Petrobras busca opções de financiamento no exterior

Carola Hoyos Em Londres

A Petrobras, a companhia petrolífera estatal brasileira, está mantendo conversações diretas com outros governos, incluindo Washington e Pequim, em busca de ajuda para um projeto de US$ 174 bilhões para a exploração das suas grandes reservas de petróleo.

O grupo descobriu recentemente as maiores reservas de petróleo na América Latina nos últimos 30 anos, e os líderes do setor, como Tony Hayward, diretor-executivo da BP, acreditam que as águas da costa do sudeste brasileiro contenham reservas tão grandes e importantes quanto aquelas descobertas no Mar do Norte na década de 1970.

José Sérgio Gabrielli de Azevedo, presidente e diretor-executivo da Petrobras, disse ao "Financial Times" que a Petrobras conseguiu quase todo o financiamento para este ano e que nos próximos cinco anos poderia financiar US$ 120 bilhões a partir do seu próprio fluxo de caixa.

Mas isto ainda deixa a companhia com um grande rombo financeiro que ela precisa tapar para que possa alcançar a sua meta de aumento da atual produção de petróleo e gás de 2,2 milhões de barris diários para 3,3 milhões em 2013 e 5,7 milhões em 2020.

"Será difícil, será um desafio, mas não é impossível", disse ele, acrescentando: "Mantivemos diversas conversações não só com a China e os Estados Unidos, mas com vários países. Acreditamos que isso será uma importante fonte de financiamento para nós".

Acredita-se que os Emirados Árabes Unidos também tenham manifestado interesse.

Gabrielli disse que, nos Estados Unidos, a Petrobras manteve contato com o Export-Import Bank e a Overseas Private Investment Corporation, que, segundo ele, desejam aumentar a presença de companhias norte-americanas no Brasil. Mas ele afirmou que as suas conversações em Washington foram prejudicadas pelo fato de não haver uma instituição central.

Segundo Gabrielli, em troca de auxílio financeiro para o projeto, a Petrobras garantiria o futuro fornecimento de petróleo e produtos petrolíferos.

"Em relação aos Estados Unidos, nós somos atualmente um exportador líquido de produtos petrolíferos. E isto aumentará", disse Gabrielli.

Analistas e executivos de outras companhias de petróleo concordam que a obtenção de financiamento será um dos dois maiores obstáculos enfrentados pela Petrobras, levando-se em conta a crise de crédito e a queda de mais de US$ 100 no preço do barril de petróleo em seis meses. O segundo obstáculo deverá ser o desafio técnico para a extração de petróleo acumulado sob grossas camadas de sal, bem abaixo da superfície do mar.

Um executivo de uma companhia petrolífera concorrente, que opera na América Latina e no Mar do Norte, afirma: "Eles descobriram um Mar do Norte. Demorou mais de uma década para que 15 grandes companhias conseguissem explorar aquelas reservas".

Mas Gabrielli disse acreditar que as companhias que não ajudaram a descobrir os campos de pré-sal ficarão de fora do projeto.

"O sistema regulatório do Brasil recompensa as companhias que assumem riscos de prospecção". Ele observou que entre estas companhias encontram-se a BG, do Reino Unido; a Galp, de Portugal; a Repsol, da Espanha; a ExxonMobil e a Amerada Hess, dos Estados Unidos; e a anglo-holandesa Royal Dutch Shell. "Quem não assumiu riscos não será recompensado", afirmou o presidente da companhia.

Ao apresentar na semana passada o seu plano de negócios para o período 2009-2013, a Petrobras insistiu que dará seguimento não só aos seus planos de exploração das suas reservas recém-descobertas, mas também àqueles para a construção das primeiras novas refinarias em quase 30 anos. Gabrielli afirmou que a Petrobras é a única grande companhia petrolífera que conta com novos campos de grande dimensão a serem explorados e um substancial mercado doméstico.

Mas os planos da empresa envolvem também a expansão das exportações de produtos refinados com valor agregado, em vez de petróleo cru. "Para nos beneficiarmos das nossas vantagens, precisamos construir capacidade agora", disse Gabrielli. "Se não construirmos agora, perderemos a nossa chance".

Almir Barbosa, diretor-financeiro da empresa, disse que a Petrobras ainda precisa obter cerca de US$ 8 bilhões para alcançar a meta de investimento de US$ 28 bilhões neste ano e de US$ 35 bilhões em 2010. Ele afirmou que a companhia está esforçando-se para reduzir as suas necessidades financeiras por meio de um programa de corte de despesas, que envolve a renegociação de todos os projetos, especialmente aqueles que ainda estão em estágios iniciais.

*Jonathan Wheatley, em São Paulo, colaborou para esta matéria.

Tradução: UOL

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