Ásia mostra a Bush que a China é um gigante desperto

Al Neuharter Fundador do "USA Today"

Após o presidente Richard Nixon ter visitado a China em 1972, foi aberto o caminho para as relações dos Estados Unidos com o país asiático, que à época era um gigante adormecido.

Quando o presidente Bush passou a semana passada na Ásia, visitou seis países, mas deixou de ir à China. Mesmo assim, Bush viu por toda parte os sinais de que o gigante adormecido está atualmente bem desperto. Como resultado, a Ásia não pertence mais exclusivamente ao Japão e aos Estados Unidos.

Os chineses estão avançando de forma vigorosa. A economia do país tem sido a que cresce mais rapidamente em todo o mundo nos últimos dez anos. A sua população é 4,5 vezes maior que a dos Estados Unidos. As suas forças armadas são de longe as maiores do mundo. E, há apenas uma semana, eles colocaram um homem no espaço, algo que nós não somos mais capazes de fazer, a menos que peguemos uma carona em uma espaçonave russa.

A viagem de Bush à Ásia está vinculada às reuniões, na Tailândia, da Cooperação Econômica Ásia-Pacífico (Apec, na sigla em inglês), organização composta de 21 países. Ele aproveitou a oportunidade para visitar o Japão, Cingapura, Indonésia, Filipinas e Austrália. Ao deixar de ir à China, o presidente fez uma opção questionável em termos de política internacional.

Na Austrália, os presidentes Hu Jintao e Bush falaram ao Parlamento. Na Tailândia, Hu foi homenageado com um jantar oficial que antecedeu aquele preparado para Bush.

Eis algumas informações sobre a China, 30 anos após a histórica visita de Nixon:

  • A população da China passou de 863 milhões para 1,3 bilhão de habitantes. A nossa de 203 milhões para 292 milhões. A do Japão de 107 milhões para 127 milhões.

  • As forças armadas chinesas têm 2,25 milhões de soldados. As nossas, 1,4 milhão. As do Japão, 204 mil soldados.

  • O Produto Interno Bruto (PIB) chinês, incluindo o de Hong Kong, passou de US$ 109 bilhões em 1972, para US$ 1,5 trilhão. O do Japão, de US$ 305 bilhões para 4,3 trilhões. O dos Estados Unidos de US$ 1,2 trilhão para 10,9 trilhões.

    É claro que somos a única superpotência do planeta, sob qualquer ponto de vista. Mas a China está no nosso encalço, especialmente ao cultivar relações amistosas com outros países asiáticos. Precisamos tomar cuidado e reavaliar a nossa própria política externa, dimensionada de forma estreita e fortemente baseada no poder bélico, algo que faz com vários países da Ásia fiquem ressentidos.

    Comentários

    "O presidente Bush já visitou a China duas vezes. As relações bilaterais são saudáveis, graças à cooperação em questões como o terrorismo e a Coréia do Norte. O aspecto 'questionável' da viagem de Bush à Ásia foi o fato de ele ter passado apenas umas poucas horas em vários outros países-chave. A China é nitidamente uma potência em ascensão, mas o país estará rumando para uma crise caso não liberalize o seu sistema político repressivo".
    - Winston Lord, ex-embaixador dos Estados Unidos na China)


    "A concorrência tácita da China pela liderança asiática não é nenhum segredo. Os Estados Unidos precisam da cooperação chinesa quanto a questões econômicas e de segurança vitais. O diálogo entre Bush e Hu em Bancoc proporcionou a criação de uma agenda comum aos dois países sem que se sacrificasse nenhum aliado. Às vezes é possível obter vantagens no campo da política internacional mantendo-se um pouco de distanciamento".
    - Patrick Cronin, vice-presidente e diretor de pesquisas do Centro de Estudos Estratégicos e Internacionais. Danilo Fonseca
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