Brasil apoia aumento dos recursos do FMI

Jonathan Wheatley Em São Paulo

O Fundo Monetário Internacional deve emitir "direitos especiais de saque" (SDRs) no valor de US$ 250 bilhões para ampliar sua capacidade de ajudar os países a enfrentar a crise econômica, é o que dirá o presidente do Banco Central do Brasil aos ministros das finanças e banqueiros centrais do G20 neste fim de semana.

Henrique Meirelles, o presidente do banco, disse ao "Financial Times" que apoiaria as propostas, apresentadas pelos Estados Unidos, de aumentar os recursos do FMI dos atuais US$ 250 bilhões para pelo menos US$ 500 bilhões, ao levantar contribuições de seus países membros.

"Isto é algo que ainda precisa ser discutido", ele disse. "Mas, além disso, nós precisamos pensar em permitir que o FMI emita outros US$ 250 bilhões em SDRs, que seria um novo instrumento para os países investirem suas reservas de moeda estrangeira."

O Brasil fez uso no mês passado da medida incomum de usar parte de suas reservas de moeda estrangeira, de cerca de US$ 200 bilhões, para fornecer a liquidez altamente necessária para empresas com dívidas no exterior que venceriam entre o último trimestre de 2008 e o fim de 2009.

Meirelles disse que o Banco Central já pagou US$ 14 bilhões dos US$ 36 bilhões alocados para o programa e mais pagamentos seriam feitos em 20 de março.

O Banco Central também liberou cerca de R$ 100 bilhões dos R$ 260 bilhões que mantém como depósito compulsório -os depósitos que os bancos brasileiros devem manter no banco central- para encorajar o crédito doméstico, apesar do empresariado reclamar que os bancos continuam relutantes em emprestar e que a medida tem um efeito apenas limitado.

Meirelles falou antes do encontro no sábado entre Luiz Inácio Lula da Silva, o presidente do Brasil, e Barack Obama, o presidente dos Estados Unidos, em Washington. Lula deverá pedir apoio aos Estados Unidos no combate ao aumento do protecionismo no comércio mundial.

A luta contra o protecionismo é uma das três prioridades que o Brasil levará ao encontro de cúpula do G20 em Londres, em abril. As outras são a reforma de organizações multilaterais como o FMI e o Banco Mundial, visando dar uma maior voz aos países em desenvolvimento, e apoio à reforma e maior supervisão dos mercados financeiros globais.

Tradução: George El Khouri Andolfato

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