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Meio Ambiente

Tribunal concede fiança a capitão de navio do Greenpeace e mais 2 ativistas

Peter Willcox poderá sair da prisão sob fiança - Dmitri Sharmov / Greenpeace/EFE
Peter Willcox poderá sair da prisão sob fiança Imagem: Dmitri Sharmov / Greenpeace/EFE

Do UOL, em São Paulo

20/11/2013 11h17Atualizada em 20/11/2013 11h17

Um tribunal russo concedeu nesta quarta-feira (20) a possibilidade de liberdade sob fiança ao capitão norte-americano de um navio do Greenpeace que foi usado em um protesto contra a exploração de petróleo no Ártico em que 30 pessoas foram detidas, incluindo uma brasileira. Mais dois ativistas também poderão ser libertados sob fiança.

Tribunais da cidade de São Petersburgo, para onde os 28 ativistas e dois jornalistas foram levados na semana passada, concederam até agora fiança para 15 pessoas. A brasileira Ana Paula Maciel também foi contemplada com a decisão.

O capitão Peter Willcox, 60, é ativista do Greenpeace há mais de 30 anos e comandava o navio Rainbow Warrior, do grupo de defesa do meio ambiente, quando foi bombardeado e afundado pelo serviço secreto francês em 1985.

A holandesa Faza Oulahsen e a britânica Alexandra Harris também serão libertados após o pagamento da fiança, indicou a ONG em sua conta no Twitter.

O tribunal definiu as fiança em 2 milhões de rublos ou US$ 61,1 mil (cerca de R$ 138 mil).

Durante a audiência, Faza Oulahsen, que escreveu na palma de sua mão "Salvemos o Ártico", agradeceu em um vídeo a todos que a apoiaram, assim como os outros 29 membros da tripulação do Arctic Sunrise. "A todos aqueles que clamaram por nossa libertação, muito obrigada, vocês nos deram esperança, nos deram força", declarou.

Perguntada por um amigo sobre o que ela faria quando encontrasse a liberdade, a jovem respondeu: "Vou comer uma boa refeição e telefonar para a minha família, porque eu não falo com eles há mais de dois meses. Vou aproveitar o fato de que eu posso andar mais do que três metros, não como na cela, e de um pouco de ar fresco", indicou, de acordo com um comunicado do Greenpeace.

Em contrapartida, o australiano Colin Russel teve a sua detenção prorrogada até 24 de fevereiro, no primeiro dia de audiências. Segundo o Greenpeace, o embaixador australiano na Rússia anunciou que visitaria o ministério russo das Relações Exteriores em Moscou para compreender o por quê de seu cidadão ter sua detenção prorrogada.

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O Greenpeace, que alega que o protesto de 18 de setembro tinha o objetivo de chamar a atenção para o impacto no meio ambiente da perfuração no Ártico, disse que já tinha depositado a fiança para nove dos detidos.

A ONG alertou, contudo, para o fato de o caso ainda não estar resolvido. "Não temos ideia das condições nas quais vão viver nossos amigos quando forem libertados, se eles permanecerão em prisão domiciliar ou se terão o direito de sair", indicou Kumi Naidoo, diretor executivo da organização. Até o momento, nenhum ativista saiu da prisão.

Advogados do Greenpeace disseram que resta resolver algumas "questões burocráticas", e que os ativistas não devem ser libertados antes do fim de semana. Os 30 membros da tripulação do Arctic Sunrise foram detidos no dia 19 de setembro pelas autoridades russas quando tentavam escalar uma plataforma de petróleo no mar de Barents para denunciar os riscos ambientais.

Eles devem responder às acusações de pirataria e de vandalismo, pelas quais podem ser condenados, respectivamente, a 15 e sete anos de prisão.

O Tribunal Internacional do Direito Marítimo, com sede em Hamburgo, na Alemanha, vai proferir a sua decisão sobre o caso em 22 de novembro. Essa jurisdição da ONU, competente para resolver disputas marítimas, foi acionada pela Holanda. (Com agências internacionais)

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