Delegados reclamam de trânsito, preços, falta de comunicação e organização da Rio+20

Mauricio Stycer

Do UOL, no Rio

  • Mauricio Stycer/UOL

    Delegados da RIO+20 fazem reunião informal, em pé, no hall das salas de conferência

    Delegados da RIO+20 fazem reunião informal, em pé, no hall das salas de conferência

É dura a vida de um delegado estrangeiro credenciado para a Rio+20. Alocados em hotéis muito distantes do Riocentro, têm passado horas preciosas do dia dentro de ônibus. Nas ruas, não acham quem fale inglês ou francês. Os preços de tudo assustam.

As delegações menores reclamam, ainda, que não conseguem acompanhar todas as reuniões já que há muitos encontros agendados de forma simultânea.

O relato de Sufiu Rahman, diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores de Bangladesh, dá uma boa ideia da rotina de um delegado da Rio+20. Instalado em um hotel em Copacabana, ele conta: “Acordo às 6h30, tomo café correndo, caminho um quilômetro até outro hotel e entro na fila do ônibus.”

Começa aí o calvário. “Hoje fiquei 50 minutos na fila. E mais duas horas dentro do ônibus até chegar no Riocentro”. Ao descer, encara a rígida segurança da ONU: “A cada dia aumenta”, reclama.

Rahman acompanha diferentes discussões, sobre aspectos institucionais e sobre os meios de implementação, que estão sendo travadas no Riocentro. “São três a quatro reuniões por dia, mais encontros informais no corredor para discutir parágrafos e, às vezes, palavras do documento final”, conta.

  • Sufiu Rahman, diretor-geral do Ministério das Relações Exteriores de Bangladesh, ficou 50 minutos na fila, além de duas horas dentro do ônibus até chegar no Riocentro

Madrugada adentro

Nesta segunda-feira (18), dia em que o Brasil pretende fechar o documento final, o diplomata imagina que sairá de madrugada. “Ontem saí à 0h15. Hoje vai acabar mais tarde”.

“A maior parte do meu tempo passo dentro de um ônibus”, reclama o delegado Riza Yikmaz, da Turquia. Hospedado em um hotel no Flamengo, tem perdido duas horas para ir e um pouco menos para voltar do Riocentro. “Começo às 6h, para dar tempo.”

Yikmaz e o colega Melih Gokgoz não estranharam a comida brasileira. “Mas os preços são muito altos”, reclamam. “Não entendo. Brasil e Turquia parecem ter poder aquisitivo semelhante”, diz Yikmaz.

"Só na mímica"

“Estamos tendo muitas dificuldades com a língua”, suspira Edward Obiaw, delegado de Gana. “Ninguém fala inglês”, diz. “È só na mímica”, completa seu colega Oppen Sasu.

  • O delegado Riza Yikmaz, da Turquia, tem perdido duas horas para ir até o Riocentro e reclama passar a maior parte do tempo dentro do ônibus

A delegação, relativamente pequena, com cerca de 50 membros, sofre também para acompanhar todos os encontros na Rio+20. “Não dá. Chegamos em horários diferentes e nem sempre conseguimos seguir todos os debates”.

Nadia e Farid, delegados da Argélia (não quiseram dar o sobrenome), também fazem críticas à organização da Conferência. “Estamos em um hotel perto do Riocentro, mas não tem transporte para cá”, diz ela. “A embaixada providenciou um ônibus para a delegação”.

Farid faz uma observação curiosa. “A praça de alimentação é muito maior que a área de conferências. Em alguns encontros, vejo delegados sentados no chão”.

"E há um problema de comunicação séria no Brasil”, reclama Nadia. “Ninguém fala francês e muito pouca gente fala inglês”. Ambos reclamam dos preços para comer no Rio. “Tudo muito caro”.

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