Ataque mata 14 fuzileiros americanos no Iraque

Bryan Bender, em Washington, e
Thanassis Cambanis, em Bagdá

Nesta quarta-feira (3/8), uma poderosa bomba atingiu um transporte de tropas americano, perto da cidade de Haditha, no oeste, matando 14 marines no ataque em estrada mais mortal contra as forças americanas. As mortes elevaram para 21 o número de marines mortos na região nos últimos três dias.

O ataque a bomba de quarta-feira, que também tirou a vida de um intérprete iraquiano, foi a mais recente exibição das armas mais sofisticadas dos rebeldes e das táticas mais mortais que os comandantes americanos têm alertado há meses, disseram altos oficiais militares.

Quarenta e três soldados e marines americanos foram mortos no Iraque na última semana e meia. A maioria das mortes recentes ocorreu na volátil província de Anbar, no oeste, onde as forças americanas e iraquianas têm lutado para encontrar as fortalezas rebeldes em um vasto território, que se estende por centenas de quilômetros entre Bagdá e a porosa fronteira síria. As forças armadas americanas acreditam que a área é um corredor chave para os rebeldes e extremistas estrangeiros.

Os marines seguiam pela estrada, na manhã de quarta-feira, quando seu veículo blindado foi atingido por uma bomba poderosa o bastante para despedaçar o veículo anfíbio de assalto, que pesa mais de 25 toneladas.

O transporte, capaz de levar 18 marines prontos para combate e projetado para se lançar nas ondas e viajar por terreno acidentado, não é tão fortificado quanto um tanque, mas ainda assim é altamente protegido com placas de blindagem espessas.

Todas as 15 vítimas estavam viajando no mesmo veículo, disseram oficiais militares. Um marine sobreviveu e seus ferimentos estão sendo tratados, eles disseram.

O ataque ocorreu a cerca de 1,5 quilômetro ao sul de Haditha, localizada a 210 quilômetros a noroeste de Bagdá. Ele ocorreu perto de onde sete outros marines da mesma unidade --o 3º Batalhão, 25º dos Marines, baseado fora de Cleveland-- foram mortos a tiros em uma emboscada, na segunda-feira. O corpo de um destes marines foi encontrado mutilado a vários quilômetros de distância, segundo reportagens de agências de notícias.

As mortes americanas no oeste do Iraque ocorreram após o número de baixas americanas ter declinado, de 83 em junho para 58 em julho. Os líderes militares no Iraque e em Washington foram rápidos em destacar, na quarta-feira, que os mais recentes ataques não necessariamente marcam uma escalada geral na insurreição.

Eles disseram que as forças americanas e iraquianas têm monitorado mais agressivamente as operações contra os rebeldes no oeste do Iraque, que têm infiltrado combatentes em Bagdá pelo vale do Rio Eufrates.

Tem ocorrido "uma série de operações simultâneas [lideradas pelos americanos] em uma série destas cidades, em um esforço para negar ao inimigo a liberdade de movimento, para negar a eles santuário", disse o general de brigada do Exército, Carter Ham, diretor de operações regionais do Estado-Maior das Forças Armadas, aos repórteres no Pentágono.

"Eles não têm tal liberdade de movimento, e acho que é um dos motivos que estão contribuindo para a ocorrência deste número de contatos diretos", à medida que as forças americanas avançam em território onde os rebeldes se moviam livremente.

Desde a invasão americana à fortaleza rebelde de Fallujah, em novembro, os marines em Anbar têm tentado impedir a entrada de combatentes da Síria para o Iraque, e têm travado várias batalhas acirradas nas cidades onde os rebeldes tinham rédea livre.

Mas a insurreição tem se tornado cada vez mais sofisticada, apesar dos esforços americanos e iraquianos para deter as emboscadas, homens-bomba e explosivos improvisados que tiraram as vidas de pelo menos 1.822 militares americanos desde a invasão liderada pelos Estados Unidos, em 2003.

Ham disse que as táticas dos rebeldes se tornaram mais mortais, incluindo a preparação de explosivos maiores, com capacidade para penetrar em alguns dos veículos militares mais bem protegidos.

