Imagem liberal de Kennedy é usada contra Kerry

Susan Milligan
Em Washington

Ele é tema de programas de rádio republicanos nos conservadores Estados de Dakota do Sul e Oklahoma. A sua face bem conhecida foi pichada em uma propaganda republicana no Alasca. E o presidente Bush invoca o espectro do senador democrata por Massachusetts na campanha eleitoral, alertando os eleitores para a sua "agenda liberal".

Ted Kennedy está de volta --reivindicando o seu lugar como fantasma liberal que assombra os pesadelos republicanos nas disputas por vagas na Câmara, nas campanhas pelo Senado e nas batalhas pela Casa Branca.

Antes da campanha presidencial, Kennedy estava se acomodando no papel de estadista idoso do Congresso, negociando com colegas republicanos o projeto de lei "No Child Left Behind" (Nenhuma Criança Deixada Para Trás) e a legislação do Medicare. Nos intervalos entre votações e audiências, o senador veterano, de 72 anos, podia ser visto com freqüência jogando uma bola de tênis para que Splash, o seu Cão D'Água Português, a buscasse.

Mas Kennedy, que assumiu a liderança no Congresso na argumentação contra a guerra no Iraque e que tem militado ativamente em favor do também senador por Massachusetts, John Kerry, foi ressuscitado pelos republicanos como o "pesadelo liberal do país".

"Ele está de volta, e ainda nos provoca apoplexia", diz Whit Ayres, um consultor do Partido Republicano. "Kennedy é ainda um grande bicho-papão para todos os conservadores do país".

Em disputas senatoriais, os republicanos procuram vincular os candidatos democratas a Kennedy, apesar do fato de a maioria desses candidatos utilizar uma plataforma à direita do partido, a fim de competir em Estados de tendência conservadora.

O ex-governador do Alasca Tony Knowles, candidato democrata ao Senado, apóia a exploração de petróleo no Refúgio Nacional da Vida Selvagem Ártica, ou ANWR na sigla em inglês, um projeto muito popular entre os moradores do Estado. Mas, neste ano, uma propaganda do Comitê Senatorial Nacional Republicano disse que Knowles se alinharia aos senadores anti-ANWR, Kennedy e Kerry.

"Esse é o caribu da ANWR. E esse é um político liberal da Costa Leste. Você supõe que eles algum dia se conheceram?", diz a voz do locutor na propaganda, enquanto o telespectador vê um caribu e fotos de Kerry e Kennedy. "Mas é essa espécie que Tony Knowles precisará persuadir se houver qualquer esperança de explorar petróleo na ANWR", continua a propaganda. "Se Tony Knowles for a Washington, ele deixará o Alasca e se juntará à equipe de Kennedy-Kerry, que não reconheceria um caribu caso este aparecesse para tomar uma tigela de caldo de mariscos em Boston".

Em uma propaganda de rádio de Oklahoma, o Comitê Senatorial Nacional Republicano acusa o candidato democrata Brad Carson de ser um grande perdulário, que deseja desperdiçar verbas federais em escala maior do que "fariam Ted Kennedy e John Kerry juntos".

Uma propaganda divulgada em Dakota do Sul contra o líder da minoria no Senado, Tom Daschle, vincula o senador democrata a "Teddy Kennedy acusando o presidente Bush de fazer com que as cresçam as fileiras da Al Qaeda".

O candidato republicano da Flórida ao Senado, Mel Martinez, enviou recentemente um e-mail a jornalistas ridicularizando a sua oponente, Betty Castor, por esta ter obtido a aprovação de Kennedy, enquanto que republicanos da Carolina do Sul tentaram vincular a candidata democrata ao Senado, Inez Tenenbaum, a Kennedy. Outros candidatos disseram aos eleitores que Kennedy praticamente controlaria o Senado caso os democratas reconquistassem a maioria na casa.

A questão do controle sobre o Senado é incerta, já que o resultado de nove campanhas altamente disputadas provavelmente determinará quem contará com a maioria no 109º Congresso. Os republicanos parecem dispostos a conquistar até cinco cadeiras neste ano, mas disputas eleitorais inesperadamente difíceis como a do Alasca, do Colorado, de Oklahoma e de Kentucky deram aos democratas uma chance de retomar o controle.

Kennedy também foi usado contra Kerry na corrida presidencial. Uma propaganda de televisão da Associação Nacional do Rifle adverte Kerry: "Os proprietários de armas sabem que você seria como um Ted Kennedy sentado no Salão Oval".

Bush chama Kennedy zombateiramente de "o senador conservador de Massachusetts" para retratar Kerry como um extremista. Kennedy dá de ombros para as propagandas e comenta: "O rótulo é uma medalha de honra. Nesta eleição, o termo liberal significa um país mais seguro, mais empregos, melhores escolas, e uma assistência de saúde acessível para todo o povo. Os republicanos são incapazes de competir contra isso", afirmou Kennedy.

Mas estrategistas republicanos e funcionários de campanha dizem que Kennedy é parte fundamental de sua estratégia de descrever os candidatos democratas como demasiadamente liberais para o país. "Ele é uma figura política perene", diz o estrategista republicano Frank Donatelly.

"Kennedy foi o maior apoiador de Kerry, e ambos são de Massachusetts. Não se trata apenas do termo 'liberal', e sim de 'liberal de Massachusetts'".

Stan Greenberg, especialista democrata em pesquisas eleitorais, diz que as pesquisas indicam que a rotulação de Kerry como "liberal" não o está
prejudicando entre o eleitorado. "Espero que eles continuem com esse tipo de campanha até o fim", afirma Greenberg. Republicanos querem que o público conservador rejeite o candidato Danilo Fonseca

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