Conteúdo publicado há 2 meses

Condenado em Lava Jato local: quem é ex-vice do Equador preso em embaixada

Preso pela polícia do Equador dentro da embaixada do México em Quito, na última sexta (5), o ex-vice presidente Jorge Glas é um engenheiro que entrou para a política há mais de 15 anos e acabou condenado por corrupção no caso Odebrecht, um desdobramento da Lava Jato no Brasil.

O que aconteceu

O governo do Equador afirmou ontem em nota que Glas será "colocado à disposição dos tribunais de Justiça do Equador". Vice-presidente de 2013 a 2017, o político tem duas condenações, uma delas no caso Odebrecht.

Glas passou mais de quatro meses na embaixada. Ele chegou a cumprir pena pelas condenações, mas foi solto em 28 de novembro e pediu asilo político ao México no dia 17 de dezembro. O Equador chegou a pedir autorização para entrar na embaixada, mas o governo mexicano negou.

O político, de 54 anos, nasceu em uma família de classe média em Guayaquil, maior cidade do país. Ele é amigo de infância do ex-presidente Rafael Correa, com quem atuou no movimento escoteiro. Ele é formado em engenharia eletrônica e trabalhou com comunicação.

O ex-vice entrou na política pelas mãos de Correa. Ele começou a ocupar cargos no primeiro mandato do aliado, em 2007, comandou dois ministérios e chegou a ser vice do sucessor, Lenín Moreno. Com três meses de governo, porém, Glas deixou o cargo em meio às investigações por corrupção.

Glas continuava ativo nas redes sociais nas últimas semanas. Após a prisão, a conta dele no Twitter postou a frase "não se pode vencer quem nunca se rende".

Padrinho político de Glas, Correa vive sob asilo na Bélgica

A invasão do prédio, condenada pelo Brasil e outros países da América Latina, levou o México a suspender relações diplomáticas com o Equador. Ontem, o governo equatoriano afirmou que a concessão do asilo político era "ilícita" e ordenou que a embaixadora mexicana, Raquel Serur, saia do país. Ela foi declarada "persona non grata".

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O ex-presidente Rafael Correa, de quem Glas foi ministro e depois vice, está sob asilo político na Bélgica. Ele já vivia no país quando foi condenado em 2020, por outro caso de corrupção que envolve Glas, mas só conseguiu status de asilado político em 2022.

Glas deixou o governo de Lenín Moreno, sucessor de Correa, devido ao caso Odebrecht. Ele foi afastado da vice-presidência em agosto de 2017 e acabou condenado três meses depois, em dezembro do mesmo ano.

Primeira condenação foi por caso Odebrecht

Segundo a Justiça, Glas recebeu propinas da Odebrecht. Após fechar delação com executivos da empreiteira que atuavam no país, o Ministério Público afirmou que ele recebeu 13,8 milhões de dólares (cerca de R$ 70 milhões no câmbio atual) em propinas.

A Odebrecht fechou delação em 11 países além do Brasil. A empreiteira, que mudou o nome para Novonor, afirmou à Justiça que pagou um total de 788 milhões de dólares em propinas (quase R$ 4 bilhões no câmbio atual) para autoridades em Angola, Argentina, Colômbia, Equador, Guatemala, Panamá, Peru, México, Moçambique, República Dominicana e Venezuela.

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