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Estudantes criam técnica que "come" agrotóxico mais usado no Brasil

Animação sobre o Glyfloat, projeto de grupo de 18 estudantes da UFRGS para combater resíduos de glifosato - Reprodução
Animação sobre o Glyfloat, projeto de grupo de 18 estudantes da UFRGS para combater resíduos de glifosato Imagem: Reprodução

Luciano Nagel

Colaboração para o UOL, em Porto Alegre

18/03/2019 04h00

Um grupo de 18 estudantes da UFRGS (Universidade Federal do Rio Grande do Sul) criou uma tecnologia capaz de combater a poluição em rios, lagos e mares. Eles estão em diferentes cursos, como biotecnologia, biologia, engenharia física, jornalismo e design de produto na universidade federal.

O protótipo construído pelos alunos se parece com uma espécie de "filtro boia" e tem como missão acabar com os resíduos aquáticos de glifosato, agrotóxico mais usado tanto no Brasil quanto no mundo.

A estudante de biotecnologia Mariana Hentz, 21, explica que dentro do filtro "serão adicionadas bactérias da espécie Escherichia coli, programadas geneticamente para degradar o glifosato, além de outros compostos tóxicos semelhantes".

Luis Dias, também empenhado no projeto, disse que eles usam bactérias de uma linhagem própria para estudos científicos. "Um dos professores apoiadores do nosso projeto vai disponibilizar as bactérias que ele tem em seu laboratório de pesquisa", disse.

Glyfloat - Reprodução - Reprodução
Animação sobre o Glyfloat, projeto de grupo de 18 estudantes da UFRGS para combater resíduos de glifosato
Imagem: Reprodução

O produto foi batizado de Glyfloat. Mas não foram definidos o tamanho do filtro e o material a ser usado na confecção. "Ainda há muita pesquisa a ser feita, então não decidimos. Mas com certeza queremos um agronegócio ainda mais sustentável", afirmou a estudante Sarah Spinato, 20.

Futuramente, o filtro boia poderá ser usado em córregos localizados próximos a lavouras ou em pontos estratégicos de rios, com maior concentração de resíduos tóxicos.

Vaquinha de milhares de dólares

A próxima fase do trabalho deve ser no exterior. Os estudantes querem participar da International Genetically Engineered Machine Competition, considerada a maior competição de biologia sintética do mundo, que ocorrerá de 31 de outubro a 4 de novembro, em Boston, nos Estados Unidos. "Vamos usar a competição para dar visibilidade ao projeto", afirmou Mariana Hentz.

Até a quinta passada (14), os estudantes arrecadaram por meio de uma "vaquinha" US$ 27 mil (cerca de R$ 104 mil). Parte desse dinheiro vai ser gasta para se inscreverem no evento --meta que já foi alcançada-- e ainda falta angariar fundos para as passagens aéreas e hospedagem de cinco membros.

"Até agora, o dinheiro que conseguimos foi de doações espontâneas, alguns patrocinadores que apoiaram o projeto e um brechó que arrecadou R$ 2.000", disse Mariana.

Há um site para doar diretamente ao projeto e saber mais sobre a proposta: https://benfeitoria.com/igemUFRGS2019?ref=benfeitoria-pesquisa-projetos.

O uso do glifosato é cercado de polêmicas, tendo sido restrito em diversos países e reavaliado por agências ambientais e ONGs. Pesquisas cientificas não encontraram evidências de que o glifosato seja cancerígeno, mas dados apontam para um alto volume de intoxicações, o que levou à elevação do risco do produto à saúde.

O debate também cresce em outros países. Em agosto do 2018, um júri da Califórnia condenou a Monsanto a indenizar em US$ 289 milhões (R$ 1,1 bilhão) um zelador que alega que pesticidas baseado em glifosato teriam lhe causado câncer. A empresa recorreu. Desde então, outros processos semelhantes tramitam nos Estados Unidos.

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