"Nós vimos ao longo dos últimos dois meses um declínio geral no número de ataques com explosivos improvisados. (...) Mas a letalidade continua muito, muito alta", disse Ham.

"Nós estamos vendo quantidades maiores de explosivos. Nós estamos vendo técnicas diferentes, que estão sendo usadas em um esforço para responder aos esforços da coalizão e das forças de segurança iraquianas de proteger o pessoal em movimento; tipos diferentes de penetradores [explosivos], técnicas diferentes de detonação dos eventos."

Estas táticas ficaram particularmente em evidência em Anbar, que continua sendo uma das partes mais instáveis do país.

No ataque na segunda-feira, rebeldes empunhando metralhadoras atacaram uma patrulha marine a pé. Cinco marines foram mortos imediatamente, e o corpo de um sexto foi encontrado posteriormente, a mais de 1,5 quilômetro de distância.

Um site de um importante grupo rebelde, o Ansar Al Sunna, postou na quarta-feira fotos na Internet que seriam do marine americano morto. Os militares disseram estar investigando o fato.

Outro marine foi morto no mesmo dia em um atentado suicida em Hit, a 136 quilômetros a noroeste de Bagdá. Os marines prenderam 10 indivíduos em um reide, na quarta-feira, em um suposto refúgio de terroristas perto de Haditha, disseram os oficiais.

Os ataques desta semana ocorreram após uma série de ataques com bombas em estradas em emboscadas em Anbar e Bagdá, no mês passado, que visavam soldados e marines americanos. Oficiais militares expressaram preocupação na quarta-feira de que as recentes mortes sugerirão uma piora da insurreição.

"A parte mais difícil que não podemos controlar é a falsa percepção de que (...) um ou dois ataques nos últimos dois dias em Haditha farão as pessoas acharem que o céu está caindo", disse o tenente coronel do Exército, Steven Boylan, um porta-voz das forças armadas em Bagdá, para The Boston Globe por e-mail.

"Tudo o que aconteceu a esta altura é que os terroristas foram infelizmente bem-sucedidos em dois ataques, o que não significa nada mais do que isto."

Boylan disse que Haditha não se tornou uma nova fortaleza rebelde. "Nós sabemos por retrospecto que pode haver ataques espetaculares não associados a qualquer coisa em particular", disse ele. "Eles apenas escolheram quando e onde realizar estes ataques."

Todavia, altos oficiais não têm ilusões de que a insurreição está próxima de ser derrotada. "Eu acho que é muito importante lembrar sempre de que é um inimigo muito letal e, infelizmente, adaptativo que estamos enfrentando dentro do Iraque", disse Ham.

O presidente Bush não comentou diretamente as mais recentes baixas americanas. Mas durante um discurso perante o Conselho Americano de Intercâmbio Legislativo, em Grapevine, Texas, ele declarou: "Suas famílias devem saber que os cidadãos americanos rezam por eles, e as famílias devem saber que honraremos o sacrifício de seus entes queridos completando a missão, estabelecendo a fundação para a paz para as futuras gerações".

O embaixador americano Zalmay Khalilzad insistiu no início desta semana que o fim da insurreição só pode ser obtido por meios políticos.

"A solução para o problema da insurreição não é uma solução apenas militar", disse Khalilzad aos repórteres, na terça-feira. "O componente militar tem que ser integrado a uma ampla estratégia comandada pelo elemento político."

Uma Constituição iraquiana bem-sucedida que inclua os árabes sunitas -considerados a base natural da insurreição- somada a uma ajuda econômica e de reconstrução provaria ser um contexto mais produtivo para as operações militares contra bolsões isolados de combatentes, disse Khalilzad.

"Para derrotar a insurreição, é necessário chegar a um pacto com todos os iraquianos", disse ele. "Se eles se virem como parte deste novo Iraque, eles se separarão da insurreição." Ao menos 21 marines e um tradutor foram mortos nos últimos 3 dias George El Khouri Andolfato

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