General Mourão prepara curso para candidatos das Forças Armadas à eleição

Luis Kawaguti

Do UOL, no Rio

  • Pedro Ladeira/Folhapress

    General Antonio Mourão durante sua despedida do Exército em fevereiro de 2018

    General Antonio Mourão durante sua despedida do Exército em fevereiro de 2018

Há menos de dois meses na presidência do Clube Militar, o general da reserva Antônio Hamilton Martins Mourão prepara um curso a distância em vídeo para orientar ao menos 115 pré-candidatos das Forças Armadas que deverão concorrer nas eleições de 2018. O clube também abrigará uma série de debates com pré-candidatos à Presidência da República.

Mourão foi membro do Alto Comando do Exército até passar para a reserva no início de 2018. Seu nome emergiu da caserna para os noticiários entre 2015 e 2017 quando ele, ainda no serviço ativo, criticou publicamente o governo da ex-presidente Dilma Rousseff (PT) e sugeriu uma intervenção militar no país.

O general se filiou ao PRTB e disse que, a princípio, não se candidatará nessas eleições. Ele afirmou que seu objetivo é apoiar e articular as candidaturas militares em todo o Brasil usando como base o Clube Militar.

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"Nós vamos procurar fazer o máximo possível para auxiliar a eleição desses companheiros", disse ao UOL em entrevista na sede da entidade no centro do Rio de Janeiro.

"Vamos colocar aqui no nosso site [do clube] um núcleo duro de ideias para que esses candidatos as transmitam para o público. Também faremos algumas palestras sobre temas de relevância para que aumente o conhecimento e a densidade deles", disse Mourão.

Os vídeos se dividirão em dez "aulas". Um dos principais temas será a reforma política, em que Mourão e sua equipe defendem o fortalecimento da cláusula de barreira para tentar impedir a ação de partidos "que atuam como balcão de negócios e não representam a vontade da população".

Nos vídeos, Mourão também defenderá mudanças nas normas eleitorais que permitem que membros do legislativo sejam escolhidos pela ação de puxadores de voto – candidatos que recebem um alto número de votos e assim permitem a eleição de outros membros de sua legenda.

Entre as pautas das aulas também estarão as reformas fiscal e tributária, incluindo propostas de descentralização dos recursos da União e renegociação da dívida pública.

Mourão disse esperar que as ideias apresentadas sejam usadas não só na campanha, mas em uma eventual bancada militar que possa se formar no Congresso após as eleições.

Segundo o general da reserva Roberto Peternelli (PSL), outro articulador das candidaturas miliares, ao menos 29 militares da ativa e 86 da reserva, vinculados a diferentes partidos políticos, concorrerão a cargos de deputado estadual e federal, governador, vice-governador e presidente.

"A maioria deles está apoiando nacionalmente a candidatura do Jair Bolsonaro (PSL-RJ). Nos diretórios estaduais dos diferentes partidos acontecem eventualmente alguns problemas: quando o presidente do diretório manda apoiar um candidato com quem eles não se identificam, mas isso é do jogo político", disse Peternelli.

Além de membros das Forças Armadas, policiais militares e civis também se articulam para as eleições, mas de forma independente dos militares. Segundo o deputado Major Olímpio Gomes (PSL), cerca de 600 policiais se preparam para concorrer no pleito de outubro em todo o Brasil.

Clube Militar na política

O envolvimento do Clube Militar com política começou desde sua criação em 1887. A entidade atuou em episódios históricos como as campanhas abolicionista e republicana. Mas após a redemocratização do Brasil, a instituição vinha adotando uma postura mais discreta – tendo se manifestado praticamente apenas para contestar os resultados da Comissão da Verdade em 2014.

Após concorrer sem oponentes à presidência do clube, Mourão foi aclamado presidente no fim de maio e começou a trabalhar em uma retomada da atuação política da entidade.

"O clube é um clube diferente, ele não é só um clube de lazer, um clube social como os demais. Ele tem essa participação na vida política e eu estou procurando dar sequência a esse papel que o clube sempre teve", disse.

Esse movimento ocorre em um ano em que os militares estão em evidência devido ao desempenho positivo nas pesquisas eleitorais de Jair Bolsonaro, que foi capitão do Exército, e às operações militares no Rio de Janeiro em meio à intervenção federal. Porém, o Exército afirmou que os candidatos militares não representam oficialmente a instituição. O Centro de Comunicação Social do Exército trabalha em uma campanha de mídia para mostrar que as pautas do Exército não são necessariamente as mesmas dos pré-candidatos.

A próxima ação do clube será ajudar na articulação de um debate entre Bolsonaro e associados da instituição e também dos clubes da Marinha e da Aeronáutica. O evento ocorrerá na próxima segunda-feira (23) no Clube da Aeronáutica, no Rio de Janeiro. Outros candidatos devem ser convidados até a eleição.

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