Trajetória de ex-deputado é marcada por insultos, ações judiciais e referências a Jânio Quadros

José Bonato

Especial para o UOL Notícias<br>Em Ribeirão Preto (SP)

  • Edson Silva/Folha Imagem

    Fernando Chiarelli nas eleições de 2008

    Fernando Chiarelli nas eleições de 2008

A carreira política do ex-deputado Fernando Chiarelli começou em 1992, quando conquistou uma vaga de vereador na Câmara de Ribeirão Preto. Naquele ano, Antonio Palocci (PT), atual ministro da Casa Civil, também fora eleito, pela primeira vez, prefeito da cidade.

Chiarelli ganhou notoriedade local por mover ações judiciais contra ex-prefeitos e ex-vereadores de Ribeirão, interpretadas pelo eleitorado como “troco” pela sua cassação em 1994.

Naquele ano, o ainda vereador Chiarelli chamou um colega de Legislativo, o ex-vereador e portador de deficiência física Antonio Lorenzato, de “aleijadinho”. Foi expulso por falta de decoro parlamentar.

Nesse período, Chiarelli se autoproclamava “caçador de ratos” e trajava invariavelmente paletós escuros, apesar do calor de Ribeirão Preto. Dos bolsos, sacava ratos de borracha pelo rabo e os exibia aos interlocutores.

Era sua propaganda pessoal, também veiculada em panfletos,  sempre se referia aos adversários como ratazanas. O ex-deputado nunca escondeu que imitava o estilo folclórico do ex-presidente e ex-prefeito paulistano Jânio Quadros.

Recentemente, Chiarelli imprimiu um verniz intelectual ao seu visual. Antes de ser eleito deputado, era comum encontrá-lo em livrarias, bem-vestido, de paletó e gravata, folheando livros.

Costuma se identificar como professor, mas ninguém nunca soube em qual escola deu aulas ou de onde tirava seu sustento antes de ingressar na vida pública.

Em 2004, foi candidato a prefeito de Ribeirão Preto, mas acabou cassado na reta final do primeiro turno. O argumento para tirá-lo da disputa foi que ele se tornara inelegível em função de ter sido cassado na Câmara dez anos antes.

Chiarelli poderia ter chegado ao segundo turno por causa do voto de protesto e da sua performance nos debates de TV, nos quais chamou um dos adversários de “mamífero”. Trata-se do deputado estadual Baleia Rossi (PMDB), filho do ministro Wagner Rossi, desafeto de Chiarelli.

A grosseria é a marca registrada do ex-deputado. Além de políticos, jornalistas também costumam receber suas pancadas verbais. E os ataques não ficam somente no campo da retórica.

Chiarelli costuma mencionar com frequência sua experiência como ex-lutador de boxe. O recado é claro: se for preciso, ele sobe no ringue também.

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