Ministros, governadores, prefeitos e secretários deixam cargos para disputar eleições

Maurício Savarese
Do UOL Notícias

Em São Paulo

Veja quem sai para disputar cargos nas Eleições 2010

Atualizado às 11h50

Para cumprir a regra da desincompatibilização – que impõe data limite para funcionários do Executivo renunciarem e, assim, disputarem cargos nas eleições de outubro – diversos prefeitos de capitais, governadores e ministros do presidente Luiz Inácio Lula da Silva deixarão seus cargos nesta quarta-feira (31). Entre eles, estão dois prováveis adversários na sucessão ao Palácio do Planalto: o governador de São Paulo, José Serra (PSDB), líder nas pesquisas de intenção de voto, e a ministra-chefe da Casa Civil, Dilma Rousseff (PT), segunda colocada.

Serra vai anunciar sua saída do cargo em uma cerimônia que fará um balanço de sua gestão no Palácio dos Bandeirantes, em São Paulo, na qual transmitirá o cargo ao vice, Alberto Goldman (PSDB). Mais cedo, Dilma se uniu aos outros ministros demissionários em Brasília para empossar seus substitutos. Na Casa Civil da Presidência, ela dá lugar a sua secretária-executiva, Erenice Guerra.

Por serem membros do Poder Legislativo, o deputado Ciro Gomes e a senadora Marina Silva (PV-AC), também presidenciáveis, não precisarão abandonar os poucos meses que lhes restam de mandato para disputar as eleições. O mesmo vale para governadores que devem buscar a reeleição: Sergio Cabral (PMDB), no Rio, Jacques Wagner (PT), na Bahia, e Yeda Crusius (PSDB), no Rio Grande do Sul.

A medida também se aplica a vice-governadores que tentarão a sucessão no Poder Executivo mandatários que saiam para concorrer a outros cargos. Esse é o caso de Antonio Anastasia (PSDB), que será governador de Minas Gerais assim que Aécio Neves deixar o Palácio da Liberdade. O mesmo vale para os já empossados Orlando Pessutti (PMDB), candidato à sucessão do governador do Paraná, Roberto Requião, e Leonel Pavan (PSDB), que era vice de Luiz Henrique da Silveira (PMDB) em Santa Catarina.

Prefeitos de várias capitais devem deixar seus cargos para concorrer a governos estaduais e, no caso de cidades menores, cargos de deputados estaduais ou federais. Secretários estaduais e municipais também deixarão os cargos para concorrer nas eleições. Esse é o caso do favorito para suceder Serra no governo de São Paulo, Geraldo Alckmin, da pasta do Desenvolvimento.

Ministros
Dez ministros do governo federal deixaram o cargo até a tarde desta quarta-feira para concorrer nas eleições de outubro. Muitos deles ajudarão a reforçar a campanha de Dilma Rousseff em seus Estados. Ainda indeciso, o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles (PMDB) – com cargo de nível de ministério – ouviu de Lula um pedido para que ficasse no cargo. Mas pode deixá-lo para ser candidato a vice na chapa governista ou, mais provavelmente, buscar vaga no Senado por Goiás. Ele deverá anunciar sua decisão ainda nesta quarta-feira.

A saída mais controversa é a do ministro das Comunicações, Hélio Costa, que deve ser candidato do PMDB ao governo de Minas Gerais. O peemedebista não tem garantia de que indicará seu secretário-executivo para sucedê-lo na pasta e ainda entrará em uma disputa incerta, na qual dois petistas se julgavam favoritos para o segundo turno: o ex-prefeito de Belo Horizonte Fernando Pimentel e o ministro do Desenvolvimento Social, Patrus Ananias. Lula os convenceu a desistir.

Outra saída polêmica é a do ministro da Integração Nacional, Geddel Vieira Lima. Ex-aliado de Serra, o baiano migrou para a esfera do petismo, mas rompeu com o governador Jaques Wagner e deve ser candidato ao governo estadual pelo PMDB.

O quadro da Bahia é o mais azedo para a aliança nacional entre petistas e peemedebistas, mas também há potencial de estrago no Rio Grande do Sul, onde Fogaça deve enfrentar o ex-ministro da Justiça, Tarso Genro.

Além de Dilma, Meirelles, Geddel e Tarso, são citados como potenciais candidatos nas eleições de outubro os seguintes ministros: Edison Lobão (PMDB-MA, Minas e Energia), Celso Amorim (PT-RJ, Relações Internacionais), Carlos Minc (PT-RJ, Meio Ambiente), Edson Santos (PT-RJ, Igualdade Racial), Reinhold Stephanes (PMDB-PR, Agricultura), José Pimentel (PT-CE, Previdência), Patrus Ananias (PT-MG, Desenvolvimento Social) e Alfredo Nascimento (PR-AM, Transportes).


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Governadores e prefeitos

O principal movimento nos governos estaduais para as eleições de outubro foi o de Minas Gerais. Na manhã desta quarta, uma solenidade na Assembleia Legislativa marcará a saída de Aécio Neves e a posse de seu vice, Antônio Anastasia. À tarde, no Palácio da Liberdade, ex-sede do governo do Estado, uma cerimônia encerrará a gestão do tucano. Aécio deixa o cargo com duas possibilidades: ser candidato a senador, como diz desejar, ou a vice na chapa de Serra. Já Anastásia concorrerá ao cargo de governador.

Assim como o mineiro, muitos governadores que já não podem se reeleger se desincompatibilizam para tentar vaga no Senado. São eles Luiz Henrique (PMDB-SC), Requião (PMDB-PR), Wilma de Faria (PSB-RN), Welington Dias (PT-PI), Blairo Maggi (PR-MT), Eduardo Braga (PMDB-AM), Ivo Cassol (PP-RO) e Waldez Góes (PDT-AP).

Os prefeitos de Porto Alegre, José Fogaça (PMDB), e de Curitiba, Beto Richa (PSDB), já renunciaram aos seus cargos. Fogaça tentará o governo gaúcho, enquanto Richa disputará a eleição paranaense. Já o prefeito de Goiânia, Íris Rezende (PMDB), anunciou que entregará o cargo na quinta-feira (1º) para disputar o cargo de governador goiano. O tucano Silvio Mendes, de Teresina, e o petista Raul Filho, de Palmas, ainda cogitam abrir mão da prefeitura dessas capitais, mas não devem anunciar decisão nesta quarta-feira.

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