Água-viva do mar Vermelho infesta rio em Maceió; animal causa queimaduras

Aliny Gama

Do UOL, em Maceió

Exemplares da medusa Cassiopea andromeda, proveniente do mar Vermelho, infestaram a foz do rio Meirim, localizada na praia de Pescaria, litoral norte de Maceió, na última semana. Esta é a primeira vez que a espécie invasora é detectada no litoral de Alagoas. Até agora, não se sabe como os animais chegaram ao local.

A foz do rio Meirim é bastante frequentada por banhistas e, segundo o IMA (Instituto do Meio Ambiente de Alagoas), há relatos de acidentes envolvendo as medusas. A água-viva pode causar queimaduras quando o material tóxico expelido entra em contato com a pele de banhistas. 

Até que a situação da área volta ao normal, o IMA recomenda que banhistas não frequentem esse trecho do rio Meirim e orienta que, em caso de queimaduras, a vítima procure atendimento médico imediatamente.

Impacto ambiental será estudado

Amostras do animal foram coletadas para pesquisadores da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), IMA e ICMBio descobrirem como o animal chegou ao Estado, além de outros hábitos que podem oferecer riscos aos animais marinhos que vivem em Alagoas. A equipe de biólogos do IMA fará o monitoramento periódico da área e o laboratório do instituto analisará a qualidade da água.

A área que a medusa se instalou fica em uma região onde há transição entre o rio e o mar, no limite da APA (Área de Proteção Ambiental) Costa dos Corais. Segundo o professor de zoologia da Ufal (Universidade Federal de Alagoas), Claudio Sampaio, o animal consegue se adaptar à salinidade variável do ambiente, que aumenta ou diminui de acordo com a maré, duas vezes ao dia.

O biólogo Juliano Fritscher explica que a área que a medusa se instalou encontra-se represada, sendo abastecida apenas por marés mais altas. O pouco fluxo de água permite que as medusas se proliferem com facilidade pela ausência de predadores. "Isso gera uma supremacia desses animais em relação aos outros organismos marinhos."

O biólogo Bruno Stefanis, do Instituto Biota, que faz o monitoramento de tartarugas marinhas em Maceió, vê com preocupação a chegada da medusa a Alagoas porque ainda não se sabe o impacto ambiental que o animal pode causar por não tem predador natural e, assim, poder se reproduzir livremente.

"A espécie invasora quando chega ao novo ambiente e se adapta a ele, por não possuir predadores começa a se proliferar sem controle e causa desequilíbrio. Neste caso, só vai ter a medusa no rio e o problema é ter o controle da quantidade da espécie no local. O poder público precisa fazer um estudo para criar uma zona de contenção para ela não se espalhar e causar outros problemas que ainda nem sabemos que ela pode causar", alerta Stefanis.

São várias as hipóteses levantadas para justificar a presença de um animal marinho que não faz parte do meio ambiente do Brasil no local. Segundo o professor de zoologia da Ufal Cláudio Sampaio, "indivíduos jovens podem se fixar em resíduos sólidos, como o lixo, e através das correntes marinhas chegam às águas brasileiras."

"Sugere-se também que o tráfego marinho com as águas de lastro dos navios podem ter transportado acidentalmente o animal para o Brasil, mas ainda não há estudo sobre isso, pois a chegada dela é recente. Temos registros em São Paulo, Rio Grande do Sul, Bahia, Rio Grande do Norte, Ceará e agora em Alagoas."

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