Plano de fusão de teles no Brasil é atingido por novo choque

Jonathan Wheatley
Em São Paulo

A planejada fusão de duas das maiores companhias de telecomunicações do Brasil está sendo ameaçada por uma antiga batalha jurídica entre o Citigroup e seu ex-diretor de investimentos no país. A Brasil Telecom (BrT) e a Oi (antes conhecida como Telemar) estão em negociações há vários meses sobre uma proposta de acordo em que a Oi compraria a BrT por estimados R$ 4,85 bilhões (cerca de US$ 2,8 bilhões).

Mas o negócio depende da solução de uma disputa jurídica entre os acionistas controladores da BrT: o Citigroup, um grupo de fundos de pensão brasileiros e o Opportunity, uma administradora de investimentos brasileira que antes os representou na BrT e retém uma parte do controle da BrT.

E o "Financial Times" soube esta semana que um investidor brasileiro está ameaçando processar o Citigroup se ele resolver sua disputa com o Opportunity.

Os fundos de pensão haviam afastado o Opportunity em 2003 e o Citigroup fez o mesmo em 2005, depois de uma série de revelações envolvendo a companhia e Daniel Dantas, seu fundador e diretor, em supostas atividades ilegais.
TELECOMUNICAÇÕES NO BRASIL
Lula Marques/Folha Imagem - 21.set.2005
O banqueiro Daniel Dantas, do Banco Opportunity, durante depoimento às CPIs dos Correios e do Mensalão
FUSÃO ENFRENTA NOVOS PROBLEMAS
ENTENDA A DISPUTA


Dantas está sendo processado no Brasil por corrupção, espionagem e formação de quadrilha. Dantas nega qualquer delito. O Citigroup está processando o Opportunity em Nova York por pelo menos US$ 300 milhões por supostas negligência e fraude. Na última quinta-feira ele abriu mais uma ação contra Dantas, o Opportunity e outros em Nova York.

No entanto, começaram a circular relatos na semana passada de que os fundos de pensão, o Citigroup e o Opportunity estariam próximos de solucionar suas disputas. Em uma declaração aos mercados na sexta-feira, a Oi disse: "Tomamos consciência de que obstáculos significativos na negociação existente entre os acionistas controladores da BrT estão perto de uma resolução e, se isso for confirmado, as negociações devem se intensificar e assumir uma nova dinâmica para levar a pretendida aquisição a uma conclusão".

Um oficial do Opportunity confirmou que as negociações com o Citigroup e os fundos de pensão estão ocorrendo, mas não quis comentar mais. O Citigroup não quis comentar.

No entanto, se os acionistas da BrT estiverem realmente perto de um acordo, esse negócio foi posto sob ameaça esta semana depois que Luís Roberto Demarco, um ex-sócio do Opportunity que esteve envolvido em uma série de batalhas jurídicas com a companhia, ameaçou processar o Citigroup se ele cancelar as ações contra o Opportunity.

Em um e-mail para sir Win Bischoff, presidente do Citigroup, ele disse: "Fui informado de que o senhor e os executivos do Citi têm deveres fiduciários e responsabilidades legais que não podem absolutamente ser negociados em um acordo comercial".

Demarco disse ao "FT" que, como acionista do Citigroup e da BrT, ele tomaria medidas jurídicas nos EUA, no Reino Unido e no Brasil para garantir que o Citigroup prossiga suas reivindicações contra o Opportunity. O Citigroup não quis comentar ontem.

O acordo não pode seguir em frente sob a atual legislação, mas membros do governo estão planejando mudanças regulatórias para torná-lo possível. O governo apóia o acordo porque criaria um campeão nacional capaz de desafiar o predomínio da Telefónica da Espanha. Luiz Roberto Mendes Gonçalves

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