Doria diz que vencerá "Marcio Cuba" no 2º turno e anuncia apoio a Bolsonaro

Leonardo Martins e Luís Adorno

Do UOL, em São Paulo

O candidato do PSDB ao governo de São Paulo, João Doria comemorou, na noite deste domingo (7) os mais de 6 milhões de votos recebidos que o colocaram em um segundo turno contra Márcio França (PSB). A disputa final entre os dois vai acontecer no dia 28 de outubro.

"Vencemos no interior, na região metropolitana e também na capital. Muito obrigado a todos que digitaram 45 e votaram em nós no primeiro turno. Muitos até afirmaram que não venceríamos aqui na capital. Mas, aqui, vencemos", disse.

Doria vinha liderando as intenções de voto das últimas pesquisas Datafolha e Ibope em empate técnico com Paulo Skaf (MDB), com França em terceiro lugar. Durante a apuração, o tucano disparou em primeiro lugar, enquanto a segunda vaga só foi decidida nas urnas finais.

Ao longo da campanha, o tucano elevou a rivalidade com o candidato do PSB e, agora, tentará conquistar os eleitores de Skaf, que, assim como ele, é empresário.

"Vamos disputar e vamos ganhar. Ainda mais de alguém que vem do partido socialista. Alguém que é genérico do PT. Será uma honra pra mim disputar e vencer uma eleição de Márcio França, que, para mim, continua sendo Márcio Cuba", atacou Doria, que também fez outras menções ao Partido dos Trabalhadores.

"É com muito orgulho que ganhamos no berço do PT em São Paulo, em São Bernardo. O povo de São Bernardo acelerou", afirmou o candidato. Na sequência, militantes gritaram "fora, PT".

Doria cumprimentou Skaf e afirmou que fará uma campanha dura no segundo turno. "Quero cumprimentar Paulo Skaf, que fez uma campanha respeitável. Quero dizer ao Márcio França que ele vai enfrentar no segundo turno um guerreiro. A mesma índole que me motivou a sair do setor privado para combater o PT, o esquerdismo e as vigarices que fizeram contra o povo brasileiro, terei para vencer Márcio França", disse.

O tucano ainda afirmou que vai procurar Skaf e que pretende contar com o apoio dele no segundo turno. "Não fiz uma ligação, mas farei, se não hoje, amanhã. Não nego. Tenho relações pessoais e sempre mantive relações cordiais com ele. A partir de amanhã, desejaremos ter o apoio do MDB. Estarei dialogando e conversando com Paulo Skaf, por quem sempre tive estima pessoal."

João Doria deixou a prefeitura de São Paulo em abril deste ano para tentar se eleger governador. Em seu lugar, ficou Bruno Covas (PSDB). A atitude gerou rivalidade com Márcio França, uma vez que ele era o candidato natural a ser apoiado pelo PSDB por ter sido vice de Geraldo Alckmin, presidente do partido, que deixou o estado para se candidatar a presidente.

"Muito obrigado a todos da militância. Todos que vieram aqui. Participo de uma campanha de gente guerreira. Só temos pessoas que lutam por uma boa causa e nós lutamos pelo Brasil", afirmou Doria, longe do presidenciável de seu partido Geraldo Alckmin, em quem disse que votou hoje por "solidariedade".

Apoio a Bolsonaro

Durante a coletiva, Doria anunciou apoio ao presidenciável Jair Bolsonaro (PSL), o que vinha sendo amadurecido nos últimos dias. O candidato do PSL terá como adversário Fernando Haddad (PT), que foi derrotado por Doria na eleição para a Prefeitura de São Paulo em 2016.

"Quero deixar claro, para que não tenha dúvida, que amanhã, 7h30 da manhã, serei um brasileiro contra o PT e contra o Fernando Haddad. Já foi derrotado aqui uma vez e, em São Paulo, será derrotado outra vez", afirmou.

"Eu não sou o presidente do partido. Sou João Doria. E, como João Doria, anuncio meu apoio a Jair Bolsonaro contra Fernando Haddad, fantoche de Lula", disse. "Atitudes extremadas não terão o nosso apoio", complementou.

"Quero deixar clara a nossa posição, corroborada pelo nosso conselho. Não precisamos mais ficar passeando na Muralha da China. A partir de amanhã, estaremos apoiando Jair Bolsonaro", afirmou.

Questionado se o apoio a Bolsonaro não contradiz a campanha presidencial do PSDB neste ano, que acusou Bolsonaro de ser despreparado e de ter questionado ao público se gostaria que o Brasil tivesse um presidente que maltratasse mulheres, Doria esquivou: "Não apoio nenhum maltrato a ninguém. Não apoiamos nenhuma iniciativa de agressão às mulheres. Entendo as críticas como parte de uma campanha rígida", argumentou.

Afastamento de Alckmin

Durante a manhã deste domingo, Doria se reuniu com correligionários, acompanhou pessoalmente os votos de Geraldo Alckmin, Bruno Covas, Rodrigo Garcia (seu candidato a vice), Ricardo Tripoli e Mara Gabrilli (candidatos ao Senado).

Apesar de acompanhar Alckmin de manhã, ele e Doria mantiveram distanciamento na votação e no acompanhamento do resultado. Após Doria votar, Alckmin só o cumprimentou após pedidos de fotógrafos.

Enquanto o ex-prefeito acompanhou a votação dos candidatos de seu partido, o ex-governador, que vinha em quarto lugar nas intenções de voto das últimas pesquisas presidenciais, votou e se isolou em casa com a família. Para falar com a imprensa após o resultado, ambos escolheram locais diferentes, o que deixou os próprios integrantes do partido desconfortáveis.

À reportagem, interlocutores da campanha de Doria informaram que os acompanhamentos ocorreram em locais diferentes porque a ocasião "não estava positiva" para Alckmin.

Apesar disso, Doria enalteceu o presidente nacional do partido. "Geraldo Alckmin foi um guerreiro, com a sua bondade, seu conhecimento, seu equilíbrio. Será sempre um grande líder do PSDB, um grande ser humano, uma pessoa a ser reverenciada eternamente", afirmou.

Diferentemente de Doria, França foi ao encontro de Alckmin após o resultado das eleições.

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