhin, morreu no ano passado com outras nove pessoas, na queda de um jato particular. Dois meses antes, ele havia liderado um motim contra Moscou.

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