Mulheres fora de forma correm risco três vezes maior de morrer de cardiopatia

Stephen Smith

Segundo um estudo inédito, as mulheres que se mantêm em boa forma física ficam bastante protegidas das doenças cardiovasculares - responsáveis pela morte de 255 pacientes anualmente nos Estados Unidos.

Pesquisadores de Chicago que acompanharam mais de 5.700 mulheres durante oito anos descobriram que aquelas que estavam em pior forma física corriam um risco três vezes maior de morrer de doenças cardíacas durante o período da pesquisa do que as que estavam no ápice da sua capacidade aeróbica.

"A pessoa pode ser completamente saudável, não possuir fator de risco cardíaco, mas se não for capaz de alcançar uma boa capacidade de fazer exercícios ou se não estiver fisicamente apta, corre um grande risco de morrer", alerta Martha Gulati, principal coordenadora do estudo e cardiologista do Centro de Medicina da Universidade Rush. "O exercício é benéfico e a boa forma física é realmente importante. E talvez mais importante para as mulheres do que para os homens".

A descoberta, que foi publicada na mais recente edição do periódico "Circulation", vem a público quatro meses após autoridades do setor de saúde advertirem que 46 milhões mais norte-americanos estão correndo risco substancial de sofrerem de hipertensão do que anteriormente se acreditava. O resultado da pesquisa forneceu também mais munição para que as autoridades da área de saúde possam alertar para os perigos das cardiopatias, as doenças que mais matam as mulheres.

Mas os especialistas disseram que continuam pessimistas quanto às perspectivas de que haja alterações de hábitos. "As forças adversas a nós no seio da sociedade são grandes", diz Ira Ockene, diretora do programa de cardiologia preventiva da Escola de Medicina da Universidade de Massachusetts em Worcester. "Tudo foi elaborado de forma a fazer com que seja mais difícil nos exercitarmos e mais fácil ficarmos sentadas, e isso é algo realmente problemático".

O estudo, um marco em termos de pesquisa sobre doenças cardíacas, é o primeiro relatório de grande escala sobre a relação entre o condicionamento físico e as cardiopatias em mulheres.

Ainda que as mulheres respondam por 49% de todas as mortes por doenças do coração, elas freqüentemente são negligenciadas pelas pesquisas e até pelos tratamentos, o que é fruto tanto do preconceito quanto ao sexo do indivíduo, quanto do fato de que as doenças cardíacas se manifestam nas mulheres mais tardiamente do que nos homens, o que fez com que alguns cientistas acreditassem que as mulheres são candidatas menos urgentes para participarem de estudos dessa natureza.

"Esse é um estudo muito importante para as mulheres", afirma Paula Johnson, diretora executiva do Centro Connors para Saúde da Mulher do Hospital Brigham and Women. "Esperamos que ele estimule novas pesquisas em uma área à qual não se dá muita atenção; aquela que diz respeito à forma como se melhora realmente o condicionamento físico".

Para a realização do novo estudo, os pesquisadores avaliaram a capacidade demonstrada pelas mulheres para se exercitarem usando um exame de condicionamento físico. Cada mulher caminhou em uma esteira, que trabalhava de forma mais acelerada e ficava mais inclinada a cada três minutos.

De 1992 a 2000, as mulheres - que não apresentavam sintoma algum de doença cardíaca no início do estudo - foram acompanhadas por pesquisadores. Eles descobriram que aquelas com pior condicionamento físico tinham mais propensão a morrer, ainda quando se levou em conta causas tradicionais de doenças da coronária, tais como níveis elevados de colesterol e hipertensão arterial.

De fato, os pesquisadores de Chicago compararam as descobertas dos estudos feitos com mulheres com pesquisas anteriores realizadas com homens e descobriram que a falta de exercício é ainda mais perigosa para as mulheres do que para os homens. Os cientistas descobriram que o aumento de uma unidade de capacidade de exercício resultou em uma diminuição de 17% da probabilidade de uma mulher morrer, comparada a apenas 12% nos homens.

Na segunda-feira, os cardiologistas disseram que ainda é muito cedo para se recomendar que todas as mulheres se submetam rotineiramente a testes de esforço, em parte devido ao preço desses exames. Ao invés disso, recomendaram que os médicos utilizem outras formas de avaliação da forma física, incluindo questionários.

Mas o estudo ajudou os médico a conversar francamente sobre a expectativa de vida com as mulheres que se submeteram aos exames.

"Se uma mulher só agüentar o teste de esforço físico por um curto período, isso diz muito sobre aquilo que o futuro lhe reserva", adverte Gulati.

Cientistas independentes dizem que são necessárias mais pesquisas para determinar de forma conclusiva que mais exercícios implicam em uma vida mais longa. Mas os cardiologistas recomendam que as descobertas sobre o vínculo entre níveis de condicionamento físico e doenças do coração sejam utilizadas para encorajar os pacientes a adotarem estilos de vida mais saudáveis.

"Podemos nos aproximar de todos os pacientes que venham ao consultório e dizer: 'Atualmente sabemos que quanto melhor o seu condicionamento físico, menor a sua probabilidade de morrer nos próximos dez anos", diz Gary J. Balady, cardiologista da Escola de Medicina da Universidade de Boston. Danilo Fonseca

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