"Não há motivos para alarme sobre a saúde do Papa", diz seu porta-voz

Stephen Heuser
Em Roma

Os católicos reunidos na Praça de São Pedro no Vaticano e em igrejas locais, na noite desta quarta-feira (2/2), aguardavam ansiosamente por notícias sobre a saúde do papa João Paulo 2º, de 84 anos, que passou sua segunda noite no hospital com dificuldades respiratórias provocadas por uma forte gripe.

Um porta-voz do Vaticano ofereceu garantias de que o papa está se recuperando, sofrendo apenas de uma leve febre, e que permanecerá no hospital por apenas mais alguns dias.

Segundo o porta-voz, Joaquin Navarro-Valls, o sumo pontífice recebeu "terapia para auxílio respiratório" na noite de terça-feira e não estava na terapia intensiva. Ele foi capaz de celebrar a missa na manhã de quarta-feira com seu secretário pessoal, e "até mesmo tomou um leve desjejum" com café.

"Todos podem ficar calmos porque não há motivo para alarme hoje", disse Navarro-Valls na manhã de quarta-feira.

Mas fora da cidade o clima era de ansiedade, com católicos rezando pela saúde do papa cada vez mais frágil, que foi levado às pressas na noite de terça-feira para o Gemelli Policlinio, um hospital-escola católico no noroeste do Vaticano.

A internação hospitalar é a primeira do papa desde 1996, quando ele teve seu apêndice removido. Ele também foi tratado no Gemelli em 1981, quando foi baleado em uma tentativa de assassinato na Praça de São Pedro.

Apesar das declarações em geral otimistas do Vaticano, a gripe influenza é uma doença perigosa, particularmente para os idosos, e complicações sérias como pneumonia são uma preocupação entre os médicos que tratam pacientes com os sintomas gerais do papa.

Com o Vaticano oferecendo poucos detalhes sobre a condição do papa ao longo do dia, dezenas de jornalistas de toda Europa vieram para o saguão do hospital, tentando extrair informações dos médicos e lendo as entrelinhas das declarações oficiais do Vaticano.

Um paciente que foi internado na quarta-feira se mostrou mais blasé sobre o paciente que ocupava a suíte papal do 10º andar, acima dele.

"O papa é um homem", disse Savrio Bonadonna, um romano de 65 anos, dando de ombros. "Ele está doente." Um senso maior de urgência atraiu milhares de fiéis de Roma para uma missa noturna em São Pedro, a qual o papa deveria presidir, e para missas em igrejas locais.

Muitos deles tomaram conhecimento da notícia quando ela piscou nas telas de seus celulares na forma de um boletim de notícias, às 23h20 de terça-feira. Outros tomaram conhecimento pelos jornais matutinos, que vinham acompanhando a gripe do papa que já durava três dias, que estamparam grandes manchetes, porém otimistas, que chamavam a hospitalização do papa de uma "precaução".

João Paulo 2º, o primeiro papa não-italiano em séculos, se tornou uma figura adorada entre muitos católicos locais, com seu toque popular apreciado por uma cidade que sempre viu o Vaticano como um bairro remoto, e com sua fragilidade inspirando uma preocupação quase familiar.

"Em Roma, o papa é uma instituição, então todos aqui de certa forma acompanham o papa", disse Mario Valenti, um advogado de 33 anos que trabalha em Roma. "Especialmente este papa --ele fez contato com o povo. Ele é um de nós de certa forma."

Apesar de conquistar elogios por promover o contato humano, assim como seu apoio direto aos direitos humanos e uma agenda de viagens ambiciosa que o levou a regiões nunca antes visitadas por um papa, ele também gera controvérsias entre muitos católicos por suas posições conservadoras sobre o aborto e o papel da mulher na Igreja.

Nos últimos anos, a saúde do papa tem sido cada vez mais motivo de preocupação, à medida que tem exibido sinais claros de mal de Parkinson e às vezes tem sido incapaz de concluir suas falas.

Ele também sofre de problemas no joelho e no quadril, e sua incapacidade de endireitar as costas tem pressionado seus pulmões e diafragma, disse o cardeal Javier Lozano Barragan, presidente do conselho de saúde do Vaticano, para a "Associated Press Television News" na quarta-feira.

A permanência prevista do papa no hospital -que a imprensa italiana informou que seria de até uma semana- dará aos médicos "muitos meios para ficarem de prontidão para quaisquer complicações", disse ele. Católicos aguardam ansiosamente por notícias do pontífice George El Khouri Andolfato

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