Kerry ataca política energética de Bush e seu vínculo com Opep

Patrick Healy
Em Portland, Oregon

Ressuscitando um tema que ajudou a pôr a pique as esperanças de reeleição do primeiro presidente Bush em 1992, o senador John F. Kerry argumentou nesta terça-feira (18/05) que o atual presidente não está atendendo às preocupações do americano comum, dos motoristas e veranistas preocupados com os preços dos combustíveis aos adultos mais velhos, que estão lidando com demissões e preços mais altos dos planos de saúde.

Com o preço médio da gasolina passando a marca de US$ 2 o galão (3,785 litros), o virtual candidato democrata usou a visita a um centro de reciclagem profissional em Portland para vincular Bush às preocupações de energia dos eleitores, apesar do democrata não ter oferecido soluções.

Fazendo campanha ao lado do ex-rival Howard Dean, Kerry também expressou preocupação com a discriminação de idade no trabalho e com as divisões raciais nos Estados Unidos, apesar de ter rejeitado o pedido de um eleitor de apoiar indenizações pela escravidão.

O tom do evento de terça-feira foi estabelecido por três cidadãos de Oregon que perderam bons empregos e agora enfrentam futuros incertos. Um deles, um homem de 53 anos, disse que experimentou um "11 de setembro pessoal" quando perdeu um emprego de US$ 102 mil anuais em uma empresa de alta tecnologia e pegou um emprego que paga US$ 7 por hora. Kerry buscou atraí-los para seu lado ao explicar como ele poderia ajudar, dizendo a uma mulher de 58 anos que, por exemplo, aliviaria suas preocupações com plano de saúde ao permitir sua entrada paga no Medicare (o atendimento de saúde para maiores de 65 anos).

Sentado em um banco com Dean e os três trabalhadores de meia idade à procura de empregos melhores, Kerry disse acreditar que há "um preconceito no sistema", com os empregadores se recusando a contratar americanos altamente qualificados porém mais velhos. Um dos que estavam ao lado de Kerry, Mitch Freifeld, descreveu a perda de um salário de seis dígitos e a dificuldade em arcar com um plano de saúde de US$ 700 por mês para ele e sua esposa.

"Não há atendimento de saúde real para nós que estamos próximos do Medicare", disse Freifeld. "Eu estou jovem demais para morrer e velho demais para rock and roll. Nós estamos presos no meio."

A retórica de Kerry repetiu o argumento de Bill Clinton, 12 anos atrás, de que o presidente George H.W. Bush, com seus amigos muito ricos e bem relacionados, não tinha noção dos problemas cotidianos da maioria dos eleitores.

"Pessoas demais foram como que deixadas de lado, sem seguro saúde, sem capacidade de obter cuidados para seus filhos, sem capacidade de encontrar um emprego à altura do que estudaram, sem capacidade de seguir em frente, mesmo trabalhando cada vez mais arduamente, às vezes em dois ou três empregos", disse o senador para uma platéia de cerca de 150 pessoas.

Quanto aos preços dos combustíveis, Kerry repetiu seu pedido para que Bush pressione a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (Opep) para maior produção de combustível e para que deixe de encher a Reserva Estratégica de Petróleo dos Estados Unidos e, em vez disso, envie o combustível para as bombas dos postos.

"Onde está o presidente? Onde está o pedido para que a Opep comece a produzir? Onde está o presidente que, quando estava fazendo campanha para presidência, disse em New Hampshire que nós precisávamos de um presidente que pressionasse a Opep a baixar os preços da gasolina? Ora, eu não tenho visto nenhuma pressão, vocês viram?" Kerry perguntou para as pessoas na platéia, com algumas das quais respondendo, "Não".

A única ação de Bush foi fazer "acordos privilegiados com a Arábia Saudita", disse Kerry. Ele não forneceu detalhes, mas no passado denunciou relatos de que o embaixador saudita nos Estados Unidos tinha indicado que o país aumentaria a produção antes da eleição em novembro.

Steve Schmidt, um porta-voz da campanha de Bush, disse que as propostas de Kerry vão contra seu histórico no Senado de oposição ao recente pacote de energia do presidente, que os republicanos dizem que levará a custos menores para os consumidores, e de ocasionalmente apoiar impostos maiores para a gasolina.

"Quatro anos atrás John Kerry disse que a manipulação (da Reserva Estratégica de Petróleo) era irrelevante para a redução dos preços da gasolina", disse Schmidt. "Ele estava certo na época e está sendo demagogo agora."

Traçando contrastes com Bush, Kerry retratou a si mesmo como um líder disposto a agir rapidamente para ajudar os trabalhadores americanos e disse que, como presidente, reverá imediatamente o orçamento de 2005 para propor um aumento no salário mínimo; estender o auxílio-desemprego; e incluir uma nova iniciativa de seguro-saúde para cobrir todas as crianças, permitir a entrada paga de pessoas com mais de 55 anos no Medicare, e dar ao governo federal a responsabilidade pelo atendimento catastrófico, que o Senador disse que reduziria o preço dos planos de saúde em uma média de US$ 1 mil.

Em resposta ao pedido de um membro da platéia de indenizações pela escravidão, Kerry disse que é contra as remunerações, mas que como presidente ele se reunirá com o principal defensor das indenizações, o deputado John Conyers Jr., para discutir formas de "curar as feridas do passado da América que ainda existirem".

Ele também disse estar preocupado de que levantar a questão da escravidão possa dividir os americanos. Ele pediu medidas como "zonas de revitalização" promovidas pelas empresas nas comunidades negras como "um tipo de reparação".

"É o trabalho de um presidente encontrar um caminho para fazer coisas que unam as pessoas, e não as dividam, que curem, e não abram feridas", disse Kerry.

Kerry e Dean fizeram elogios um ao outro, sem nenhum sinal da tensão da disputa pela indicação, e voaram juntos de volta a Washington, D.C., ainda na terça-feira.

A posição antiguerra e a agenda progressista de Dean conquistaram seguidores entusiastas neste Estado importante, onde Al Gore venceu por apenas 7 mil votos em 2000. Dean, um médico, chamou na terça-feira o plano de atendimento de saúde de Kerry de o "mais sensível e bem pensado que vi em muito, muito tempo".

Ele acrescentou que acredita que um Congresso republicano o apoiaria porque as pessoas e as empresas não são obrigadas a participar. Democrata atribui preço crescente dos combustíveis a interesses excusos do presidente George El Khouri Andolfato

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