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Tempestade Harvey gera "sinal de alerta" e debate sobre aquecimento global

Foto: AFP
Imagem: Foto: AFP

Colaboração para o UOL

29/08/2017 09h33

A tempestade Harvey, que está devastando principalmente o estado do Texas (Estados Unidos), deve servir como um aviso para outros fenômenos como esse que podem acontecer em diferentes regiões do mundo. Esta é a opinião de uma corrente de pensamento entre cientistas especializado no assunto.

"Este é o tipo de coisa sobre a qual vamos presenciar mais vezes", disse o cientista da Universidade de Princeton, Michael Oppenheimer, para a CBS News. "Esta tempestade deve servir como alerta".

A projeção é que, no momento em que a chuva parar nesta semana, Harvey terá despejado cerca de um milhão de litros de água no sudeste do Texas. Ainda existem dúvidas para cravar se as mudanças climáticas causaram Harvey, e se a tempestade causada pelo furacão foi piorada pelo aquecimento global. Mas os cientistas observaram que o ar e a água mais quentes significarão possivelmente tempestades e furacões mais intensos no futuro.

Em geral, os cientistas do clima concordam que as tempestades futuras irão despejar muito mais chuva do que as do mesmo tamanho no passado. Isso porque o ar mais quente contém mais água. A atmosfera pode segurar e depois despejar 4% adicionais de água - segundo estimativa de vários cientistas. O aquecimento global também significa mares mais quentes, e é exatamente este tipo de água gerada que “alimenta” furacões.

Quando Harvey se moveu para o Texas, a água no Golfo do México estava quase dois graus mais quente que o normal, segundo o diretor de meteorologia do Weather Underground, Jeff Masters.

Vários estudos mostram que os aguaceiros mais fortes já estão acontecendo com muita frequência. Além disso, os cálculos realizados na última segunda pelo professor de meteorologia do MIT (Instituto de Tecnologia de Massachusetts), Kerry Emanuel, mostram que o ocorrido na cidade de Rockport, no Texas, costumava ser um evento de uma vez em 1.800 anos, mas com o ar mais quente segurando mais água, agora é um evento uma vez a cada 300 anos.

Há um grande debate entre os cientistas do clima sobre o papel que o aquecimento global pode ter desempenhado ao fazer com que Harvey atingisse o Texas. Se o furacão tivesse se movido como uma tempestade normal, não teria inundado nenhum local.

Oppenheimer e alguns outros cientistas teorizam que existe uma conexão entre o derretimento do gelo marinho no Oceano Ártico e as mudanças nos padrões climáticos. Outros já acham que é muito cedo para dizer algo do tipo.

Para o cientista atmosférico da Universidade de Washington, Cliff Mass, a mudança climática simplesmente não é poderosa o suficiente para criar eventos fora do mapa como a precipitação de Harvey. "Você realmente não consegue pressionar o aquecimento global em algo desse extremo. Tem que haver variabilidade natural", opinou ele, mostrando uma diferente corrente de pensamento sobre os eventos da última semana.

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