Staff de John Kerry aprecia o "ataque" de Bush

Rick Klein
Em Washington

O ataque do presidente Bush no Dia dos Veteranos contra o senador John F. Kerry, feito em um grande discurso sobre a guerra no Iraque, foi recebido com discreto apreço por aqueles no campo do senador que estão preparando o terreno para sua possível disputa à presidência em 2008.

Ao apontar Kerry como o principal crítico democrata à guerra no Iraque, disseram assessores do democrata de Massachusetts, o presidente confirmou a contínua proeminência de Kerry na política nacional, algo que o senador e seus assessores têm encontrado dificuldade para manter.

"Kerry é claramente um dos líderes nacionais do Partido Democrata", disse Jenny Backus, uma estrategista política de Kerry. "John Kerry articulou uma estratégia clara para os democratas e não há nada mais perigoso para os republicanos do que um Partido Democrata unido."

Na sexta-feira, falando em um depósito do Exército na Pensilvânia, Bush citou especificamente o apoio inicial de Kerry à guerra como evidência de que os democratas concordaram que Saddam Hussein era uma ameaça à segurança dos Estados Unidos. Kerry contra-atacou na segunda-feira, com um discurso de 20 minutos no plenário do Senado, acusando Bush de enganar a nação para persuadir o Congresso a autorizar o uso da força. Ele disse que o presidente realizou um "ataque que soou quase desesperado no Dia dos Veteranos".

"Em vez de estabelecer um plano claro para o sucesso no Iraque, o presidente investe contra seus críticos um ataque retórico de última hora que desonrou os veteranos da América e aqueles que servem atualmente, enquanto ele continua a distorcer a verdade sobre a guerra de sua escolha", disse Kerry.

Kerry parecia desfrutar de sua volta ao holofote nacional. Desde que Bush o derrotou no ano passado, o senador tem tentado preservar seu papel como líder democrata, tirando proveito de sua estatura como mais recente candidato do partido. Ele distribuiu dinheiro para outros democratas, fez discursos sobre o Iraque e outros assuntos controversos e tem mantido uma agenda de viagem que é incomum para um candidato presidencial derrotado, apenas um ano após a disputa.

Mas até agora, ele tem sido ofuscado pela nova leva de candidatos presidenciais democratas, incluindo a senadora Hillary Rodham Clinton, de Nova York, e John Edwards, um ex-senador e companheiro de chapa de Kerry em 2004. Assim, os comentários de Bush soaram para muitos na operação política de Kerry como uma validação de seu trabalho.

"Ele se torna uma espécie de herói entre os democratas por ser atacado por George W. Bush", disse Don Fowler, um ex-presidente do Comitê Nacional Democrata.

Fowler acrescentou que as recentes viagens de Kerry a Estados cruciais na disputa presidencial, como New Hampshire e Iowa, convêm a um político que está planejando outra disputa à presidência.

"Ele seria um candidato viável em 2008", disse Fowler. "Eu não o descartaria." Os assessores de Kerry insistem que o senador não tomou nenhuma decisão quanto a seu futuro político; ele também poderá se candidatar à reeleição em 2008, e segundo a lei de Massachusetts ele não pode aparecer na mesma cédula concorrendo ao Senado e à presidência.

Ainda assim, o envolvimento de Kerry nas eleições locais é um elemento-chave para mantê-lo visível como candidato nacional. Por meio de sua conta de campanha e seu comitê de ação política, Keeping America's Promise (mantendo a promessa da América), Kerry doou um total de US$ 700 mil para 80 candidatos e US$ 3,1 milhões para 17 organizações políticas locais e nacionais, segundo dados fornecidos por sua equipe política.

Kerry realizou eventos políticos em 15 Estados desde a eleição do ano passado, incluindo visitas a Estados importantes como Iowa e New Hampshire e Estados indefinidos como Flórida, Ohio e Pensilvânia. Ele ajudou a organizar 45 eventos para arrecadação de fundos para candidatos democratas, e tem usado sua lista de e-mail de 3 milhões de simpatizantes para campanhas de lobby para questões importantes no Congresso.

Os eventos políticos são naturalmente apropriados para um homem que nunca foi conhecido como um grande legislador no Senado, e podem lhe valer a boa vontade de democratas de todo o país, disse Jeffrey Berry, um professor de ciência política da Universidade Tufts. Mas Kerry pode esperar alguns obstáculos sérios por parte de seu próprio partido se quiser recomeçar uma campanha presidencial, disse Berry.

"Ele está falando de forma freqüente e apaixonada, mas o Partido Democrata não parece estar dando muita atenção", disse ele. "É um partido que quer seguir em frente."

Em comparação a outros candidatos presidenciais derrotados, as atividades políticas de Kerry são raras tão cedo após a derrota. O vice-presidente Al Gore, um democrata que serviu por anos no Senado, virtualmente desapareceu por quase dois anos do cenário nacional após sua derrota para Bush, em 2000. Quando o presidente Bill Clinton derrotou Bob Dole em 1996, o antigo senador republicano do Kansas praticamente se aposentou da vida pública.

O último democrata de Massachusetts a conquistar a indicação presidencial, o governador Michael Dukakis, cumpriu os dois últimos anos de seu governo mas nunca despontou novamente no cenário nacional após a disputa presidencial de 1988.

Depois que o presidente John F. Kennedy derrotou Richard Nixon em 1960, Nixon voltou para casa na Califórnia, perdeu a eleição para o governo estadual, então pulou um ciclo eleitoral antes de concorrer novamente e chegar à presidência, em 1968. Ele foi a última pessoa a voltar de uma derrota em eleição geral a conquistar uma indicação.

Mas o trabalho de Kerry como candidato à presidência se transformou em uma operação política em tempo integral. Neste ano, ele fez campanha com candidatos democratas em disputas importantes como a do governo de Nova Jersey e prefeitura de Los Angeles. Ele até mesmo fez campanha para o administrador de condado de Rockland County, Nova York, e para um candidato a vereador em Cedar Rapids, Iowa.

Suas atividades têm sido voltadas para a formação do apoio das bases que ele desfrutou em sua disputa presidencial, disse John Giesser, diretor executivo do comitê de ação política de Kerry.

"Ele forneceu um nível sem precedente de apoio financeiro e organizacional para o Partido Democrata, nacionalmente, e para candidatos de todas as esferas", disse Giesser.

"Seu apoio é dado a democratas que estão lutando por mudança, amigos que o apoiaram, novos líderes buscando derrotar os que estão no poder e colegas no Senado." Emabte com presidente legitima a liderança nacional do senador George El Khouri Andolfato

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