Aquecimento global amplia nível de CO² no extremo norte da Terra

Paula Moura

Colaboração para o UOL

  • Ilya Naymushin/Reuters

    Floresta de taiga na Sibéria, no extremo norte do planeta

    Floresta de taiga na Sibéria, no extremo norte do planeta

O aquecimento global amplificou a variação sazonal de CO² na atmosfera no extremo norte do planeta, revelou estudo publicado nesta quinta-feira (21) na revista Science. Os dados mostram que as diferenças sazonais vêm aumentando desde 1960, especialmente a latitudes acima dos 45 graus ao Norte, onde foi registrado elevação de até 50%.

Até certo ponto, flutuações do nível de dióxido de carbono eram normais nessas regiões, pois a vegetação entra em dormência com as baixas temperaturas e o gelo invernal e, no verão, com o aumento da temperatura e o degelo, a vegetação cresce. No entanto, a diferença agora é maior.

"O aquecimento global nos últimos 40 anos forneceu condições mais favoráveis para o crescimento das plantas nos ecossistemas do norte do planeta", diz Matthias Forkel, Instituto Max Planck de Biogeoquímica, autor principal da pesquisa. O resultado disso é que as plantas fazem mais fotossíntese, aumentando, por exemplo, a captação de CO² da atmosfera.

"Porém esse aumento ocorre apenas durante o verão, por isso há uma diferença cada vez maior entre a concentração de CO² entre o inverno e o verão em altas latitudes", explica. Mais ao sul, e especialmente nos trópicos, explica o pesquisador, os fluxos de carbono nos ecossistemas não variam tanto nas diferentes estações do ano. O hemisfério sul também tem menos regiões cobertas por vegetação do que o hemisfério norte.

Atenção redobrada

Forkel e cientistas de diversas instituições cruzaram dados atmosféricos de muitos anos com a concentração de CO², além de imagens de satélite da vegetação e dados globais de produtividade de plantas e concentração de carbono. Usando um modelo de vegetação combinado com um modelo de transporte atmosférico, o resultado indicou que a absorção de CO² pelas plantas está aumentando nas latitudes ao norte. Por enquanto, a taxa de captação de CO² está maior do que a respiração das plantas.

De acordo com outro autor da pesquisa, Nuno Carvalhais, o estudo relaciona o aquecimento global com uma resposta à larga escala nos ecossistema terrestres, chamando a atenção para uma necessidade de monitoração contínua para a detecção de alterações e melhor previsão da resposta dos ecossistemas a alterações climáticas.

Plantas podem chegar à saturação

No entanto, a estimulação atividade fotossintética das plantas não é ilimitada e conjuntamente com alterações mais profundas no sistema climático podem levar a uma saturação ou mesmo inversão do papel de reservatório de carbono dos ecossistemas. Por exemplo, "se o aquecimento continuar, as plantas podem se tornar mais vulneráveis ao estresse causado pelo calor, e tanto períodos de seca como infestação por insetos podem ocorrer com mais frequência", explica.

Nessas condições a respiração das plantas pode aumentar para manter os tecidos vivos ou por exemplo para fazer uma defesa química contra insetos. Nesses extremos, as plantas que não estão adaptadas a tais condições podem morrer. "No sul das florestas boreais, a morte de árvores já tem sido registrada e é provável que isso aconteça com mais frequência". 

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