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G7 vai desbloquear ajuda de emergência de US$ 20 milhões para Amazônia

26.ago.2019 - Líderes do G7 se reuniram em Biarritz, na França - Carlos Barria/Reuters
26.ago.2019 - Líderes do G7 se reuniram em Biarritz, na França Imagem: Carlos Barria/Reuters

Do UOL, em São Paulo*

26/08/2019 08h55

Resumo da notícia

  • Líderes do G7 decidem desbloquear US$ 20 milhões para a Amazônia
  • Brasil terá que concordar em trabalhar com ONGs e populações locais
  • Bolsonaro questiona intenções que estariam por trás das ajudas internacionais
  • Macron responde comentários desrespeitosos que Bolsonaro fez sobre 1ª dama francesa

O G7 (grupo formado pelas sete maiores economias do mundo) decidiu desbloquear uma ajuda de emergência de US$ 20 milhões (cerca de R$ 83 milhões) para a Amazônia. Pela manhã, o presidente francês Emmanuel Macron havia falado que a ajuda seria de 20 milhões de euros (cerca de R$ 91 milhões), mas a informação foi corrigida horas depois pelo G7. Os recursos serão destinados principalmente para o envio de aviões Canadair de combate a incêndios.

Além desta frota aérea, o G7 concordou com uma assistência de médio prazo para o reflorestamento da Amazônia, a ser apresentado na Assembleia Geral da ONU, que ocorrer no final de setembro. Para receber essa ajuda, o Brasil terá que concordar em trabalhar com ONGs e populações locais.

Essa iniciativa foi anunciada ao final de uma sessão da cúpula do G7 (formado por Alemanha, Canadá, Estados Unidos, França, Itália, Japão e Reino Unido) dedicada ao meio ambiente, durante a qual foi discutida a situação na Amazônia, que tem provocado grande preocupação internacional.

Macron tornou a situação na Amazônia uma das prioridades da cúpula, apelando no sábado para uma "mobilização de todos as potências" para lutar contra as queimadas e em favor do reflorestamento.

O secretário-geral da ONU, Antonio Guterres, pediu à comunidade internacional que se mobilize com mais força. "Espero que possamos mobilizar mais recursos para ajudar os países da Amazônia", disse.

Bolsonaro x Macron

Em sua fala para anunciar as medidas, Macron voltou a criticar o presidente Jair Bolsonaro (PSL) e disse que o Brasil merece um mandatário que esteja à altura do cargo. O presidente francês respondeu ao comentário desrespeitoso que Bolsonaro fez sobre sua esposa, Brigitte Macron, em uma rede social.

"O que eu posso dizer a vocês? É triste, é triste, mas é em primeiro lugar triste para ele e para os brasileiros", afirmou Macron.

Hoje, logo após o anúncio do G7, Bolsonaro questionou as intenções que estariam por trás das ajudas internacionais anunciadas para combater incêndios na Amazônia.

"Macron promete ajuda de países ricos à Amazônia. Será que alguém ajuda alguém --a não ser uma pessoa pobre, né?-- sem retorno? Quem é que está de olho na Amazônia? O que eles querem lá?", disse Bolsonaro em pronunciamento a jornalistas ao deixar o Palácio da Alvorada, recusando-se a responder questionamentos dos repórteres.

Discussão sem Trump

Macron disse que teve uma longa discussão sobre os incêndios na Amazônia com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump. O americano não participou da reunião do G7 sobre o clima por causa de outros encontros bilaterais, mas disse apoiar a iniciativa do grupo, afirmou Macron.

"Ele não estava na sala, mas sua equipe estava", afirmou Macron em uma coletiva de imprensa após as conversas sobre o clima. "Vocês não devem interpretar a ausência do presidente norte-americano... os Estados Unidos estão conosco sobre a biodiversidade e a iniciativa da Amazônia." (*Com informações de AFP e Reuters)

Errata: o texto foi atualizado
Diferentemente do que foi informado na manchete e no primeiro parágrafo da notícia, a ajuda à Amazônia anunciada pelo G7 foi de US$ 20 milhões, e não 20 milhões de euros. O erro foi corrigido.

Meio Ambiente